Com matriz econômica variada, Farroupilha ameniza impactos da crise - Economia - Pioneiro

Desenvolvimento13/10/2016 | 07h06Atualizada em 13/10/2016 | 07h07

Com matriz econômica variada, Farroupilha ameniza impactos da crise

Município ensina que planejamento e diversificação setorial podem diminuir retração

Com matriz econômica variada, Farroupilha ameniza impactos da crise Jonas Ramos/Agencia RBS
Diferentemente de outras cidades, área central de Farroupilha quase não conta com salas vazias. Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS

Passar imune pela crise forte (e longa) que o país vem enfrentando é tarefa praticamente impossível para qualquer município. Algumas cidades, porém, sentem menos impactos da retração geral do que outras, como é o caso de Farroupilha. A taxa de empregabilidade do município apresenta leve queda neste ano, de 0,78%, apontam dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Vizinhas como Caxias do Sul e Bento Gonçalves, por exemplo, registram baixas mais expressivas, de 2,37% e 1,86%, respectivamente, no período.


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A diversidade econômica, acredita Cladir Bono, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Farroupilha (Sindilojas), é um dos fatores que ameniza os reflexos da crise. Diversos ramos — como o metalúrgico, o plástico e o malheiro — contam com relevante participação em empregos e na arrecadação de impostos:

— Farroupilha tem o privilégio de ter a economia bem diversificada. O que Caxias está passando agora, de ter uma crise intensa em função da dependência de um só setor (no caso o metalmecânico), Farroupilha passou quando a Grendene foi embora. Foram sete mil postos fechados. Isso nos ensinou a proliferar os ramos, o que é muito importante em tempos de retração geral. A monoeconomia é perigosa — alerta Bono.

O inverno de temperaturas baixas e constantes (ao contrário dos anos anteriores) também estimulou bons resultados em 2016. Segundo Bono, o comércio farroupilhense contabilizou resultados positivos em maio, junho e julho, com os shoppings sempre lotados de turistas. Nos demais meses, o desempenho "tem parado de piorar":

— O desafio atual de Farroupilha é fazer o turista ficar mais de um dia, estimular ele a dormir na cidade. A quantidade de movimentação já é ótima, uma das melhores do Estado, porque contemplamos o turismo religioso (no Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio), o de compra (nos shoppings de atacado e varejo) e o de interior (no Salto Ventoso) — enumera Bono.

Novos negócios — A desburocratização para os empreendedores é apontada por Fabiano Piccoli, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Farroupilha, como um dos motivos para a cidade seguir contabilizando crescimento nos novos negócios, apesar da baixa no mercado. O município é palco, há 10 meses, da Sala do Empreendedor, iniciativa que reúne em um mesmo espaço praticamente todos os processos para abrir uma empresa:

— Abrimos 1,4 mil novos negócios nos últimos 10 meses, o que é uma alta de 40% em relação à média anterior. Com a Sala do Empreendedor, 90% das novas empresas são abertas em até 48 horas — explica.

Piccoli cita ainda as mudanças no Plano Diretor da cidade como estímulo direto para o empreendedorismo e para a atração de marcas de fora. Com as alterações dos últimos anos, ficou mais fácil abrigar empresas, já que algumas restrições de instalação foram flexibilizadas.

PERFIL
População: 68.030 habitantes
Área total: 359,30 km² (sendo 40,32 km² na área urbana e 318,98 km² na área rural)
PIB: R$ 1,92 bilhão (PIB per capita é de R$ 29,68 mil)
Shoppings com vendas no atacado e no varejo: 7
Hotéis: 6 (o número de motéis também é 6)Centro de Eventos: 1
Bares, restaurantes e similares: 138

Fonte: Perfil Socioeconômico de Farroupilha 2015, feito pela Prefeitura de Farroupilha

COMPOSIÇÃO DA ECONOMIA POR SETOR

:: Metalúrgico 32,57%
:: Plástico 12,62%
:: Malheiro 11,07%
:: Papelão 9,99%
:: Vinho 7,48%
:: Moveleiro 5,16%
:: Calçadista 3,35%
:: Outros 17,76%

Fonte: Perfil Socioeconômico de Farroupilha 2015, feito pela Prefeitura de Farroupilha

Centro revitalizado anima comerciantes

Os centros comerciais repletos de malharias deixaram de ser a resposta unânime dos farroupilhenses quando o assunto é destaques do comércio. Com a reformulação da área central da cidade, marcas nacionais e internacionais conhecidas — como Hering, Subway, Cacau Show e Lojas Americanas — ocuparam as ruas nos últimos anos, misturando-se a negócios locais que também seguem em expansão. O resultado é uma área central repleta de lojas e poucas salas vazias (cenário bem diferente de outras cidades mais afetadas pela crise).

No mesmo ponto há cerca de 20 anos (antes donos de uma loja de CD's e agora proprietários de uma pet shop), os comerciantes Simone Somansi e Locir Tomasi comemoram a transformação do Centro:

— Aqui na nossa quadra não tinha praticamente nada. Era uma casa antiga aqui na frente, um hotel ali embaixo... Agora as ruas estão bonitas e tem bem mais movimentação — relata Simone.

Outro empreendimento antigo da região é a Relojoaria Milesi, que marca presença na Júlio de Castilhos desde 1923. Nelson Milesi (foto), 65 anos, neto do fundador, lembra que quando começou a trabalhar tinha apenas "uma meia dúzia de empreendimentos" no Centro:

— Tinha um armazém, um bar, uma ferragem, todo mundo conhecia todo mundo. Agora Farroupilha cresceu bastante e o Centro, ainda bem, cresceu junto.

 
 

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