Biogás e biometano ainda são pouco explorados no Brasil - Economia - Pioneiro

Energia13/06/2017 | 16h34Atualizada em 13/06/2017 | 16h52

Biogás e biometano ainda são pouco explorados no Brasil

Fórum na UCS debate potencialidades para a produção das energias renováveis no Rio Grande do Sul e no Brasil

Biogás e biometano ainda são pouco explorados no Brasil Roni Rigon/Agencia RBS
Cótica acredita biogás poderia representar 25% de toda a matriz energética brasileira Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

O lixo que você produz na sua residência e os resíduos gerados em atividades agroindustriais são alguns dos elementos que podem se transformar em biogás e biometano, energias renováveis que aos poucos começam a ser exploradas no Brasil. O potencial dessas alternativas está em debate na primeira edição do Fórum Estadual do Biogás e Biometano, que começou hoje, na Universidade de Caxias do Sul (UCS), e será concluído nesta quarta-feira.

O conselheiro administrativo da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás), Maurício Cótica, destaca que, com os resíduos gerados atualmente, o país tem capacidade para produzir 80 milhões de metros cúbicos de biometano ao dia. A maior parte desse montante, 56 milhões, viria dos restos de cana-de-açúcar. Outros 17 milhões saíram dos resíduos com alimentos e outros 7 milhões do saneamento.

Com relação ao biogás, o Brasil poderia produzir 52 bilhões de metros cúbicos ao ano.

- A participação do biogás na matriz energética do Brasil é inferior a 1%, mas tem potencial para chegar a 25% - calcula Cótica.

Para que esse potencial não continue sendo desperdiçado, o dirigente defende o investimento em estruturas para o processamento da energia. No Brasil, algumas plantas de produção de biogás e biometano já estão em operação. Uma das maiores fica no Paraná e foi construída com um aporte de R$ 40 milhões. Hoje, tem capacidade para gerar 7MW (megawatts) de energia.  

No Rio Grande do Sul, uma das iniciativas pioneiras é a da Ecocitrus, de Montenegro. A cooperativa criou uma espécie Gás Natural Veicular (GNV) verde, à base de biometano. Para testar o combustível, abasteceu-se um carro e realizou-se uma viagem até Montevidéu, no Uruguai, utilizando o gás.

A construção de plantas para a fabricação da energia demandará produtos e peças que hoje não se encontram no mercado. Nesse sentido, o coordenador do mestrado em Engenharia e Ciências Ambientais da UCS, Lademir Luiz Beal, acredita que o polo metalmecânico de Caxias do Sul poderia atender à demanda futura para a fabricação de artigos, como bombas e reatores.

Além disso, Beal enfatiza que o Estado possui um vasto potencial para a produção de energia verde.

_ Temos alguns dos maiores rebanhos de gado bovino, de gado leiteiro e de suínos do Brasil, além de termos uma grande de produção de carne de aves. Somos um dos maiores geradores de resíduos do Brasil, resíduos que não são aproveitados atualmente – define Beal.

Panorama internacional

Responsável pela palestra de abertura do fórum, Jules Van Lier, professor da Universidade de Delft, na Holanda, apresentou um panorama global sobre o uso do biogás e do biometano. Segundo o especialista, os países europeus, como Holanda, Alemanha e Bélgica, são os que mais se destacam no momento.

_ A produção ainda representa uma porcentagem pequena de toda a energia, mas está aumentando. O biogás tem uma vasta diversidade para a sua utilização – salienta.

No caso da Alemanha, Lier lembra que existem até subsídios governamentais para incentivar a produção de energias ecologicamente corretas, como o biogás e o biometano. 

Saiba mais

- O Biogás é uma mistura de gases que é gerada a partir da biodegradação de matéria orgânica, pode ser utilizado para a geração de energia elétrica ou térmica. Já o biometano é um tipo de biogás que passa por um processo de purificação, no qual resulta em um combustível com mais de 96% de metano em sua composição, o que permite a utilização por veículos de transporte.

- A UCS, atualmente, desenvolve uma série de projetos de pesquisa sobre a utilização do biogás e do biometano. Há, inclusive, parceria da universidade com a Petrobras voltada para a produção de biogás e também de bio-hidrogênio a partir de glicerol e vinhoto.

 

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