Greve dos auditores da Receita Federal traz prejuízos à economia da Serra - Economia - Pioneiro

Comércio internacional03/11/2016 | 09h08Atualizada em 03/11/2016 | 09h08

Greve dos auditores da Receita Federal traz prejuízos à economia da Serra

Parada parcial impacta especialmente empresas importadoras

Greve dos auditores da Receita Federal traz prejuízos à economia da Serra Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Demora em Caxias é menor do que no Porto de Rio Grande, mas também prejudica o fluxo de mercadorias.  Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Com a retração intensa no mercado interno, muitas empresas da Serra estão recorrendo ao comércio internacional para movimentar os negócios, seja por meio das exportações ou das importações. Nas últimas semanas, porém, os reflexos da greve parcial dos auditores da Receita Federal vêm se intensificando, trazendo assim prejuízos para as companhias que costumam fazer negócios no Exterior.

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Em Caxias, na Estação Aduaneira (Porto Seco da Serra Gaúcha), o problema maior ocorre especialmente na chegada, ou seja, no desembarque das mercadorias importadas. Conforme Mauro Vencato, que é diretor do Porto Seco e de Negócios Internacionais da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC), parte dos funcionários trabalha dois dias por semana (nas segundas e sextas) e outra parte vêm em três dias (segundas, quartas e sextas) atualmente:

— Quando chega uma carga na terça, por exemplo, que precisa de alguma atividade do pessoal que só vem nas sextas e segundas, existe essa demora. Não temos como dimensionar em valores, mas certamente está havendo prejuízos em função do atraso. É complicado porque já estamos em um momento de falta de fôlego na economia e esse tipo de travamento certamente piora o cenário — analisa Vencato.

O despachante aduaneiro Jeancarlo Zaccani, da Adimex, explica que as importações caem em um dos três canais ao chegar no Brasil: verde, amarelo e vermelho. No primeiro, a liberação é automática. Já no amarelo e no vermelho, é necessário a atuação de um fiscal, pois a carga pode demandar conferências de documentação e até mesmo física.

— Em Caxias, há um atraso, mas ele até é aceitável. A espera fica dentro de cinco ou seis dias, quando antes era de dois ou três dias. O problema maior é no Porto de Rio Grande e muitas empresas da Serra utilizam aquela estrutura. Nesse caso, a demora para liberação ultrapassa 40 dias em algumas situações, quando antes era sete ou oito dias — relata Zaccani.

Um dos prejuízos que o atraso gera é o aumento com custos de armazenagem para a carga retirada. A diária no Porto de Rio Grande chega a US$ 80 , segundo Zaccani:

— Isso sem falar no prejuízo comercial, porque a empresa atrasa o pedido e assim corre o risco de perder clientes — alerta.

Assim como em Caxias, o impasse maior em Rio Grande fica por conta das importações, já que as exportações ganham prioridade de atendimento.

Paralisação parcial já dura quatro meses

O impasse entre governo e funcionários da Receita Federal já dura cerca de quatro meses (as paralisações começaram em julho). A reivindicação é pelo reajuste de 21,3% em quatro anos, além de um bônus de R$ 3 mil. Em março, esse acordo foi fechado com o governo, mas o projeto de lei que regulamenta o aumento não foi adiante.

Nesta semana, a CIC de Caxias divulgou nota manifestando preocupação com a situação. Nelson Sbabo, presidente da entidade, destacou que "a economia brasileira já está tão combalida, e esta situação de greve impacta ainda mais o faturamento das empresas que dependem de mercadorias importadas para comercializar no mercado interno ou no exterior".

Sbabo ressalta que o mercado internacional é extremamente competitivo e o não cumprimento de prazos pode ser determinante para a perda de espaço. A CIC não descarta recorrer a medidas judiciais para assegurar a liberação das cargas retidas se o problema se intensificar.

 
 

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