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Caixa-Forte27/04/2019 | 07h00Atualizada em 27/04/2019 | 07h00

Sem a audácia da iniciativa privada não há turismo

A verdade é que R$ 3 mil como custo de adesão ao Dia do Vinho é insignificante para uma cidade do porte de Caxias 

Sem a audácia da iniciativa privada não há turismo Fabiano Mazzotti/Especial
Foto: Fabiano Mazzotti / Especial

A opção de Caxias do Sul em não participar da programação oficial do Dia do Vinho Brasileiro gerou muitas queixas contra a administração municipal, criticada por não ter visão turística.

O episódio soma-se a outras demonstrações de desprestígio ao setor vitivinícola que geraram polêmica durante a Festa da Uva, incluindo deslizes como a falta de suco de uva nos cardápios expostos nos guichês do Fiorin Card e a ausência de vinho durante o Jantar do Viticultor, no qual o chope reinou soberano.

A verdade é que R$ 3 mil como contrato de adesão ao Dia do Vinho, cobrado pelo Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria Região Uva e Vinho (Segh), é insignificante para um município do porte de Caxias do Sul. 

O que está em jogo não é apenas o custo e o fato de que a Feira do Vinho na Praça Dante será realizada de forma desvinculada da programação oficial do Dia do Vinho. O que pesa contra a cidade é a falta de articulação para criar outros chamarizes durante as duas semanas em que a bebida de Baco estará em evidência no país. Por que não participar do Dia do Vinho com algo que venha a mobilizar a cidade? Um evento aberto integrando gastronomia, vinho, música e outros atrativos? Cidades enológicas como Bento Gonçalves, Garibaldi e Flores da Cunha têm ao longo do ano uma recheada programação para garantir o movimento de visitantes na rede hoteleira e gastronômica. O ano todo e, claro, durante o Dia do Vinho também.

Caxias do Sul desdenha essa área. O poder público não ouve os anseios dos empresários da cadeia turística. Estamos situados estrategicamente entre duas potências turísticas de inverno, como Gramado e Bento Gonçalves, mas insistimos em ficar de fora desse mapa. Ficar alheio ao Dia do Vinho é só uma das mostras de que já perdemos o trem turístico. Relutamos em embarcar. 

Como mudar isso? Apenas se a iniciativa privada for mais organizada e pressionar o poder público, ou mesmo andar a despeito dele. Ou se as entidades de classe investirem em chamarizes de forma autônoma e corajosa. 

Sem audácia, não haverá turismo.

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