Imposto de Renda 2020: cinco respostas que ajudam quem ainda não fez a declaração - Colunas do Caixa-Forte - Economia: impostos, financiamentos e mais - Pioneiro
 
 

Em dia com o Leão29/06/2020 | 10h14Atualizada em 29/06/2020 | 10h45

Imposto de Renda 2020: cinco respostas que ajudam quem ainda não fez a declaração

Especialista tirou dúvidas e deu dicas para quem ainda precisa declarar o imposto

Imposto de Renda 2020: cinco respostas que ajudam quem ainda não fez a declaração Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Cerca de 1,9 milhões de declarações já foram entregues no RS Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda se encerra nesta terça-feira (30). Até as 8h40min desta segunda-feira, a Receita Federal contabilizava a entrega de 1.934.179 declarações no Rio Grande do Sul, de um total esperado de 2,2 milhões.  Pensando em quem deixou para prestar contas com o Leão de última hora, o programa Acerto de Contas conversou com Evanir Aguiar, diretor operacional da Fortus Group, que atua nas áreas tributária, contábil e RH. Ele trouxe dicas e lembretes importantes para quem ainda não entregou a declaração. Confira:

Este ano, temos a peculiaridade da pandemia. É possível obter todos os documentos via digital?
Todos, ainda não. Mas, a maioria e principalmente aqueles que causariam uma malha fina, que são principalmente informe de renda, rendimento de trabalho assalariado, informes bancários de conta corrente, são possíveis de obter de forma digital. Se não digital, pelo menos uma imagem através do contato diretamente com as instituições, com RH da fonte pagadora. Porque quem está preparando a declaração não precisa necessariamente do arquivo, precisa visualizar, e aí nós temos várias alternativas, como por exemplo WhatsApp, por e-mail. Então nós temos opções que para entrega é possível obter de forma digital.

Quem ainda não fez a declaração, consegue profissional disponível para ajudar de última hora? Ou normalmente é aquela pessoa que faz por conta?
Nós temos muitos contribuintes, até pelo aumento da tecnologia e disponibilidade do sistema da Receita Federal, que tornou a forma de preenchimento da declaração mais intuitiva, que eles mesmos fazem suas declarações. Para aqueles que têm uma declaração mais complexa, com, por exemplo, uma herança, um processo judicial ganho, aí precisa ter alguns cuidados. Nesse caso, é aconselhável procurar um profissional. Normalmente o contador é o responsável. E nós, contadores, estamos na lista de atividades consideradas essenciais tanto pelo Governo do Estado  quanto, pro exemplo, pela prefeitura de Porto Alegre. Estamos sim de plantão nesses dias, com capacidade, aqui em Porto Alegre, de 50% presencial, mas muitos em home office. Então, sim, é possível encontrar profissionais para ajudar neste momento e fazer a entrega da declaração.

Quais são as principais dúvidas na hora de declarar? Teve alguma mudança neste ano que pode pegar alguém de surpresa?
As principais dúvidas ocorrem principalmente em relação às pessoas que nunca declararam.  Quem, em 2019, percebeu R$ 28.559,70 é obrigado a declarar. Se ele fez um saque do fundo de garantia superior a R$ 40 mil, por exemplo, é um rendimento isento. Tem que declarar? Sim, rendimento isento acima desse valor é obrigado. Quem tem bens imóveis acima de 300 mil reais vai pagar imposto? Não significa que vai pagar, mas é obrigado a declarar. Também temos aquelas pessoas que fazem operação em bolsa de valores. Nesse caso, é obrigado a fazer entrega da declaração. Também o produtor rural, que teve o rendimento da atividade rural acima de R$ 142.798,50 no ano de 2019, é obrigado a fazer a entrega da declaração. Este ano, nós tivemos poucas mudanças. Inclusive, a principal, que todo mundo esperava que seria uma correção na tabela do Imposto de Renda, não aconteceu. Por dados históricos, a inflação já comeu, desde a última atualização, 100% da tabela, está defasada de ser corrigida. Então hoje, quem recebesse acima de R$ 4,7 mil deveria declarar, mas a realidade é que quem ganha acima de R$ 2,3 mil precisa declarar. Então muita gente que nos últimos anos esteve dispensada, começou a ter que entregar. Aí, vem mais uma dúvida. Primeiro ano de entrega, o que eu faço? Tem que separar toda documentação, principalmente de bens, e fazer a entrega. Este ano, tivemos algumas mudanças no programa, mas são muito pouco impactantes. O primeiro dele, que é negativo, é o fato de não poder deduzir mais a parcela previdenciária patronal paga ao empresário doméstico. Por força da lei não ter sido renovada, essa lei em 2018 deixou de valer, o empregador doméstico não pode usar o INSS. A segunda alternativa, positiva, é a possibilidade de, quem faz a entrega da declaração completa, destinar 3% do seu imposto devido ao Fundo do Idoso, além do ECA, que já tinha nos anos anteriores. Então, é possível que quem deve Imposto, doar até 6% do seu imposto. Outras são mudanças no próprio programa, como uma nova tela de entrada. A possibilidade da declaração pré-preenchida para quem tem certificado digital. Que é uma dica bem interessante. Se a pessoa tem certificado digital, quando tiver baixando o programa, ela pode, ao invés de digitar toda sua declaração, buscar a base de dados da Receita Federal, e isso evitará cair na malha fina.

Tem alguma atitude que possibilite o reembolso de forma mais rápida? E para quem deixou para última hora?
O principal, quem quer restituir logo, e entregar agora, dificilmente vai restituir no dia 30 de julho. Salvo aquelas pessoas que estão na lista de prioridade, mas é muito difícil. Provavelmente vai ficar para julho. O importante para restituir logo é entregar a declaração com todos os dados, sem nenhuma pendência. O risco de cair em uma malha fiscal, naquela em que há um sistema, um cruzamento de dados e esqueceu de alguma informação, e vai ter que corrigir sua declaração, aí, possivelmente, irá lá para o final da fila dos lotes de restituição. 

E se perder o prazo?
Primeiro recado que eu dou é, se estiver faltando uma documentação, não deixe de entregar, faça a entrega da sua declaração. Exclua aquele item que está dando erro. Por exemplo, "não tenho Renavan do carro, vou deixar de entregar", ou "não tenho o número da conta bancária, não entrego". Não! Exclua aquele item, faça a declaração e retifica depois. Mas, se esqueceu, por algum motivo, ou é obrigado e não sabia que era obrigado, e descobriu que teria que ter entregue. Bom, neste caso, tem uma multa mínima, de R$ 165,74, mas, este é o valor mínimo. Ele chega a 20% do imposto devido, então, 1% por mês de atrasado.

Confira a entrevista completa para o programa Acerto de Contas (domingo, às 6h, na Rádio Gaúcha)


 
 
 
 
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