Após quebra de 65%, próxima safra da uva conta com expectativas mais animadoras - Economia - Pioneiro

Vitivinicultura15/10/2016 | 07h05Atualizada em 15/10/2016 | 07h05

Após quebra de 65%, próxima safra da uva conta com expectativas mais animadoras

Se o clima ajudar, devem ser colhidas até 600 mil toneladas da fruta

Após quebra de 65%, próxima safra da uva conta com expectativas mais animadoras Roni Rigon/Agencia RBS
Bordô e isabel são as variedades cultivadas na propriedade dos Mazzarotto. Dos sete hectares de produção, quatro são orgânicos e três são convencionais. Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Uma série de fatores — especialmente climáticos, como geada, granizo e excesso de calor — motivou uma quebra de 65% na última safra da uva. Os prejuízos, na opinião de muitos produtores, foram sem precedentes na história. Felizmente, o cenário neste ano não vem se repetindo: pelo contrário, alguns elementos, como a quantidade de frio, estão se apresentando até mesmo com índices melhores do que a média. Se as condições se mantiverem assim, portanto, a expectativa para a próxima safra da principal fruta da região é de muita qualidade e volume maior do que a do ano passado.

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O número de horas de frio (leia-se temperaturas abaixo de 7,2ºC) é o destaque, até agora, da safra deste ano. Conforme Enio Todeschini, engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, foram contabilizadas mais de 600 horas até o momento. A média histórica aponta para 410 horas (em 2015, apenas 145 horas foram registradas):

— É um volume extraordinário. E o frio foi constante, sem veranico nenhum no meio, o que é muito importante porque garante um desenvolvimento melhor — explica Todeschini.

Outro benefício que o frio gerou é a redução de aplicação de agrotóxicos. Conforme o engenheiro, no ano passado a aplicação de tratamentos foi três vezes a média histórica, enquanto neste ano, até o momento, os agricultores estão usando a metade da média:

— O frio reduz a incidência de pragas, o que diminui o custo de produção e melhora a sanidade, ou seja, a vida útil da planta. Isso é bom para todo mundo: produtor e consumidor — relata.

Volume dentro da média

Embora ainda seja cedo para estimar o volume da produção deste ano, a expectativa é que a safra feche com números dentro da média normal, avalia Olir Schiavenin, coordenador da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha e Nova Pádua. Por "normal", entende-se uma quantidade que gire entre 500 e 600 mil toneladas de uva. Na última temporada, com quebra recorde, o volume foi de um pouco mais de 300 mil toneladas.

— Mas tudo isso depende, claro, de como será o período de floração, que deve começar no final desse mês. É uma época bem decisiva. O ideal é que o tempo não esteja úmido, porque isso traz doenças, e nem seja frio — ressalta Schiavenin.

Apesar de ter sido registrada em poucas propriedades, a geada que surgiu no fim de setembro deve influenciar um pouco o volume de produção deste ano. Em Caxias, prejuízos de até 50% foram registrados em Monte Bérico e Fazenda Souza.

Reflexos do ano passado ainda são sentidos

Os danos expressivos causados na última safra não deixaram vestígios apenas na memória dos agricultores. Algumas parreiras, danificadas pela geada e pelo granizo, também ainda sentem o reflexo das intempéries e não se recuperaram para essa temporada.

Na propriedade da família Mazzarotto (foto), em Flores da Cunha, a estimativa é que a safra desse ano seja até 30% menor do que o potencial total das parreiras, que é de 160 mil quilos de uva distribuídos em sete hectares de produção. O que motiva essa projeção é justamente o impacto da última safra nas parreiras, além de uma estiagem (falta de chuva) constatada nas últimas semanas. Mesmo assim, o resultado deve ser bem melhor do que o do ano passado, quando apenas 1/3 da produção pôde ser salva:

— A última safra foi a pior que já vi. As cantinas agora estão praticamente vazias em função dessa falta de uva no ano passado. Isso é péssimo pro setor, porque sobe o preço do produto e o consumidor deixa de comprar. E a gente sabe, se deixar de comprar agora, pode perder o hábito e não voltar mais. Ter uma safra melhor agora, então, vai ser muito importante — analisa Arcizio Mazzarotto, 70.

Bordô e isabel são as variedades cultivadas na propriedade dos Mazzarotto. Dos sete hectares de produção, quatro são orgânicos e três são convencionais. A produção toda vai para a Cooperativa Nova Aliança.

Ao mesmo tempo em que comemoram uma projeção de safra melhor para esse ano, os produtores também temem uma desvalorização no preço da uva em função do volume maior. Joel Mazzarotto, 38, avalia que o ideal seria a manutenção dos valores aplicados na última temporada com um adicional do reajuste inflacionário:

— É preciso que se pense em sucessão no campo. As tabelas de governo não cobrem nem o custo de produção. Se tivermos um mínimo de valorização por ano, talvez começaremos a ter sucessores na agricultura. Talvez! — alerta.

Frutíferas

O frio constante e intenso desse inverno não beneficiou apenas a produção de uva. Conforme Rudimar Menegotto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias, a expectativa de safra para todas as frutíferas da região (maçã, caqui, ameixa, pêssego) é boa, por enquanto, devido ao clima.

 
 

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