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Caixa-Forte25/03/2020 | 18h46Atualizada em 25/03/2020 | 18h49

Discurso de Bolsonaro amplia inusitada polarização entre economia e saúde

Presidente detonou o isolamento, colocando suas consequências na conta de imprensa, prefeito e governadores

Discurso de Bolsonaro amplia inusitada polarização entre economia e saúde Marcos Côrrea/Divulgação/Presidência da República
Presidente da República Jair Bolsonaro durante videoconferência com governadores do Sudeste. Foto: Marcos Côrrea / Divulgação/Presidência da República

O discurso de terça-feira (24) à noite do presidente Jair Bolsonaro, em rede nacional, confirmado na entrevista coletiva já tradicional no Palácio da Alvorada, na manhã de quarta-feira (25), ampliou a inusitada polarização entre economia e saúde, gerada a partir do isolamento social proposto por prefeitos e governadores, com respaldo da área científica, para dificultar a propagação do coronavírus. O isolamento trava a economia.

Houve uma sucessão de declarações impróprias, que reforçam a polarização. A mais gritante delas veio do empresário paranaense Júnior Durski, da rede Madero. Em um vídeo nas redes sociais, ele criticou as medidas de isolamento:

— Eu sei que nos temos que chorar, e vamos chorar. Mas nós não podemos (parar), por conta de 5 mil pessoas, ou 7 mil pessoas que vão morrer.

A declaração é chocante. Depois, ele se desculpou, mas voltou a criticar o isolamento.

Bolsonaro, na terça-feira, detonou o isolamento, colocando suas consequências na conta de imprensa, prefeito e governadores. Na entrevista, na quarta, falou da difícil situação de 38 milhões de autônomos e foi mas claro ainda no que quis dizer:

— Tem aqueles caras que falam: "Economia é menos importante do que a vida." Cara pálida, não dissocie uma coisa da outra — recomendou, explicitando a polarização.

Claro que isolamento é um entrave à economia e tende a produzir consequências de grande impacto. Mas é o que a área científica, inclusive o Ministério da Saúde e a OMS, a Organização Mundial de Saúde, propõem neste momento: ficar em casa.

Não se trata de dissociar uma coisa da outra. Mas sem saúde, a economia também não gira. E uma vida, toda vida, sempre será um bem maior.

A VIDA VEM ANTES

Em Caxias do Sul, empresários e trabalhadores, desde o início do agravamento da crise do coronavírus, unificaram o discurso e os procedimentos: em primeiro lugar, a vida. Com essa orientação, representantes dos empregadores e dos trabalhadores sentaram-se em torno de uma mesa para deliberar conjuntamente sobre medidas para cuidar da produção e de como se dará a travessia deste delicado momento.

Trilharam o melhor caminho.

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