Calor fora de época prejudica lavouras e comércio em Caxias do Sul - Economia - Pioneiro

Clima14/07/2017 | 08h00Atualizada em 14/07/2017 | 08h00

Calor fora de época prejudica lavouras e comércio em Caxias do Sul

Temperaturas elevadas e preocupação com geada futura leva temor a produtores de pêssego, uva e ameixas

Calor fora de época prejudica lavouras e comércio em Caxias do Sul Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Agricultor Nadir Rossi está com as plantas de pêssegos floridas. Se a geada chegar, vais matar as flores e os pequenos frutos Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS


O cenário é belo e impressiona. Os pessegueiros floridos embelezam os vales no interior de Caxias do Sul. Por trás dele, no entanto, se esconde o temor dos agricultores de que uma forte geada transforme essa paisagem colorida em cinza. Os termômetros estão marcando temperaturas muito elevadas para esta época do ano. Ontem, a máxima ficou ao redor de 22ºC.

Mesmo que grande parte das pessoas esteja satisfeita com o calor fora de época, o comércio e a agricultura estão sendo diretamente afetados. Na localidade de Cerro da Glória, os pés de pêssegos estão revestidos de flores brancas e cor-de-rosa. A pequena fruta já está querendo se mostrar.

— Se a geada chegar, a quebra na produção será inevitável — prevê o produtor Nadir Luiz Rossi.

O agricultor já enfrentou a situação em 2015, quando o calor predominou nos meses de junho e julho. Em agosto, uma forte geada atingiu os pomares e os parreirais. A quebra chegou a 70%. O medo dos agricultores é de que a cena se repita este ano.Rossi tem quatro hectares de pêssego plantados e pretende colher 40 mil quilos da fruta. Se o tempo ajudar. Desses, um hectare e meio é das variedades mais precoces e que já exibem as flores e pequenos frutos. Se o calor persistir, o problema avança para as produções de uva, caqui e ameixa.

— Se isso acontecer, o investimento de R$ 35 mil vai por água abaixo — prevê ele.

O engenheiro agrônomo da Emater Enio Ângelo Todeschini também está preocupado com o veranico – que geralmente acontece em maio.

— A ausência de umidade e as temperaturas elevadas condicionam para o florecimento antecipado, até mesmo em altitudes medianas e variedades precoces —destaca Todeschini.

Segundo ele, além de exigir a intervenção na poda de inverno de forma apressada e que dificulta sua execução adequada, o atual panorama estressa e cria uma atmosfera de preocupação. O plantio de novos pomares também está sendo afetado.

— Para quem já plantou, as mudas requerem suplementação hídrica frequente para não perecerem e os que ainda não implantaram o pessegueiral estão retardando ao máximo a transferência do viveiro para o pomar, sob riscos de perder as mudas por desidratação.

Todeschini informa que as plantações de cebola, alho e arroz também estão sendo prejudicadas. A escassez de chuva e frio, diz, força a suplementação hídrica frequentemente.

— Tratamentos antifúngicos estão sendo aplicados para a prevenção de fitopatias, assim como o controle de ervas espontâneas através da capina química. O transplantio das variedades precoces está sendo suspenso, devido a baixa umidade do solo. Ele informa que, nas áreas destinadas à implantação da cebola crioula, principal variedade produzida na região, os agricultores estão fazendo o pré-preparo dos canteiros, com a incorporação de adubos orgânicos, principalmente a cama de aviário.


Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Comércio também é afetado

O calor fora de época também atinge o comércio caxiense que, apesar da reação em maio, no acumulado dos últimos 12 meses ainda amarga queda e 4,9%. Em um breve passeio pelas lojas da cidade, é possível perceber cartazes com promoções. Os descontos chegam a 50%. Entre os setores mais prejudicados estão as malharias.

 No Serra Shopping Caxias, que reúne malharias e lojas de confecção, a queda nas vendas nas últimas duas semanas chegou a 30%.A administradora do centro comercial, Marli Tonietto, diz que a araras estão cheias de roupas pesadas aguardando o inverno.

— O frio intenso do ano passado fez com que os estoques fossem zerados. Os lojistas se prepararam para um inverno rigoroso. E isso não está acontecendo.

 Segundo Marli, os clientes não estão comprando por dois motivos:– Falta de frio e de dinheiro!A diretora da loja Via Roma, Roberta Guazzelli Rech, diz que o calor surpreendeu os lojistas.

— Estamos preparados para um inverno rigoroso e isso não está acontecendo. Já fizemos várias produções pontuais com até 50% de desconto. Estamos na expectativa da chegada do frio.

Geada prevista para setembro

A Somar Meteorologia não tem boas notícias para os produtores que trabalham com pêssegos, ameixas e uva. No próximo domingo, uma frente fria vai derrubar as temperaturas para abaixo de zero na Serra Gaúcha.

 Na terça-feira, dia 18, há inclusive previsão de neve (leia mais na página ao lado). Desta forma, a temida ocorrência de geada é inevitável, produzindo efeitos nocivos para as plantações.Em agosto, o mês começa seco e com novas possibilidades de geadas.

A chuva retorna na semana do dia 9 de agosto e segue até o dia 20, com temperaturas mais elevadas. Em setembro, na semana entre os dias 10 e 14, uma nova frente fria chega à Serra Gaúcha e com ela novas possibilidade de geadas.


 

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