Área central de Caxias tem 1,5 mil salas vazias - Economia - Pioneiro

Imóveis vazios22/02/2017 | 07h54Atualizada em 22/02/2017 | 07h54

Área central de Caxias tem 1,5 mil salas vazias

Essa é a estimativa de espaços disponíveis para locação. Número de lojas fechadas cresce a cada dia

Área central de Caxias tem 1,5 mil salas vazias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Este é o cenário nas principais ruas do Centro. Na foto, as salas disponíveis na Rua Marquês do Herval Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS



Os reflexos da crise não param de despontar para complicar ainda mais a vida dos caxienses. Desta vez o assunto é a locação de imóveis comerciais e o fechamento de lojas. Pelo menos 1,5 mil salas na área central da cidade estão disponíveis para ocupação.

— É a primeira vez que o mercado de imóveis vive uma crise tão amarga e dura de engolir. Nunca tivemos tantos imóveis disponíveis — lamenta a diretora da Imobiliária Grazziotin, Karla Grillo Grazziotin.

Imóveis comerciais são o filão de negócios da imobiliária. Segundo Karla, somente de salas térreas, o número passa de 500. Quando o assunto são espaços aéreos, o número triplica. Isso porque envolve, além do aluguel, o condomínio.

— Temos prédios inteiros desocupados — ressalta.Para os que ainda permanecem nos imóveis, a opção é a renegociação do valor do aluguel. Até mesmo espaços alugados pelo poder público estão na barganha de descontos.

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A Associação das Imobiliárias de Caxias do Sul (Assimob) não tem números de imóveis disponíveis. O presidente da entidade, Fernando Gonçalves dos Reis, revela que houve redução de 5% nos valores em relação a 2015.

 É o momento de apresentar iniciativas. Caso contrário predominarão grades abaixadas no cenário, a exemplo da foto acima. 


2,5 mil lojas fechadas nos últimos três anos

O comércio é uma das principais razões de haver tantos imóveis vazios. Segundo o Sindilojas, pelo menos 2,5 mil lojas fecharam as portas nos últimos três anos. Dados divulgados em janeiro pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) apontam que, em 2016, praticamente todos os setores fecharam no vermelho. O único que ficou no azul foi o de implementos agrícolas.

Na soma total, o comércio fechou com queda de 11,11%. Nos últimos três anos, o comércio e os serviços fecharam 2,4 mil postos de trabalho em Caxias.

Uma das mais tradicionais lojas de calçados da cidade se obrigou a encerrar as atividades em dezembro passado. A Couro 10, na Júlio de Castilhos quase esquina com a Visconde de Pelotas, foi ponto de referência na compra de calçados.

A crise, com juros altos e despesas cada vez maiores, obrigou o dono, Ivaldino Ernesto Smiderle, a fechar as portas. Com cinco funcionários, chegou ao ponto de não ter dinheiro para pagar as rescisões dos funcionários.

— Agora, tenho que vender imóveis para pagar as dívidas. Deveria ter fechado as portas antes — desabafa.

Ontem de manhã, a loja Pittol Calçados, ao lado do Estrela, recolhia os últimos pedaços de madeira.


Qual será o futuro das lojas Fedrizzi

Loja localizada em espaço nobre, está com as vitrine forradas de papel desde novembro do ano passado Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Quem circula pela esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Rua Garibaldi, no centro de Caxias, ainda toma um susto. A Fedrizzi, tradicional loja de moda e uma das mais antigas da cidade, está com as portas fechadas e com as vidraças forradas de papel.

O que aconteceu com esta loja, que além de estar localizada em um ponto nobre, exibia nas vitrines roupas lindas para todos os públicos? As portas foram fechadas no final de 2015. Em abril de 2016 (após quatro meses fechada), a Fedrizzi reabriu reformulada e com foco no mercado do frio, com dezenas de opções de casacos, blazeres e capas.

A loja permaneceu aberta até novembro, mas voltou a fechar.Os proprietários não falam sobre o assunto.O futuro da marca ainda é incerto, mas o histórico de dificuldades financeiras e a baixa nas vendas é conhecido pelo setor.

Em novembro de 2016, 12 ex-funcionárias, demitidas em outubro, protestaram em frente à loja, reivindicando o pagamento das verbas rescisórias e de três meses de salários atrasados.A torcida é para que a loja volte a engrenar e gerar empregos.


 
 

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