Agências de turismo lamentam adiamento da Festa da Uva - Economia - Pioneiro

Caxias do Sul06/05/2017 | 08h45Atualizada em 06/05/2017 | 08h45

Agências de turismo lamentam adiamento da Festa da Uva

Cerca de 300 turistas do centro do país já tinham pacotes agendados 

Agências de turismo lamentam adiamento da Festa da Uva Roni Rigon/Agencia RBS
Agências já chamavam clientes ao próximo evento. Em 2016 (foto), público foi superior à 900 mil pessoas Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A ausência da Festa da Uva no início do próximo ano mexe com todos os setores da economia. Mas os representantes do turismo ouvidos pela reportagem são os mais contrários à decisão. Para o presidente regional da Serra da Associação das Agências de Turismo (Abav), Milton Corlatti, por ser um período de férias e de início de retomada do ano, a Festa sempre trouxe um respiro para a economia da região.

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– No momento em que nossa matriz econômica (metalmecânica) vive sua pior crise e está inoperante, o turismo poderia ser alavancado por meio do evento – diz Corlatti.

E declara:

– As pessoas que decidiram pelo seu adiamento não sabem fazer a Festa. Ela poderia ser realizada sem a participação da prefeitura, pois a última edição deixou vários projetos encaminhados. 

Para as agências que trabalham com receptivo, o adiamento já está sendo sentido no caixa. A Arte e Turismo já tinha pré-agendados três grupos do centro do país que viriam para a Festa da Uva 2018. São cerca de cem pessoas que devem deixar de visitar Caxias do Sul no ano que vem. Segundo o proprietário, Jacson Antônio Papi, a perda vai ultrapassar os 50% de faturamento da agência.

– Em abril, já tínhamos cotação para a Festa – lamenta Papi. 

Na Farrapo Travel Viagens Turismo, o prejuízo é ainda maior. Cerca de 200 turistas do Rio de Janeiro já estavam pré-agendados para vir à Serra no período tradicionalmente previsto para a Festa da Uva. A agência já estava em negociação com outras 800 pessoas de diversos Estados brasileiros. A proprietária da Travel, Gisela Wagner Rodrigues, não se conforma com o adiamento.

– A cidade vai ficar desacreditada. E descrédito significa sucateamento. Ou seja, vai ser difícil recuperarmos a credibilidade – lamenta.

Ela diz que a Festa já foi divulgada em eventos do país, como um festival de João Pessoa.

– Não podemos perder o que já marcamos lá fora. A comissão não pensou nisso? Temos um alto custo para trazer os turistas. O transporte aéreo e a hospedagem pedem sinal. Já pagamos cerca R$ 10 mil e esse dinheiro não vai voltar – reclama.

Hotéis fazem as contas da transferência

No período da Festa da Uva, a ocupação dos hotéis fica com uma média de 85% de ocupação, segundo o presidente do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria Região Uva e Vinho (Segh), João Leidens. Nos demais meses do ano, esse índice não chega a 50%. Se a média da diária for de R$ 200, o setor, que conta com 3,3 mil leitos, vai empurrar em um ano o faturamento de R$ 560 mil por dia – ou cerca de R$ 11 milhões no período da Festa.

O professor universitário e especialista em turismo de eventos Valmir dos Santos lembra que o setor hoteleiro é apenas um dos cerca de 90 segmentos que, direta ou indiretamente, beneficiam-se da demanda gerada por um evento do porte da Festa da Uva. Ele destaca que a realização não traz prejuízo financeiro, já que o fluxo de turistas gera receitas expressivas.

– Na Festa passada, conforme os organizadores, vieram mais de 300 mil turistas. Esse turista gasta, em média, entre R$ 420 e R$ 530 por dia, com hospedagem, alimentação, ingressos, compras – analisa.

A presidente da Associação dos Guias de Turismo da Serra Gaúcha, Francisca Morgan, lamenta o adiamento, pois Caxias já está inserida no cronograma de festas do país. 

– É um retrocesso. Uma comissão não pode ter o poder de definir o cancelamento de uma festa que é da cidade. É uma decisão unilateral – estima a presidente Francisca.

No turismo
- Mais de 50 guias turísticos deixarão de ser contratados.
- 300 turistas do centro do país já estavam pré-agendados para visitar a Festa da Uva.
- Um turista gasta, por dia, em média, entre R$ 420 e R$ 530 na cidade e na região.
- A média de ocupação dos hotéis durante o evento é de 85%
- A estimativa é de que os hotéis deixem de faturar R$ 11 milhões em 2018, no período da festa.


 
 

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