Estudantes da Efaserra organizam feira para vender produção familiar - Economia - Pioneiro

Feira pedagógica06/06/2017 | 08h00Atualizada em 06/06/2017 | 08h01

Estudantes da Efaserra organizam feira para vender produção familiar

Jovens realizam evento a cada 15 dias, na sede da própria escola

Estudantes da Efaserra organizam feira para vender produção familiar Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Feira tem opções de frutas, legume, verduras e outros artigos coloniais Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Um grupo de estudantes da Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha (Efaserra), em Caxias do Sul, criou uma nova vitrine para os produtos da agricultura familiar da região. A cada 15 dias, 22 jovens de segundo e terceiro anos do ensino médio organizam a própria feira na sede da escola, na Terceira Légua. Para isso, revezam-se nas funções, desde a montagem das bancas até a venda ao consumidor. E, de quebra, fornecem frutas, legumes, verduras e outros artigos diretamente das pequenas e médias propriedades de suas famílias.

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A iniciativa começou a ser realizada no final de abril, como resultado de disciplinas sobre Cooperativismo e Direito e Cidadania ministradas pela escola. Nesse sentido, os próprios jovens foram estimulados a criar uma espécie de associação para gerir a feira. Para os alunos, é a primeira oportunidade de ter uma experiência direta com todas as etapas que envolvem a organização de um evento desse tipo.

– Eu nunca havia tido vivência de feira. É a minha primeira experiência e está sendo incrível – descreve Laura Bossli, estudante do terceiro ano.

Nessa época, Laura costuma trazer pinhão da propriedade de sua família, em São Francisco de Paula. No local, eles também criam gado de corte. Mesmo assim, a atividade primária não é a prioridade para os Bossli. Os pais de Laura não se dedicam exclusivamente ao campo, mas ela pretende fazer da agricultura sua fonte de renda. Assim que terminar o ensino médio, quer estudar Agronomia ou Medicina Veterinária para poder dar mais atenção à área rural.

Venda direta

Érico de Bastiani traz sucos de uva direto da agroindústria de sua família, em Nova Roma do Sul Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O valor das vendas é repassado quase integralmente para os estudantes que trazem os produtos. Apenas 10% do montante vão para o caixa da associação criada por eles. A ideia é, ao final do ano, utilizar esse recurso para fazer alguma ação conjunta, como, por exemplo, uma viagem. Para quem muitas vezes está acostumado a vender para intermediários, a negociação direta com o cliente traz incremento substancial na renda.

– Hoje, um produto seria vendido por R$ 6 (para o intermediário) e ele revenderia a R$ 12. Na feira, eu já tenho o contato direto com o consumidor. Assim, consigo fazer um preço mais justo para ele e para mim – aponta Érico de Bastiani, que traz para venda sucos de uva da agroindústria de sua família.

Bastiani tem convicção de que trilhará o caminho do pai na pequena empresa. Sua intenção é, no futuro, de cursar enologia e seguir trabalhando na propriedade localizada na cidade de Nova Roma do Sul.

Já José Antônio Thiesen, estudante do terceiro ano, começa a analisar a possibilidade de criar a própria agroindústria depois que iniciar sua vida profissional. Sua família tem uma propriedade em Farroupilha, onde planta uva. Hoje, a fruta é toda vendida para intermediários.

– Depois que terminar a escola, penso em fazer enologia, e montar uma agroindústria. Quero vender diretamente para o consumidor. Perdemos muito dinheiro vendendo para o atravessador – constata.

Mesmo com pouco mais de um mês de existência, a feira da Efaserra tem despertado cada vez mais a atenção dos consumidores. Na primeira edição o faturamento foi de R$ 300, valor que subiu a R$ 1,5 mil nas edições mais recentes. 

Escola estimula permanência no campo

Em meio ao crescente êxodo rural, a Efaserra procura estimular a permanência dos filhos de agricultores no campo. Com ensino médio e técnico em agricultura oferecido de maneira simultânea, a instituição tem 76 estudantes vindos de 17 municípios da região. A metodologia utilizada no ensino é a da pedagogia da alternância, pela qual os jovens permanecem uma semana na escola e, na seguinte, vão para a propriedade rural.

Nesse contexto, a criação da feira é mais uma iniciativa da escola para valorizar e dar visibilidade à produção da agricultura familiar da Serra.

– Não só a feira, mas a escola como um todo surgiu da necessidade de combater o êxodo rural e de valorizar o trabalho do campo. O conhecimento que eles (estudantes) têm da terra, do cultivo, não pode ser esquecido – afirma Cláudio Klippel, monitor da escola.

Inaugurada em 2013, a Efaserra é uma das quatro escolas nesse formato no Rio Grande do Sul. As outras ficam em Canguçu, Santa Cruz do Sul e Vale do Sol.

A feira
Onde? A Feira Pedagógia ocorre na Efaserra, que fica na Estrada do Imigrante, 575, na Terceira Légua.

Quando? Ocorre quinzenalmente, na segunda e na terça-feira. A próxima edição ocorre nos dias 12 e 13 de junho, a partir das 17h30min.

O que há para comprar? Abóbora, aipim, alface, banana, bergamota, bolachas caseiras, carambola, cebola, conservas, queijo, laranja, mel, pinhão, salame, suco de uva e outros produtos da agricultura familiar.

 
 

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