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Caixa-Forte01/05/2020 | 11h17Atualizada em 01/05/2020 | 11h17

As angústias de quem está na linha de frente dos recursos humanos

Grupo virtual de profissionais compartilha dúvidas sobre redução de jornada, suspensão de contratos e, até mesmo, demissões

Se médicos e enfermeiros são os profissionais na linha de frente da saúde no combate ao coronavírus, na crise econômica provocada pela pandemia quem está assumindo este papel são administradores, contadores, psicólogos e profissionais que atuam com Recursos Humanos (RH). Embora sejam acionados para responder várias dúvidas sobre redução de jornada, suspensão de contratos e, até mesmo, demissões, eles também estão passando por momentos de incertezas. Tanto é verdade que existem três grupos de WhatsApp, somando ao todo 800 profissionais de RH de Caxias, onde as consultas entre os colegas não param nos últimos dias. A administradora desses grupos, Grasiela Dorigan Rossato destaca a diferença desta crise em relação a outras que muitos destes profissionais já viveram.

– Agora estamos aprendendo com o carro andando, porque as regras mudam o tempo todo – compara.

Daniele Alves Torres, especialista em departamento pessoal, diz que uma das principais dificuldades de entendimento são as regras para aposentados, porque a Medida Provisória (MP) 936 para suspensão de contratos não prevê benefício para quem já recebe pelo INSS. Ela tem orientado a aplicar somente a MP 927, com banco de horas e antecipação de férias nesses casos, porque para aplicar a 936 só para garantia do emprego mas sem remuneração, não há segurança jurídica. Quem trabalha no departamento pessoal está de olho em MPs, decretos municipais, convenções coletivas de trabalho, além das portarias para regulamentar decisões.

– Eu brinco que tenho medo de levantar para tomar água e ter uma nova medida –  comenta Daniele.

Além de serem consultados sobre regras, estes profissionais ficam na linha cruzada entre o trabalhador e o dono do negócio. Ficam intermediando, por exemplo, decisões sobre o que é menos impactante para a saúde financeira da empresa e a saúde do trabalhador. Diésel Cavane, psicóloga organizacional, observa como estes dilemas estão afetando o clima organizacional. Assim como médicos precisam decidir quem tratar em uma situação de sobrecarga de hospitais, os RHs têm que auxiliar em uma outra árdua decisão em caso de aprofundamento da crise:

– Temos visto um abalo emocional muito grande. O RH está buscando uma solução estratégica para manter empregos, mas ao mesmo tempo tem que tomar decisões de quem se pode abrir mão ou não dentro do negócio – desabafa Diésel.

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