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Caixa-Forte07/09/2020 | 12h10Atualizada em 07/09/2020 | 12h10

As crises que venci: como foi o primeiro bate-papo online da série

Pão, vinho e conhecimento estiveram na pauta dos empresários que participaram do painel

As crises que venci: como foi o primeiro bate-papo online da série Reprodução/Divulgação
Foto: Reprodução / Divulgação

O primeiro evento virtual da série As Crises que Venci, promovido na noite da última quinta-feira, superou um tabu: tratar de um tema espinhoso, o gerenciamento de crises, mas de uma forma que chegou a ser até descontraída em alguns momentos.

Os convidados destacaram desde a revolução de hábitos de consumo, como a “Pãodemia”, abordada por Rogério Tondo, diretor-superintendente da Orquídea Alimentos, à valorização da indústria nacional, como apontado por Hermínio Ficagna, diretor-superintendente da Vinícola Aurora. E o assunto da semana, da volta às aulas, também foi comentado por Maristela Tomasi Chiappin, diretora-presidente da rede de ensino Caminho do Saber, apontando como a vivência tecnológica da pandemia trouxe segurança em relação a medos que precisam evoluir, como o ensino virtual.

Este primeiro evento selecionou representantes de três segmentos historicamente representativos da região, da produção de vinhos, de alimentos e de formação, já que a Serra é reconhecida pela qualificação profissional de sua população.

A seguir confira os principais trechos da mesa virtual.

PASSADO

Ficagna
Não existe uma receita pronta e milagre. Existe é trabalho. Todo planejamento que se fez, se perdeu com a pandemia porque ninguém tinha menor ideia de qual seria o caminho. A palavra de ordem é se reinventar. As empresas têm que estar preparadas para mudanças, ter agilidade para enxergar o melhor caminho, mudar comportamentos e procedimentos. As empresas da noite para o dia acordaram necessitando fechar para atender protocolos e a tecnologia foi fundamental. Os que estavam melhor preparados com tecnologia são os que melhor estão conseguindo superar este momento.

Tondo
É curioso olhar para o retrovisor, porque parece tão pequena a crise anterior. Eu destaco duas grandes crises. A primeira delas foi o desafio de sucessão em uma empresa familiar. A segunda foi quando assumi, na década de 1990, com a desvalorização cambial.  Foi quando pensei: “perdi a empresa do meu pai”. Um dos aprendizados dessa crise é que são todos vasos comunicantes porque, apesar da desvalorização, a reboque veio a valorização dos estoques de trigo. Mas muitos ficaram, quebraram. Só que, até passar essa fase, houve um grande sofrimento. Agora, ao olhar pelo retrovisor, fico pensando: por que eu fui sofrer tanto com aquilo?

Maristela
É inspirador ouvir outras histórias de superação. Quando olhamos para o lado, vemos inúmeros casos de superação de dificuldades. No meu caso, a principal superação foi ter vindo de uma família extremamente humilde, de uma mãe não alfabetizada, e ter buscado a não aceitação dessa realidade. Quando não concordamos com o que estamos vivendo, temos que buscar a mudança, e foi o que eu procurei fazer sempre. A lição que fica é que, nos momentos de dificuldade, temos que olhar as pedras no caminho como degraus para subir.

PRESENTE

Ficagna
Em um primeiro momento, veio a ideia de que íamos quebrar. Se olhar março e abril, as vendas despencaram. Tivemos que mudar as estratégias, foram muitas mudanças no curto prazo. Felizmente, houve uma mudança de hábito do consumidor. Agora estamos vivendo um momento atípico porque o crescimento está acima do que nós projetamos. Hoje o vinho passou a fazer parte da mesa do consumidor. Ele é o produto da pandemia! Temos que aproveitar o momento, mas com muita cautela, porque não temos uma visão de curto e médio prazo, e temos que ter austeridade nos gastos.

Tondo
Nosso negócio, que é alimento básico, e nossa empresa, que tem diversificação, vivem um mosaico de acontecimentos, mas tivemos uma vantagem, por trabalharmos há anos com segurança alimentar. A maior dificuldade foi ter gente para trabalhar até pela dificuldade de ficar com os filhos. Alguns segmentos que atendemos, para fabricantes que atendem McDonald’s e Subway, foi um desastre. Em contrapartida, foi cunhado o termo da “Pãodemia”, porque o pessoal começou a gostar de fazer pães e bolos em casa e até fizemos novos lançamentos. Junto com o vinho, foi a dupla que mais culminou.

Maristela
A educação precisou se reinventar, uma necessidade de adaptação dos professores, das famílias, dos alunos... Eu diria que hoje a gente percebe que as aulas virtuais deram certo, mas a escola virtual não deu, porque sentimos muita falta do contato. Houve evolução. Na Caminho do Saber, nós já iniciamos de forma virtual, e facilitou. É algo que veio para ficar. O ser humano acaba se adaptando rápido às mudanças. Mas tem uma divisão de opiniões. Me parece que o bom senso será novamente um exemplo de superação porque as aulas vão ocorrer nas duas modalidades, presencial e virtual.

FUTURO

Ficagna
Eu consigo mal enxergar o mês subsequente. Não se tem claro ainda quais as mudanças no cotidiano. Eu tenho um grande receio que estejamos, no setor vinícola, vivendo uma bolha. E voltarmos ao momento que estávamos antes da pandemia com apenas um em cada nove vinhos ser brasileiro. Hoje o setor vive um momento épico e existe uma demanda reprimida, muito embora não podemos dimensionar se eventos coletivos vão ocorrer. Porque o vinho passou a fazer parte da vida do consumidor. Então a gente projeta que 2020 vai ser extremamente positivo para o setor vinícola.

Tondo
Eu acho que, nos próximos seis meses, ainda vamos estar tentando baixar a curva de contágio, mas o grande desafio do setor que é agroindústria, que trabalha com milho, trigo, soja, arroz... são as pautas de exportação. Se o dólar não ceder, as empresas vão ter que repassar e o consumidor está com o poder aquisitivo menor. No médio e longo prazo, os hábitos vão voltar ao normal. Imaginamos que 2021 vai ser de normalidade. De certa forma, a pandemia só nos deu uma dificultada, porque tivemos um estresse de luxo no nosso setor, que não parou. E ficamos mais próximos do cliente, porque ele estava em casa.

Maristela
Alguns aspectos vieram para ficar como o uso da tecnologia. O celular hoje é o amigo. O ensino híbrido veio para ficar. Os jovens querem a possibilidade de pesquisar, com postura muito mais ativa e investigativa. Houve evolução no socioemocional, com valorização ao ser, em estar com as pessoas. Todos os segmentos mudaram as estratégias. Ganhamos muito tempo com essa pandemia. Talvez os nossos eventos também não sejam somente presenciais. Aquilo que parecia extremamente distante parece normal. Essas vivências nos trouxeram segurança com relação a medos que tínhamos de evoluir.


 
 
 
 
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