"Minha alma está de joelhos" , diz trabalhador que conseguiu emprego após dois anos - Economia - Pioneiro

Mercado de trabalho18/09/2017 | 19h04Atualizada em 19/09/2017 | 08h23

"Minha alma está de joelhos" , diz trabalhador que conseguiu emprego após dois anos

Protagonista de série do Pioneiro sobre o desemprego em Caxias, Antônio Marcos Koenig volta a trabalhar com carteira assinada em empresa caxiense

"Minha alma está de joelhos" , diz trabalhador que conseguiu emprego após dois anos Diogo Sallaberry/Agencia RBS
A persistência e o foco foram os diferenciais para Antônio voltar ao mercado. Hoje foi seu primeiro dia na Sumig Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Dois meses após ser o protagonista da série de reportagens sobre o desemprego em Caxias do Sul, publicada no Pioneiro, o ex-desempregado Antônio Marcos Koenig , 45 anos, volta, finalmente, ao mercado de trabalho. Hoje foi o seu primeiro dia na Sumig, que trabalha há 37 anos  com soluções para solda e corte. Emocionado, ele recebeu a reportagem, na empresa, para ressaltar que "estava no céu". 

— Tenho minha vida de volta. Me sinto digno, novamente!

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Como ele conseguiu ser contratado em meio a um exército de desempregados que ronda as cidades da Serra? Vários requisitos. Mas os principais foram a persistência e o foco. O fato de sua foto estar estampada na capa do jornal na edição do dia 11 de julho de 2017 em nada influenciou o departamento de Recursos Humanos da indústria do bairro Pioneiro a contratá-lo. A conspiração a seu favor começou quando ele foi entregar o terceiro currículo na portaria da empresa (a pé). Antônio direcionou o envelope amarelo para o dono da empresa. Casualmente, o envelope chegou até a mesa do diretor.

— Nada vai para a sala da direção sem passar pelo RH — garante a coordenadora do departamento, Letícia Albuquerque.

O dele foi. E o diretor abriu. Encontrou anexado ao currículo uma carta (escrita a mão) contando sua história. Não tinha vagas na empresa naquela semana, mas o diretor entregou pessoalmente o envelope a Letícia e disse:

— Fique atenta.

A oportunidade chegou semanas depois. Um cargo no almoxarifado.

— A vaga era para uma pessoa madura, comprometida e focada. O Antônio se encaixou nela – diz Letícia. 

Sem desistir

A atual situação do setor metalmecânico de Caxias é de conhecimento público. O Pioneiro publicou dezenas de reportagens enfatizando que foi o segmento mais atingido pela crise e o que mais demitiu desde 2014. A principal matriz econômica de Caxias fechou mais de 20 mil vagas formais em três anos. Mas era o setor que Antônio queria: o chão de fábrica. 

Focado e buscando a vaga que almejava (ou sonhava à noite, como relata), não desistiu de distribuir currículos, mesmo depois de ficar "famoso" — sua história contada no Pioneiro teve milhares de visualizações.

—  Sempre acreditei que iria conseguir voltar à indústria, ao chão de fábrica. Confio no meu potencial.

Após a publicação, ele foi chamado por várias empresas para ocupar um cargo. Mas não era a função que desejava e para a qual possuía experiência. Focado, foi em busca do seu sonho. Chegou a furar os calçados de tanto circular por agências de emprego e empresas. Ele conta que em sua primeira entrevista com a RH da Sumig o deixou motivado. 

— Saí confiante. Algo me dizia que aqui era o meu lugar. 

Choro de alegria

Há quase dois anos desempregado, Antônio estava com saudade do trabalho. Na reportagem publicada em julho, ele chorou de tristeza. Ontem, na pausa em meio a um treinamento, ele chorou de alegria.

— Esta saudade (de estar trabalhando) eu não quero mais sentir. Hoje foi um dos dias mais felizes da vinha vida. Poder acordar e vir para a empresa trabalhar.

E acrescentou:

— Saber que vou poder ir ao mercado e fazer as compras com o meu próprio dinheiro me emociona.

E mais:

— Poder ver o sorriso e a alegria de volta no rosto da minha mãe.

Aos que ainda procuram por um trabalho, ele dá um conselho:

— Não desistam! O trabalho é a vida — resume.

O retrato do desemprego em Caxias do Sul

A história de Antônio Marcos Koenig foi contada pelo Pioneiro na edição do  dia 11 de julho de 2017. Ele protagonizou uma série de reportagens sobre o retrato do desemprego em Caxias do Sul. Sua história chegou até o jornal por meio de uma carta, escrita à mão, endereçada à colunista do Caixa-Forte, Silvana Toazza. No papel, ele pedia socorro e implorava por um emprego de carteira assinada.  "Acredito na bondade das pessoas. Caxias tem tantas empresas. Peço que uma me abra as portas, preciso muito trabalhar", escreveu. 

Mais de dois meses depois, um indústria caxiense escutou sua história. Acreditou e contratou!

A série também retratou a dificuldade de conseguir uma vaga de estágio na cidade e apresentou alternativas para se destacar neste cenário tão concorrido.  


 

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