62 mil empresas movimentam a economia de Caxias do Sul - Economia - Pioneiro

Empreendedorismo12/02/2016 | 06h05

62 mil empresas movimentam a economia de Caxias do Sul

Pesquisa revela que existe uma empresa a cada 7,47 habitantes. Só em 2015 foram abertos 5.102 novos empreendimentos na cidade

62 mil empresas movimentam a economia de Caxias do Sul Porthus Junior/Agencia RBS
Fabrício Andreis apostou em um negócio inovador para atender à demanda do mercado Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

  Mais de 62 mil empresas movimentam a economia caxiense. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Qualytool Consulting Group, que visa traçar o perfil dos empreendedores caxienses. A equipe entrevistou 413 empreendimentos nas áreas de serviços, indústria e comércio. O resultado impressiona. A cidade conta com uma empresa a cada 7,47 habitantes.

Entre as maiores cidades do RS, Caxias foi a que mais cresceu em número de empresas entre 2014 e 2016. Um dos motivos pode ser o alto número de desempregados registrado em 2015 – 14 mil. A falta de vagas no mercado não oferece outra opção a não ser abrir seu negócio.

Dados da Secretaria Municipal da Receita indicam que em 2015 abriram 5.102 novos empreendimentos. Fecharam as portas 1.488. Para o secretário da Receita Municipal, Paulo Dahmer, o surgimento de novas empresas só não é maior devido ao excesso de burocracia, principalmente para conseguir o PPCI, uma pedra no sapato dos novos empreendedores.

A pesquisa da Qualytool mostra que Caxias do Sul é a 35ª cidade com maior número de empresas no Brasil e a segunda no Rio Grande do Sul. Engrossa o índice de países que mais empreendem no mundo. O Brasil encabeça a lista e é responsável por 34,5% da Taxa Total de Empreendedores (TTE), seguido pela China.

— Ultrapassamos a China em 2015 — destaca um dos diretores da Qualytool, Alexandre Job.

Outro dado interessante mostra o empreendedorismo feminino de Caxias, muito acima da média nacional. 36,8% dos negócios são gerenciados por mulheres. No Brasil, esse índice não passa dos 23% e, no mundo, 24%.   

Maior parte estão ligadas ao setor metalmecânico

O estudo aponta que 45,9% dos empregos e 36,1% do faturamento dependem do setor automotivo/rodoviário. Isso é bom ou ruim? Na avaliação de Alexandre Job essa é uma das faces negativas reveladas na pesquisa.

— Empreendemos muito, mas não temos inovação. Temos um alto grau de dependência — avalia.

Conhecedor dessa realidade, o diretor de Tecnologia Fabrício Girardi Andreis (foto) resolveu inovar. Está em processo de criação da empresa Lemon, que vai oferecer aos clientes um software em nuvem que monitora indicadores de negócio em tempo real a partir dos dados de sistemas ERP, Facebook, Excel, Google Analytics, entre outros.


As informações de fontes diversas podem ser unidas e cruzadas em um único gráfico, e o empresário pode receber alertas para situações críticas dentro do seu negócio. Com isso, ele pode agir imediatamente. O produto é construído a partir de um feedback constante do cliente.

— Percebi que as empresas tem uma demanda para medir o desempenho do seu negócio, mas tem dificuldade para operacionalizar. A ideia é oferecer um produto com custo inicial baixo e uma metodologia ágil— ressalta Andreis.


Readequação para manter o negócio sólido

Paulo Roberto Silochi, 57 anos, ocupou o cargo de executivo de uma grande empresa por mais de 20 anos. Aprendeu tudo sobre a produção de válvulas. Se aposentou e, há dois anos, resolveu apostar no seu próprio negócio.

Ele é um dos sócios da Acerval Indústria e Comércio de Válvulas, uma empresa de pequeno porte do segmento metalmecânico. Se cercou de sócios experientes e investiu R$ 2 milhões. Em 2014 faturou R$ 6 milhões. Se animou. Mas aí chegou a crise de 2015 e o faturamento reduziu 35%. Persistente, readequou a empresa e hoje trabalha com três funcionários mais os três diretores. Era para ter 10 pessoas trabalhando.

— A redução foi necessária para manter a empresa sólida — diz.

Readequação é a palavra de ordem para as empresas se manter no mercado. Para o presidente do Simecs, Getúlio Fonseca, pelo menos 20% tem vida curta. Ele sustenta que muitas pessoas que perderam o emprego resolveram abrir seu negócio.

— Assim que aparecer outro emprego, o empreendimento fecha as portas.

 

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