"O amor que tive pela Guerra virou pesadelo", diz funcionário da empresa em Caxias - Economia - Pioneiro

Impasse 14/09/2017 | 19h30Atualizada em 15/09/2017 | 11h05

"O amor que tive pela Guerra virou pesadelo", diz funcionário da empresa em Caxias

Moisés Mathyas trabalhou na fábrica de implementos rodoviários de Caxias do Sul durante 13 anos. Hoje vive o drama de não conseguir pagar as contas, pois está sem receber o salário desde abril

"O amor que tive pela Guerra virou pesadelo", diz funcionário da empresa em Caxias Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

"Não dá para acreditar que uma empresa que amei tanto tenha virado um pesadelo". A frase é do operador de produção da Guerra SA Moisés da Motta Mathyas. Ele trabalhou na fábrica de implementos rodoviários durante 13 anos. Em 2013, ele viveu o auge da empresa, quando empregava mais de 2 mil funcionários. Hoje, são pouco mais de 600. Todos sem salário desde abril. A empresa está em recuparação judicial e a justiça ainda não homologou o plano. 

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 Foi em 2013, que Mathyas achou que poderia construir uma casa, comprar um carro e guardar uma grana. Quatro anos depois está com todas as contas atrasadas. Renegociou as prestações da casa e do carro, dois IPTUs estão atrasados e os amigos ajudam a manter as contas de luz e de água em dia. Ele tenta fazer alguns " bicos" para comprar comida e o leite para o filho de oito meses. A esposa também está desempregada. 

— O cenário é desesperador. E nada acontece. A Justiça não decide nunca. Estou perdendo a esperança de tudo — desabafa o trabalhador.

Moisés Mathyas chegou a pensar que era possível ter uma vida tranquila. Em 2015 percebeu que os donos da empresa não se preocupavam mais tanto com os funcionários. Nem com a linha de produção. 

— Tem mais de 100 produtos em processo de fabricação  que não foram concluídos — revela, dizendo que estão abandonados.

E acrescenta:

— Em maio as máquinas pararam. Não tive outra saída a não ser pegar minhas coisas e ir embora. Foi difícil. Amei aquela empresa como se fosse minha.

A homologação do plano de recuperação,  que permite a venda das unidades separadamente, está nas mãos da juíza Cláudia Brugger. Com a venda da unidade 2, por exemplo, seria possível pagar todas as pendências trabalhistas e ainda sobraria dinheiro para quitar outras dívidas. O valor do negócio gira em torno de R$ 48 milhões, segundo o advogado da Guerra, Angelo Coelho.


 

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