Importações de vinhos e espumantes crescem 40% - Economia - Pioneiro

Setor vinícola25/08/2017 | 08h15Atualizada em 25/08/2017 | 08h15

Importações de vinhos e espumantes crescem 40%

Dados são do Ibravin e se referem ao primeiro semestre de 2017. Mercado interno cresceu 3%   

Importações de vinhos e espumantes crescem 40% Roni Rigon/Agencia RBS
Vinhos importados ganharam mais espaço nas gôndolas  Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
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A importação de vinhos e espumantes cresceu 40% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2016. Enquanto isso, as vendas do vinho nacional no mercado interno recuaram cerca de 10%. Os dados são do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

O diretor de Relações Institucionais do Ibravin, Carlos Raimundo Paviani, pondera que a alta nas importações pode ter ocorrido em função de aumentos das Margens de Valor Agregado (MVA), utilizadas no cálculo do Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS), previstos neste primeiro semestre para alguns estados.

— De algum modo isso pode ter ocasionado um movimento de antecipação de importações com o objetivo de reduzir o impacto do aumento da carga impositiva— observa o dirigente.

Para Paviani, o baixo desempenho dos vinhos brasileiros no primeiro semestre é resultante, ainda, da queda de produção no ano passado, quando ocorreu uma quebra de safra de 57%.

— Para o segundo semestre, quando um volume maior de vinhos produzidos nesta safra entrarem no mercado, a tendência é termos um desempenho melhor do que o primeiro — completa.

Para o presidente do instituto, Dirceu Scottá, o aumento na entrada de produtos vitivinícolas no mercado não está sendo sucedido por um incremento no consumo.

— Muitas redes estão com estoques cheios e não estão dando vazão a este aumento que ocorreu na compra neste período — contextualiza.

Ele lembra que a entrada em vigor do Simples Nacional para as micro e pequenas vinícolas a partir de 2018 deverá refletir em melhores resultados em médio prazo.

— Permitirá a formalização de mais empresas, facilitará essa venda direta e pode dar um fôlego extra às vinícolas de pequeno porte — acredita.

No entanto, Scottá afirma que é necessário insistir na pauta de redução de tributos para que o vinho nacional se torne mais competitivo e recupere espaço em gôndola, na visibilidade e retome índices positivos de vendas. Atualmente, os encargos tributários podem ultrapassar metade do preço final de uma garrafa de vinho.

Neste ano, os importados estão entrando com redução de 11% nos preços. Em 2016, o valor por litro era de US$ 3,23. Este ano, baixou para US$ 2,87.


Abastecimento interno cresce 3%

O levantamento do Ibravin também aponta que o abastecimento do mercado de vinhos (nacionais e importados) no Brasil registrou crescimento de 3% no primeiro semestre. Foram cerca de quatro milhões de litros a mais, entre os produtos estocados e os que estão disponíveis nas prateleiras.

 De janeiro a junho foram 142.384.337 litros, enquanto que nos primeiros seis meses de 2016 ocorreu a comercialização de 138.256.246 litros pelas vinícolas brasileiras e importadores.

O presidente Dirceu Scottá destaca que a entrada de produtos da safra deste ano _ que ultrapassou os 750 milhões de quilos _ pode impulsionar um resultado melhor para o vinho brasileiro em comparação com o primeiro semestre. De acordo com o dirigente, a venda direta ao consumidor, ligada às visitas em vinícolas com projetos voltados ao enoturismo, está entre as apostas para a retomada das vendas no mercado interno.

— Estamos atravessando um período de dificuldade na competição com os rótulos importados nas grandes redes de supermercados, muitos com grandes volumes de importação direta. Tivemos um aumento no mercado de vinhos, mas que está sendo melhor aproveitado pelos importados, que conseguem ser mais competitivos, trabalham com as redes desenvolvendo marcas próprias para elas e ainda partem dos países de origem com preços mais baixos devido a incentivos à vitivinicultura que possuem— explica.


 

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