Dissídios fechados em Caxias neste ano não superam inflação - Economia - Pioneiro

Reajustes05/10/2016 | 07h06Atualizada em 05/10/2016 | 07h06

Dissídios fechados em Caxias neste ano não superam inflação

Crise econômica e INPC alto impedem convenções coletivas de fecharem com aumento real

Dissídios fechados em Caxias neste ano não superam inflação Roni Rigon/Agencia RBS
Os metalúrgicos fecharam o dissídio com a reposição inflacionária parcelada em três vezes Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Além da contínua ameça de desemprego e do corte geral de horas extras, os trabalhadores estão tendo de conviver com outro problema em tempos de retração econômica. A maioria das convenções coletivas estão sendo fechadas sem aumento real, enquanto algumas nem mesmo cobrem a inflação do período. A defasagem nos salários é reflexo direto da ociosidade das empresas, da queda no consumo e também da alta crescente do Índice Nacional de Preços aos Consumidor (INPC), que é o número inflacionário que norteia os dissídios.

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Um balanço realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que apenas 24% dos reajustes no primeiro semestre de 2016 resultaram em aumentos reais. Já os abaixo do INPC representam 39%, e os de valor igual à inflação contabilizaram 37%. A pesquisa analisou 304 negociações de setores como indústria, comércio e serviços.

Na Serra, em pesquisa do Pioneiro com algumas das principais categorias profissionais (veja quadro abaixo), nota-se que a maioria das negociações resultou na reposição da inflação integral. Aumentos reais, porém, praticamente não foram registrados no levantamento.

Silvio Frasson, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Caxias do Sul (Sindicomerciários), relata que das 10 convenções coletivas que a entidade representa, nove foram encerradas com o índice da inflação do período. Uma ainda está em andamento. O fato é considerado uma conquista diante de tantas negociações que sequer cobrem as perdas com a inflação:

— Todos os aumentos do dia a dia giram em torno da inflação: aluguel, alimentação, vestuário. Então, quando não se consegue essa reposição, o trabalhador perde poder aquisitivo. Sem essa capacidade de consumo, a economia simplesmente não gira. Entendemos, sim, que existe uma crise, que aumento real é complicado, mas a inflação é necessária — analisa Frasson.

Segundo o levantamento do Dieese, o setor de serviços foi o que registrou o maior número de negociações abaixo da inflação no país: 44%. Mas também foi o que teve mais convenções acima do INPC, com 27%. Já a indústria registrou o maior número de dissídios com valor igual à variação do INPC, em um total de 46%.

Reajustes parcelados são tendência

Prática pouco utilizada em outros anos, os reajustes parcelados apareceram com força em 2016. A pesquisa do Dieese aponta que 25% das convenções coletivas analisadas serão pagas em duas ou mais parcelas.

Esse é o caso da principal classe trabalhadora de Caxias do Sul. Os metalúrgicos fecharam o dissídio com a reposição inflacionária parcelada em três vezes (4% de junho a setembro, 2,5% em outubro e novembro, e o restante da inflação a partir de dezembro, fechando assim 9,82%).

— Já havíamos parcelado o reajuste do outro ano também. A medida é importante porque preserva um pouco o caixa das empresas e também resulta em manutenção de emprego — analisa Getulio Fonseca, diretor do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs).

Conforme o executivo, já são mais de 20 mil postos fechados no setor desde o início da crise. Para 2016, Fonseca relata que a expectativa do setor é fechar o ano com faturamento de R$ 11,5 bilhões, número que é cerca de 50% menor ao que era faturado antes da retração.

Na Serra
Como ficaram os dissídios das principais categorias da região

::: Trabalhadores metalúrgicos
Reposição da inflação no período (9,82%), mas de forma parcelada (4% de junho a setembro, 2,5% em outubro e novembro, e o restante de 3,32% a partir de dezembro). O trabalhador receberá, portanto, a inflação integral por metade do período (6 meses). Antes disso, porém, já conta com alguns percentuais de aumento. A data-base do dissídio é 1º de junho.
:: Trabalhadores do comércio
Reposição da inflação no período (9,49%). Data-base do dissídio é 1º de julho.
:: Trabalhadores de supermercados
Reposição da inflação (9,49%). Data-base do dissídio é 1º de julho.
:: Trabalhadores atacadistas e atacadistas de madeira
Reposição da inflação (9,49%). Data-base do dissídio é 1º de julho.
:: Trabalhadores do setor de farmácias, funerárias e atacadista de álcool e bebidas
Reposição da inflação (9,49%). Data-base do dissídio é 1º de julho.
:: Trabalhadores nas indústrias da construção civil
Reposição da inflação (11,08). Data-base do dissídio é 1º de março.
:: Trabalhadores do setor de plástico
Dissídio deste ano ainda não foi negociado porque a data-base é 1º de novembro. Na última convenção, realizada no final do ano passado, reajuste foi de 10%. O índice é um pouco abaixo da inflação do período, que era de 10,33%.
:: Trabalhadores de hotéis, restaurantes, bares e similares
Reajuste de 11,50% para salários de até R$ 1.666,50 e reajuste parcelado de 11% (sendo 9% até agosto e 2% a partir de setembro) para os demais. Data-base do dissídio é 1º de março e inflação do período é de 11,08%. No geral, portanto, houve reposição de inflação sem aumento real.

fonte: Sindicomerciários, Simecs, Sinduscon, Simplás, Segh Região Uva e Vinho

 
 

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