Indústria de Caxias do Sul aposta na recuperação da economia - Economia - Pioneiro

Economia20/04/2017 | 09h57Atualizada em 20/04/2017 | 09h57

Indústria de Caxias do Sul aposta na recuperação da economia

Apesar dos números negativos, cenário do primeiro trimestre aponta para a recuperação da economia

O objetivo era apresentar as perspectivas econômicas para 2017. No entanto, o que se viu no auditório da CIC Caxias do Sul foi uma aula de economia, principalmente na área da indústria. Comandado pelo Simecs, o seminário Perspectivas Econômicas 2017 levou para o palco feras no assunto e que atuam nas maiores empresas do setor metalmecânico.

O presidente do Simecs, Reomar Slaviero, abriu o encontro com os números de Caxias. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento da indústria amargou queda de 7,99%, em relação ao mesmo período de 2016. Se a soma for dos últimos 12 meses, o tombo supera os 17%.

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Houve uma variação positiva de fevereiro para março, puxada principalmente pelo setor automotivo, que cresceu mais de 30%. A previsão é de que 2017 fature R$ 10,4 bilhões – queda de 20, 9% em relação a 2015. Em 2016, o faturamento foi de R$ 11,3 bilhões.Por outro lado, o emprego no setor não crescia desde 2013. O primeiro trimestre criou 839 vagas. Em 2016, a redução foi de 10%, com fechamento de 3,7 mil postos. Nos últimos três anos, foram 17,5 mil a menos.

'Estamos numa maratona'

O COO (diretor de operações) das empresas Randon, Alexandre Gazzi, foi enfático:

— Estamos produzindo com os custos atuais (mão de obra + aços + insumos), com os preços médios de quatro anos atrás e os volumes de 15 a 20 anos. É fácil? — questiona.

A crise, segundo ele, obrigou a empresa a fazer ajustes audaciosos.

— Desmobilizamos, seguramos investimentos e focamos no caixa. Tentamos nos reorganizar para um novo momento e modelo de negócios — declara.

Ele informa que a ociosidade da indústria de caminhões e ônibus está em 75%. Em automóveis e autopeças, a ociosidade chega a 50%.

— São patamares elevados. Ele conta que, quando as empresas se deram conta, a crise já imperava no mercado.

— Já estávamos no precipício. Ninguém estava prevendo uma crise tão aguda. Nós estamos em uma maratona e não em uma corrida de 100 metros — anuncia Gazzi.

'Agora, chegou a hora de subir'

— De fato, chegamos ao fundo do poço e não vamos descer mais. Agora é começar a subir.

A frase do economista do departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Constantin Jancsó, repercute em todos os setores caxienses.

Jancsó se embasa em vários dados para garantir que "não vamos mais cair". A China, por exemplo, não está mais crescendo de forma tão acelerada. Está em 7% ao ano. Já chegou a 10%. Isso significa que a importação de produtos chineses vai diminuir. Para 2017, segundo ele, o PIB vai crescer 0,3%.

— É pouco, mas é um número preto e não mais vermelho. Além disso a produção industrial está andando de lado e não mais para baixo. A inflação está despencando.

— Com isso, o espaço para cortar juros é gigante – garante Jancsó.

Agricultura familiar

Para quem atua no agronegócio, a crise está mais amena.

— O mundo tem fome e precisa comer — diz o diretor da área comercial da Agrale, Edson Martins.

Ele tem razão. A previsão na produção de grãos este ano é de chegar a 227 milhões de toneladas, 21,7% a mais que na safra passada. A Agrale atua, entre outros segmentos, na fabricação de tratores. O diretor da empresa prevê a produção de mais de 42 mil unidades no mercado nacional. Em 2016, foram menos de 36 mil unidades.

— A agricultura familiar é uma das potências do país. Este ano, a produção vai ser recorde e vai ajudar a reduzir os índices negativos da economia brasileira — assegura Martins.

Mercado rodoviário

A produção de ônibus no Brasil também caiu mais de 50% nos últimos três anos. Mas, para este ano, a projeção do diretor comercial e de marketing da Marcopolo e vice-presidente da Fabus, Paulo Corso, é de crescimento. Tímido, mas é um recomeço.

— Não tem como o setor da mobilidade não crescer. Os países pobres precisam de ônibus. Portanto, é um negócio que vai gerar fabricação de ônibus — destaca Corso.

Em 2016, a produção foi de 9.869 unidades. Para 2017, a projeção é de 10.030 — um crescimento de 1.6%, mesmo assim significativo. A falta de linhas de crédito foi apontada por todos os empresários como o principal entrave para o desenvolvimento da indústria. Os precários investimentos em infraestrutura urbana também influenciam.

— Em 2018, queremos estar muito mais competitivos — prevê o diretor da Marcopolo.


 
 

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