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Caixa-Forte26/10/2020 | 07h05Atualizada em 26/10/2020 | 07h05

Conheça o professor que coordena a planta de fabricação de grafeno de Caxias do Sul

Aplicação de pesquisas é a principal aposta de Diego Piazza para incentivar a inovação na região

Conheça o professor que coordena a planta de fabricação de grafeno de Caxias do Sul Acervo Pessoal/Divulgação
Professor Diego Piazza defende olhar o novo como aliado Foto: Acervo Pessoal / Divulgação

Uma das pontes entre a academia, empresas, governos e outros entes do ecossistema que a região vem buscando fomentar para incentivar a inovação está na aplicação das pesquisas. É o que aposta um dos protagonistas deste movimento, o professor de mestrado e doutorado e de cursos de Engenharia da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Diego Piazza.

Além de atuar no Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação (TecnoUCS), colaborando para promover a pesquisa e inovação do complexo, mais recentemente se tornou também o coordenador do UCSGraphene, primeira planta de produção de grafeno em escala industrial da América Latina, inaugurada no início deste ano. Confira a seguir quais os caminhos já percorridos e o que ainda falta para a transformação da região em um polo de inovação, na opinião do especialista.

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Desde 2007, quando concluiu a graduação em Tecnologia em Polímeros, quanto você acredita que avançou a integração da universidade com as empresas para promover a inovação na Serra?

Para falar de inovação, primeiro é necessário um conhecimento importante, o de diferenciar inovação de invenção. Na época, a relação ainda ficava muito distante, nos dois vieses, academia e empresa. Muito se tratava de invenção, e não inovação. Inovação é quando fatura, gera nota fiscal, coloca no mercado, agrega valor e potencializa. A inovação chega em vários momentos específicos, seja por necessidade de mercado, uma demanda da sociedade, mas principalmente quando há uma mudança de cultura por parte tanto de pessoa física quanto jurídica. É preciso entender que a aproximação da academia com empresa não é uma concorrência, é uma soma de expertises, porque o core business (negócio principal) de uma universidade não está atrelado apenas a desenvolver pesquisa, mas em ter as pesquisas aplicadas. Sempre trabalhei pensando que tudo deve ser aplicado. A pesquisa aplicada hoje é, sim, um dos catalisadores para que a inovação possa permear os mais diversos setores.

Onde a inovação está mais presente hoje na região?

Em algumas áreas está bem mais clara. Está mais forte, por exemplo, na área de polímeros de um modo geral porque há uma tendência mundial na evolução das matérias-primas. E isso, automaticamente, faz enxergar a substituição de materiais para potencializar novos desenvolvimentos. Na área da sustentabilidade também, porque visa agregar valor, tanto econômico, quanto social e ambiental. Na área de novos produtos, novas funcionalidades. Mas a área de materiais tem muita pesquisa aplicada e auxilia de modo geral. Se entrar no desenvolvimento nas áreas de alimentos, bebidas, energia, automobilística, tecidos e cosméticos também tem muita coisa sendo feita. E uma das situações que me chamam muita atenção é que a pandemia fez com que as empresas olhassem para si e se reinventassem, mas as pessoas e a universidade também fizeram isso. O ecossistema inteiro precisou se reinventar. Para isso, foi preciso trabalhar de forma criativa. E essa mente criativa é que faz enxergar as novas aplicações.

Que exemplos do que a pandemia acelerou na pesquisa?

Obviamente, na área da saúde, ficou mais evidente. Mas por aqui se vê na criação de novos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). O próprio respirador que fizemos em Caxias é uma das coisas que se acelerou. Tudo isso acontece quando somamos expertises da academia com as empresas. Outra área que potencializou é a da comunicação. Foi uma revolução dentro das próprias empresas. Ela precisou ser mais rápida, efetiva, com estruturas mais enxutas. A área de embalagens também é exemplo, porque as pessoas começaram a comprar produtos diferentes. Vieram mais entregas, os deliveries, e as embalagens precisaram ficar mais avançadas para conservação em diversos ambientes. São exemplos que despertaram na economia com a pandemia. A pandemia permitiu que as pessoas olhassem o novo não apenas como barreira, mas como aliado. Sair da zona de conforto. Antes se tinha um olhar desconfiado. Hoje as empresas superam o momento econômico com isso.

Quando iniciou o projeto do grafeno em Caxias do Sul, o desafio era tornar este material apelidado como do futuro, pelas características de leveza e resistência ímpares, em algo do presente e com custo acessível. Como está a situação hoje?

Hoje nós já estamos desenvolvendo em escala industrial, com baixo custo e elevada qualidade. Aceleramos as parcerias com as empresas, somas de expertises, e a entrega de produtos. Quando eu comecei a olhar para isso, ainda tínhamos algumas barreiras porque era um cenário em construção, mas hoje já e uma tecnologia dominada. E Caxias se torna também referência em nanotecnologia.

Recentemente, foi feita a primeira exportação do grafeno caxiense. O destino foi para Portugal. O que mais está no radar?

Em Portugal, serão desenvolvidos testes nas áreas de aeronáutica e automobilística. E nós estamos olhando também toda a América Latina, que sempre foi o foco inicial, pelo seu potencial. Não estamos mirando especificamente em um país, mas já sondamos o mercado da Argentina, com professores e pesquisadores de lá. E vamos aproveitar essas parcerias como validação do que já estamos desenvolvendo.

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