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Macroeconomia17/02/2020 | 15h49Atualizada em 17/02/2020 | 15h49

Economistas avaliam o impacto do dólar em alta

Moeda norte-americana teve alta na última semana com cotação a R$ 4, 30, mas em Caxias a moeda foi comercializada para além dos R$ 4,50

Economistas avaliam o impacto do dólar em alta Porthus Junior/Agencia RBS
"O mercado está muito sensível. No Brasil, antes tínhamos uma relação de dólar em alta e bolsa em queda, ou bolsa em alta e dólar em baixa", revela o economista Gustavo Bertotti. Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

A cotação do dólar no Brasil é flutuante, ou seja, é conduzida pela relação de compra e venda do mercado. No entanto, em algumas situações, o Banco Central (BC) intervém para que não oscile demais. Foi o que ocorreu na semana passada, na quinta (13) e sexta-feira (14), quando a cotação do dólar disparou.

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Na sexta-feira, o dólar fechou a R$ 4,301, recuando 0,79% em relação a quinta-feira. É o maior recuo percentual diário desde 3 de fevereiro, quando o dólar havia caído 0,86%.

No entanto, em Caxias do Sul, as casas de câmbio operavam o dólar ente R$ 4,40 e R$ 4,50, na sexta-feira.

Intervenção do Banco Central
O economista Gustavo Bertotti, da Messem Investimentos, explica de que forma o BC intervém para baixar a cotação.

– O Banco Central vendeu (quinta e sexta) contratos futuros a receber em dólar, nesse caso, para os meses de agosto, novembro e dezembro, que geralmente é comprado pelos bancos. Em cada dia foram 20 mil contratos comercializados. Mas o BC precisou fazer isso em dois dias para ser absorvido pelo mercado. Sem essa intervenção o dólar não teria caído.

Bolsa de Valores
Bertotti explica que as oscilações do mercado tem sim a ver com o coronavírus, ora as ações caem porque aumenta o número de infectados, ora sobem porque a China revisa o número de mortos, de 1.483 para 1.380 (dados de sexta).

– O mercado está muito sensível. No Brasil, antes tínhamos uma relação de dólar em alta e bolsa em queda, ou bolsa em alta e dólar em baixa. Mas, além da instabilidade externa, que é a maior influência, as falas do ministro Paulo Guedes também têm ajudado a oscilar o mercado.

Professora do curso de Ciências Econômicas da UCS, Maria Carolina Gullo
"Em muitos casos, uma mesma indústria pode ser beneficiada na exportação e, ao mesmo tempo, ficar prejudicada na importação de matéria-prima", justifica Maria Carolina.Foto: Claudia Velho / UCS/Divulgação

Relação perde-ganha
Na visão da economista e professora Maria Carolina Gullo, o dólar mais alto pode impactar no preço do pão e de todos os produtos que têm a farinha de trigo como matéria-prima, a exemplo de massas e biscoitos, já que o Brasil depende de trigo importado. Os combustíveis também podem ter reflexo porque as refinarias brasileiras não atendem toda a demanda.

–  Em muitos casos, uma mesma indústria pode ser beneficiada na exportação e, ao mesmo tempo, ficar prejudicada na importação de matéria-prima – justifica Maria Carolina.

Há cinco anos...
O Jornal Pioneiro noticiava em 20 de fevereiro de 2015 que o dólar alcançava a maior cotação em 10 anos, chegando a R$ 2,879. Na época, a elevação se deu pelas tensões sobre o futuro da Grécia.

No mercado de ações, em 2 de fevereiro de 2015, a Petrobras subiu 6% e Bovespa fechava pela primeira em positivo naquele ano.

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