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Economia25/05/2020 | 07h53Atualizada em 25/05/2020 | 07h53

As Crises que Venci: Foco em equipes motivadas

Confira entrevista completa com presidente da Embraer sobre superação de dificuldades econômicas

As Crises que Venci: Foco em equipes motivadas Lucas de Souza de Lima / pc/pc
Francisco Gomes Neto assumiu Embraer há cerca de um ano Foto: Lucas de Souza de Lima / pc / pc

A série multimídia As Crises que Venci convidou o presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, para compartilhar as experiências de gestão em momentos difíceis nas empresas do setor de transportes no Brasil e no Exterior que ele já comandou. O executivo destacou a alegria com o convite:

– É como voltar ao passado – relembra ele dos quase quatro anos que viveu em Caxias e foi CEO da Marcopolo.

Não foi difícil explicar a proposta da série, pois Gomes Neto já tinha lido as duas entrevistas anteriores com Mauro Bellini, presidente do conselho de administração da Marcopolo, e com David Randon, presidente do conselho da Randon.

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Além da Marcopolo, ele também foi CEO Américas da empresa Man+Hummel e presidente da Knorr Bremse Brasil, empresa líder de sistemas de controle de veículos comerciais. 

De todas as crises que viveu, considera a atual a pior de todas por não ter origem em questões de mercado, por estar matando milhares de pessoas e, portanto, ser inédita em sua trajetória. 

Qual foi a primeira crise que o senhor se recorda e como venceu ela?

Como gestor de empresa, foi a crise de 2008. Eu tinha recém-chegado nos Estados Unidos para assumir a operação no interior do Estado de Michigan. Cheguei em novembro e, logo em seguida, por causa da quebra do Lehman Brothers, as vendas da companhia caíram 50%. Foi difícil um brasileiro administrando empresas de americanos, mas eu procurei me aproximar da equipe, tentar enxergar junto com eles um ou dois anos à frente. Na época, definimos o que chamamos de cinco prioridades estratégicas e  foi uma grande oportunidade para focar na eficiência da empresa, desde a limpeza, organização da fábrica até a busca por novos negócios. A gente chamou esse programa de Paixão por Excelência, a gente definiu um tigre como símbolo. Até o toque do meu celular era a música Eye of the Tiger, do filme do Sylvester Stallone. A gente conseguiu estruturar a empresa, criar um superespírito de equipe, criando reuniões semanais, trimestrais  e até anual com todos os funcionários, e assim conseguimos sair da crise muito mais fortes

De todos as crises que enfrentou, a de 2008 foi a pior?

A pior que já enfrentei está sendo essa de 2020 por uma razão muito simples: não se trata de uma crise econômica de mercado, ou nacional, mas uma crise mundial e que está matando milhares de pessoas. São mais de 5 milhões de casos e mais de 300 mil mortes no mundo inteiro. Eu nunca enfrentei nada comparado com esta situação.

O que fica de aprendizado das outras crises para enfrentar esta?

Depois de 2008, eu enfrentei a de 2014 e estava chegando em Caxias na Marcopolo, em 2015. Depois a gente enfrentou uma outra crise, no final de 2017, com o incêndio na fábrica de plásticos. Se eu tivesse que dar um conselho para encarar uma crise, eu diria para encarar como sendo a pior de todas: mobilize rapidamente sua equipe de liderança e especialistas, crie com eles uma forma superestruturada de trabalho simples e com foco no que é mais importante, começando sempre com a saúde e segurança das pessoas, e depois a gestão do caixa, que garante a sobrevivência da empresa. Apoie todos o tempo inteiro, criando um espírito de equipe, “one team”. Seja sempre positivo. Um líder não pode nunca mostrar pessimismo ou negativismo. E comunique muito, interna e externamente. Comemore as conquistas e prepare-se para a retomada, que ela virá.

No caso do mercado da aviação civil, como está sendo lidar com essa crise? Qual o tempo para a recuperação?

A Embraer tem a área comercial e que está sofrendo muito mais com isso, porque nossos clientes de linhas aéreas no Brasil estão com mais de 65% dos aviões no chão. Estão começando a retomar, mas é difícil enxergar como isso vai acontecer. Especialistas dizem que esta retomada, para voltar a níveis de 2019, vai ocorrer a partir de 2022 dependendo da região e do país, do apoio e do suporte. Mas temos outra divisões, como a executiva, que não está sofrendo tanto como a aviação comercial, e a área de defesa e de serviços. Implantamos nosso processo de gestão de crise e estamos seguros que vamos sair forte dela.

Durante a pandemia, surge a desistência da Boeing de parceria com a Embraer. 

A parceria terminou e agora deixamos o processo para os advogados. Vamos focar na reintegração da aviação comercial para sair forte da crise. É outro desafio, mas como nós costumamos dizer na Embraer: “We live for the challenges (Nós vivemos para os desafios).” E vamos em frente e passar por esse também, com certeza.

Qual a revolução no dia a dia das organizações desta crise que o senhor acompanha no comando da Embraer?

Várias medidas que as empresas estão adotando: trabalho em casa, afastamento dos colaboradores, medidas de higienização, distanciamento. Elas vão ficar, porque vão melhorar as condições de saúde e segurança das pessoas. Também vai ser muito valorizado o espírito de união e cooperação, dentro e fora das organizações. E acho que também vai ser revista e mais valorizada a própria vida. As pessoas vão passar a enxergar a vida de uma outra forma, até que o tempo vai passar, espero que venha uma vacina e a gente acabe retornando com as atividade normais. Mas eu acho que essas medidas boas ficam.

 
 
 
 
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