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Opinião16/11/2020 | 07h00Atualizada em 16/11/2020 | 07h00

Sandra Cecília Peradelles: quando o amor não é servido

A gente precisa aprender a se levantar da mesa quando o amor não está mais sendo servido

Sandra Cecília Peradelles
Sandra Cecília Peradelles

comunicaperadelles@gmail.com

Não é que o amor não deu certo, deu. Depois não. Se o fim chegou é por algum motivo, certo? A gente precisa aprender a se levantar da mesa quando o amor não está mais sendo servido, como diz numa música, a gloriosa Nina Simone. É que nada naquela mesa vai saciar sua fome, entende? Mas, não basta só levantar, tem que sair da cozinha, da casa, do relacionamento, inclusive. Sair de cabeça erguida, tendo em mente que foi uma etapa importante, mas acabou. 

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Não insistir em algo que está morto é mais que necessário, é inteligente. Quando temos já a ciência de que ali nada avança, que a casa se rompeu no meio da sala, que não há mais pra onde correr, o jeito é parar. Aceitar que não é mais o afeto que os mantêm juntos é o passo que prepara o salto rumo à libertação. Quando o fim chega e ele é inevitável, permanecer ali, faz nascer em ambos a humanidade mais grotesca, carregada de frustração e medo.  

Em meio à dor e à incerteza de seguir só, no enevoado momento, não conseguimos identificar o que aconteceu, de fato, muito menos quem somos. Por vezes, é quase impossível lembrar quem éramos antes desse amor, que se foi, chegar. É preciso tempo para se ver no espelho e se enxergar. 

O amor é real mesmo que acabe, ele é o que é no instante do estar. Se durou dois meses ou 20 anos, é irrelevante. Foi intenso, trouxe sonhos conjuntos, uma estrada foi traçada, romanticamente planejada. Tanto foi apreendido, houve felicidade. Você tem o direito de estar em luto. Pode chorar, sim! 

No pós-choro vai ter que seguir, mesmo que pareça que o caminho não exista. Vai precisar andar, ir em frente, um dia e depois outro, cumprindo tabela, pagando boletos. Ouvir o despertador pela manhã, com força sobrenatural, se botar de pé e cumprir funções até o anoitecer. E vai ter, principalmente, que se permitir ser ajudada, ganhar colo dos amigos. Passar horas reclamando e relembrando só as partes boas do relacionamento que se findou é normal. Um porre, dois ou vinte sete podem acontecer também. Tudo isso faz parte, é do humano, é do superar. E dói, eu sei.

Mas, calma, vai ficar tudo bem. Aos poucos, as nuvens descobrem o sol, a claridade chega, o céu vai ficando azul novamente. Tempestades também passam. 

A vida vai continuar sendo vida depois do adeus. Logo, a compreensão do porquê tudo 

se deu como se deu fará sentido em sua mente. Então, num dia desavisado, poderá ser visto ao longe, um sorriso brotar no canto da sua boca, anunciando que a vida sempre vence. 

No final dos finais, você entenderá que ser infeliz do lado de alguém é um erro, um consumo de tempo desnecessário. A preciosidade de viver é estar plena, dona de seus afetos e escolhas. Amores vêm e vão, podem até ficar, mas a única certeza que você terá é que sempre poderá contar consigo mesma. 

Esteja forte, esteja pronta, viva! 

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