Caxias do Sul e Vacaria estão entre as que mais criaram vagas de trabalho no país - Economia - Pioneiro

Emprego06/04/2017 | 20h52Atualizada em 06/04/2017 | 20h52

Caxias do Sul e Vacaria estão entre as que mais criaram vagas de trabalho no país

Números são de janeiro e fevereiro deste ano

Caxias do Sul e Vacaria estão entre as que mais criaram vagas de trabalho no país André Tajes/Agência RBS
Cintia Buzin afirma que a retomada dos negócios já é uma realidade para o ano de 2017 Foto: André Tajes / Agência RBS

Dois dos cinco municípios que mais geraram emprego no país em 2017 estão localizados na Serra Gaúcha. No topo da lista está Vacaria, com saldo positivo de 5.231 vagas, entre admissões e demissões, em janeiro e fevereiro. Caxias aparece na quinta posição, com 1.971 oportunidades de emprego criadas a mais do que as fechadas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged. Os números de janeiro e fevereiro apontam para uma recuperação tímida da economia, e os dois municípios da região despontam na frente entre os 5.570 municípios brasileiros.

O setor metalmecânico de Caxias, responsável pela demissão de mais de 20 mil trabalhadores nos últimos três anos, mostra um aquecimento, com a consolidação de 1.121 vagas de trabalho. Os setores de serviços e da construção civil mostram um acanhado crescimento, respectivamente, com 245 e 70 novas vagas. O pior desempenho é no comércio, que apresenta um saldo negativo – fechamento de 71 vagas no mesmo período.

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O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), Reomar Slaviero, considera que as vagas abertas demonstram um sinal positivo e o início do crescimento. Ele adota um discurso de cautela sobre a recuperação das vagas fechadas.– Esperamos que isso continue.

Reomar afirma que as demissões em grande número pararam, mas que o movimento de contratações e desligamentos continua.

– Outras (empresas) só não demitiram ainda por falta de recursos para pagar os direitos trabalhistas.

Ponderado, Reomar comenta que a retomada dos negócios na indústria em Caxias depende de uma política pública de licitações, de renovação de frotas e financiamentos para novos investimentos.

– Ainda é cedo para dizer que as coisas estão melhorando. Temos que ir com calma – pondera Reomar.

Metalúrgica estima um crescimento de receita acima de 20%

Para a diretora da Metalúrgica Buzin, Cintia Buzin, a retomada dos negócios já é uma realidade para o ano de 2017. Segundo ela, a empresa deve contratar 10 funcionários até o final do ano e prevê um crescimento de receita acima de 20%. Nos dois primeiros meses do ano, seis trabalhadores foram admitidos e outros quatro serão incorporados até dezembro.

As contratações específicas fazem parte do planejamento da empresa e estão baseadas nas vendas confirmadas para este ano. As admissões vão suprir as demandas de departamentos que ficaram desassistidos após as demissões que ocorreram há dois anos. Em 2015, a empresa tinha cerca de 90 funcionários. Hoje, são 55, e a estimativa é de chegar a 60 trabalhadores.

– Não fizemos contratações por impulso ou pelo feeling. Foi algo concreto e muito planejado, em cima de números reais. A gente tem números concretos, e a maioria dos meus clientes já está sinalizando que é possível crescer acima de 20% no ano – frisa Cintia.

A empresária informa que a recuperação da empresa iniciou-se a partir do segundo semestre do ano passado, com um crescimento de 17%. Cintia revela que o incremento nas vendas é resultado de uma série de ações, como diversificação do mercado, redução de custos e preços mais competitivos.– Buscamos clientes fora do Rio Grande do Sul. 90% da minha venda era no Estado. Temos um preço de venda mais aceitável no mercado e conseguimos uma fatia maior.

Antes da crise, a estratégia da Buzin era dividir a produção em 20% para cada um dos cinco segmentos de atuação: automotivo, rodoviário, óleo dinâmico, agrícola e outros (linha branca, linha amarela e setor moveleiro). Com o mercado de usinagem da linha agrícola aquecido, a empresa apostou e, hoje, o segmento representa mais de 50% da produção da metalúrgica.

Apesar dos números positivos, a Buzin ainda tem um potencial de crescimento de 40% em termos de receita e de capacidade produtiva, somente com a ampliação de turnos de trabalho e de horas-extras. A nova realidade já sinaliza para investimentos no parque fabril, diz Cintia.

Em Vacaria, contratações são sazonais

Diferentemente de Caxias, as contratações em Vacaria são sazonais devido à colheita da safra da maçã. Das 5.231 vagas abertas a mais do que as fechadas neste ano, 5.077 foram no setor da agropecuária. Apesar do número expressivo, no mesmo período do ano passado Vacaria havia aberto 5.528 vagas – o que representa uma queda de 8% nas oportunidades de emprego.

O presidente da Câmara da Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços de Vacaria, Paulo Vasques, confirma a característica das vagas de trabalho abertas neste período do ano. Segundo ele, o grande volume de contratações está relacionado à colheita da maçã, que necessita exclusivamente da mão de obra dos trabalhadores.

– Vacaria sempre vai figurar entre as que mais contratam no início do ano e as que mais demitem no final da colheita.

Com a economia voltada predominantemente para o agronegócio, Vasques diz que o reflexo da crise econômica chegou mais tarde em Vacaria comparado com municípios que têm a base da economia na indústria de transformação, como é o caso de Caxias.

– Demoramos um pouco mais em função da agricultura estar forte. Estamos começando a sair do fundo do poço.

Para Vasques, a retração da economia ocorreu devido ao aumento da taxa de juros e também ao parcelamento dos salários dos servidores estaduais, refletindo nos setores do comércio e nos serviços.

 

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