'Acredito numa melhora na atividade econômica ao longo do ano', diz Ricardo Amorim - Economia - Pioneiro

Caixa-Forte25/04/2017 | 06h32Atualizada em 25/04/2017 | 06h32

'Acredito numa melhora na atividade econômica ao longo do ano', diz Ricardo Amorim

Economista e um dos debatedores do programa Manhattan Connection, da GloboNews, estará na Serra nesta terça-feira para palestra

'Acredito numa melhora na atividade econômica ao longo do ano', diz Ricardo Amorim Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Expansão de crédito e confiança puxarão setores, aposta economista Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Para esmiuçar os rumos e as perspectivas da economia brasileira, o Centro Empresarial de Flores da Cunha traz à Serra, nesta terça-feira à noite, no Clube Independente, Ricardo Amorim, renomado economista e uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil, segundo a revista norte-americana Forbes.

Em entrevista à coluna Caixa-Forte, um dos debatedores do programa Manhattan Connection, da GloboNews, e colunista na revista IstoÉ analisa os entraves e os desafios da conjuntura brasileira.

Caixa-Forte: Quais as perspectivas da economia brasileira para 2017?
Ricardo Amorim:
O crescimento da economia brasileira em 2017 vai ser muito baixo, isso é o mais provável, mas na melhor das hipóteses, pois também corre até o risco de ser ligeiramente negativo. Só que esse número do crescimento não vai refletir o que realmente está acontecendo na economia (em função da forma de cálculo). O que acredito que vai acontecer é uma melhora na atividade econômica ao longo do ano, puxada pela expansão de crédito e de confiança. A confiança vem melhorando, a inflação caindo vem derrubando a taxa de juros, esse movimento deve continuar, o que gradativamente deve levar os bancos a voltarem a emprestar. A medida que isso acontece, com mais crédito, a gente tem mais consumo, mais investimento, mais geração de emprego e mais crescimento.

O que o país precisa para entrar nos trilhos e voltar a crescer?
Primeira coisa que o Brasil precisa fazer para voltar a crescer é afastar completamente as preocupações com relação à solvência do governo. E como se faz isso? Cortando os gastos do governo. Como é que se consegue cortar os gastos do governo? A principal medida, disparada, é a Reforma da Previdência. Além disso, há uma série de outras medidas, que mais importantes do que gerar recuperação econômica, vão criar condição para que essa recuperação seja sustentada e mais forte. São medidas ligadas à produtividade, em particular. A gente precisa ter uma reforma trabalhista, que, aliás, já existe o projeto, precisa ter uma reforma tributária e precisa ter uma série de medidas que reduzam a burocracia no Brasil. Em paralelo, precisamos de mudanças regulatórias que ajudem a estimular investimentos em infraestrutura e redução de custos associados a transporte e energia, que também aumentam a competitividade.

Quando virá o retorno da geração de empregos?
Eu só esperava que a geração de empregos voltasse a superar a destruição de empregos, em outras palavras, que o total de empregos novos fosse maior do que o total de demissões, no segundo semestre deste ano. Mas, para minha surpresa, isso já aconteceu, para a economia brasileira como um todo, pelo menos nos casos dos empregos formais, em fevereiro. Isso já ocorreu na indústria de São Paulo, mesmo na indústria de outros Estados, como Santa Catarina, desde janeiro. Então, aparentemente a resposta do mercado de trabalho no Brasil à perspectiva de recuperação está vindo antes até mesmo do que eu, que provavelmente estou entre os mais otimistas com a economia brasileira, imaginava. Tomara que isso se sustente. Mas, por outro lado, não vou ficar nem um pouco surpreso caso tenhamos nos próximos meses números menos favoráveis, e tenhamos uma retomada mais sustentada, mais firme, só a partir do segundo semestre, que era a minha expectativa inicial.

Como avalia o cenário brasileiro diante da economia mundial?
No curto prazo, os sinais mais recentes da economia mundial têm sido positivos. Temos visto uma aceleração do crescimento global, e isso é bom para todos. Um dos reflexos é que, na maioria dos preços das commodities internacionais que o Brasil exporta, tivemos uma elevação de preço, e isso ajuda na recuperação da economia brasileira. Agora, há uma série de riscos importantes, entre os quais parece ter crescido muito o risco de eventuais conflitos bélicos, o que pode ter impactos negativos na economia mundial. Temos ainda algumas bolhas que em algum momento podem vir a estourar, tanto uma bolha de crédito quanto imobiliária na China, uma bolha acionária nos Estados Unidos, e tem todo o processo político da Europa, que também gera uma série de riscos e incertezas.

De que forma a instabilidade política contamina os negócios?
O Brasil entrou num ciclo vicioso, em que a economia ruim piorava o cenário político, que piorava a economia, que piorava o cenário político. O que tem de recente é que, claramente, as incertezas políticas enormes e os muitos problemas ligados à corrupção que parecem não parar de pipocar ainda minam a confiança no país e fazem com que o crescimento econômico seja ainda mais fraco. Mas, apesar disso tudo, conseguimos ter uma melhora substancial das contas externas, a balança comercial brasileira este ano terá o maior superávit da história, a inflação despencou. Está faltando um ajuste só, que é o das contas públicas, para que a economia esteja nos eixos, e isso acontecendo, mesmo com os problemas políticos, teremos uma recuperação econômica.

Que conselhos você daria aos empresários neste momento em que o horizonte continua nebuloso? A curtíssimo prazo, a primeira coisa que todos os empresários precisam fazer é cuidar com muito carinho do caixa de suas empresas. A curto prazo, a economia continua difícil, as vendas continuam complicadas, os resultados da maioria das empresas têm sido muito aquém do que os empresários gostariam, o que significa que, para não ter problemas, é necessário manter os gastos sob controle. Só que isso tem de ser feito com uma ótica de um prazo um pouco mais longo. O que significa? A economia está difícil agora, mas vai melhorar ao longo deste ano e deve melhorar bem mais ao longo do ano que vem. E, para poder aproveitar essa melhora, as empresas têm de manter os custos hoje sob controle, mas sem perder as características que vão permitir que elas cresçam dali para frente. Elas têm de segurar custos, mas, ao mesmo tempo, estar inovando, estar investindo em produtos, processos, serviços melhores, para serem competitivas e aproveitarem essa puxada de economia, quando ela vier, porque a maior parte das companhias hoje não está fazendo isso. As empresas que estiverem preparadas para a recuperação econômica terão oportunidades muito maiores e melhores.

 
 

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