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Combate ao coronavírus29/06/2020 | 13h07Atualizada em 29/06/2020 | 13h07

"Precisamos confiar nas pessoas", diz presidente da ABRH-RS sobre como lidar com a pandemia

Profissionais de RH são linha de frente das empresas para organizar estrutura contra o contágio

"Precisamos confiar nas pessoas", diz presidente da ABRH-RS sobre como lidar com a pandemia Félix Zucco/Agencia RBS
Profissionais de RH ajudam na implementação de protocolos Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

A pandemia do coronavírus vem chegando nas empresas, que tiveram que afastar funcionários ou, até mesmo, suspender temporariamente algum setor por conta do vírus. Em organizações empresariais, as relações de comunicação de casos, alinhamento com decretos e implementação de protocolos passam pela equipe de recursos humanos. Por isso, o programa Acerto de Contas (domingo, às 6h, na Rádio Gaúcha) conversou com Crismeri Delfino Corrêa, presidente no Rio Grande do Sul da Associação Brasileira de Recursos Humanos, a ABRH-RS, para saber como os profissionais desta área estão lidando com a pandemia. Confira:  

Fazendo uma retrospectiva. Lá em março, quando os primeiros casos começaram a surgir. Os recursos humanos já tiveram trabalho intenso de reorganização. Como foi isso? E tem empresas que ainda estão se adaptando?
A gente percebe que hoje, as tomadas de decisões acontecem imediatamente. Tu toma uma decisão de manhã, aí entra um novo decreto, tu tem que tomar outra decisão à tarde. Então, as áreas de recursos humanos das organizações estão tendo uma oportunidade ímpar de cuidar do seu colaborador através de protocolos. Quando entra um decreto, tem que ver quais são as atividades que conseguem parar em cima daquele decreto e quais podem permanecer. Porque sabemos que algumas devem permanecer. Existe todo um protocolo de cuidado. Aferir febre, ver quem são as pessoas de risco, poder afastar essas pessoas. Ver quem tem risco dentro de casa, porque as vezes tu não és um profissional de risco, porém tu tens uma mãe doente, um esposo que é de risco. Quem são aqueles colaboradores que pegam transporte público, se expõem mais?  Como a gente pode reorganizar isso? Aí que entra o Recursos Humanos. Reorganizar as estruturas dentro da empresa, que pode manter o equilíbrio dentro da empresa e, em primeiro lugar, manter a saúde do colaborador. 

Só que é um trabalho que depende de uma base de confiança mútua. O empregado tem que ter confiança para ir trabalhar e acreditar que está em um ambiente seguro e a empresa também tem que ter confiança que esse funcionário vai informar se tiver qualquer sintoma gripal, se tiver qualquer problema. Como sefaz essa intermediação?
O grande aprendizado que vamos tirar nessa pandemia é que precisamos confiar nas pessoas. Porque, na medida que eu me cuido, eu estou cuidando de ti também. Eu preciso me cuidar para chegar dentro de uma empresa, onde vou ter meus colegas. Eu tenho que fazer distanciamento, máscara, álcool gel, EPIs. Essa é a confiança que as organizações precisam ter nas equipes. E as equipes também têm que ter segurança em quem está tomando decisões importantes sobre o ambiente de trabalho. Isso fala um pouco sobre a cultura das organizações. Aquelas organizações que têm a cultura de cuidar do seu colaborador,  entender que ele está em primeiro lugar, está se referindo agora. Estamos tendo a oportunidade de mostrar quais são os valores que as organizações têm. 

Ainda sobre essa questão de relação de confiança. Muitas pessoas começaram a trabalhar de casa, que também pressupõe confiança entre as partes. Vocês observam ainda dificuldade? Eu tenho visto casos de empresas que poderiam deixar trabalhadores de home office, mas assim que libera o trabalho presencial, as empresas fazem as pessoas voltarem. Por que isso ocorre?
O home office já era um tema conversado, porém pouco praticado. Ele era praticado por startups, empresas grandes que tinham operações fora do país. Agora, o home office virou uma prática. E é possível identificar no home-office tanto questões comportamentais, como a de confiança, como a questão de processo de entregas de trabalho e jurídica também. Então, muitas vezes, o home office acaba não acontecendo efetivamente ou pela natureza do trabalho, ou até mesmo pela organização que essa empresa tem para fazer home office. E, muitas vezes, o colaborador não quer fazer home office porque não tem estrutura dentro de casa. A gente pode entender que nem todos devem fazer home-office, nem todos devem trabalhar da empresa. Talvez, quando tudo tiver nesse novo normal, isso vai ser conversado e vai ser meio híbrido. Isso vai ser uma organização que vamos ter que enfrentar daqui pra frente. Às vezes, [o home office] não acontece, nem é por falta de confiança, mas tem que ter toda uma estrutura, trabalhar por projeto, teu líder tem que reconhecer como vai poder te estruturar para fazer as entregas. Além disso, tem uma série de itens do home office que é essencial para o trabalho. Às vezes não tem internet, equipamento para trabalhar. A empresa dá, mas, muitas vezes, não tem ambiente que propicia essa produtividade como tu tinha no lugar de trabalho. Existem muitos fatores, complexos, para lidar num momento de pandemia. Nisso, o líder, gestor, dono da empresa, ele precisa estar ciente de todos os aspectos que influenciam a vida do trabalhador.

No sentido de risco de contágio, vocês percebem os avanços dos casos na empresas nos últimos dias?
Acho que isso está acontecendo de uma forma geral. Realmente, algumas organizações não estão organizadas para aferir febres, olhar sintomas, controlar se estão usando EPIs. Pode perder o controle. Então, tem que controlar muito a conscientização. E aí é papel de quem está trabalhando poder um cuidar do outro.  Tu podes estar passando e não ter sintomas, não sabe. Por isso é uma prevenção. Tu precisas cuidar, porque dentro da organização, tu pode passar. Mapear teu quadro, ver quais pessoas devem voltar para casa. Confiar que essa pessoa realmente está se cuidando. Isso é uma mudança cultural, todo mundo muito assustado com isso, o receio da economia também, o receio que passa para as pessoas. Um papel das organizações é dar a confiança que ajuda os colaboradores, as pessoas, o Estado e o país a passar por isso. As organizações tem um papel importante de passar esperança que isso vai mudar, ou vamos nos adaptar. Precisamos passar, mas com muito cuidado, prevenção, muito diálogo e muito protocolo estruturado pra ajudar a não disseminar mais.

Como fica o psicológico desses profissionais de RH? Como eles estão lidando com isso?
Estamos muito ligados a camada de executivos e empresários para poder ajudar na tomada de decisões. A ABRH, como referência em recursos humanos, tem gerado muito conteúdo sobre como proceder, não só por questões legais, mas como lidar com os decretos, leis. A gente tem gerado muitas palestras e webinars para ajudar empresários com essas mudanças tão rápidas. A gente tem gerado muito conteúdo sobre isso e, por outro lado, temos gerado conteúdos sobre a crise e o que são importantes para os novos profissionais, o acolhimento. Temos gerado reflexões e entregado muito conhecimento. Entendemos que esse é nosso legado. Nesse momento de crise, ajudar a comunidade a poder entender melhor essa fase que estamos passando. Nós, como associação de recursos humanos, referência nesse tema, temos obrigação de emprestar nossa percepção através de diretores, voluntários, emprestar nossa percepção e conhecimento para população, e assim, acreditamos que estamos cuidando dos nossos funcionários também.

Ouça a entrevista completa para o programa Acerto de Contas (domingo, às 6h, na Rádio Gaúcha):


 
 
 
 
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