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Opinião30/10/2020 | 20h06Atualizada em 30/10/2020 | 20h06

Tríssia Ordovás Sartori: setenças completas

A dúvida autoimposta é um preço alto demais a ser pago

Tríssia Ordovás Sartori: setenças completas Fábio Lopes Panone/
Foto: Fábio Lopes Panone
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

“Quantos ‘e se’ você carrega no peito?”, dizia a frase escrita em giz num muro azul descascado. Mas não era só uma frase: era um aviso, uma sentença ou um soco no estômago. Isso porque a conjunção ‘se’ ajuda a lembrar que a vida é o presente, que se perdermos tempo ou economizamos nos afetos, não temos como recuperá-los. Tem desgraça maior?

Ter a certeza de que buscamos a nossa verdade, corremos atrás de um sonho, nos jogamos com tudo em um relacionamento serve como alento, mesmo que nem sempre haja final feliz. Viver na condicional parece injusto demais, né? Sempre fica faltando algo – e a dúvida autoimposta é um preço alto demais a ser pago. E a cobrança é individual e irrestrita.

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 E se tivesse mudado de profissão? E se tivesse casado? E se tivesse separado? E se tivesse ido morar fora? Se tivesse reconstruído pontes? Se tivesse me libertado antes? Só de ler essas frases, já sinto um aperto no coração: uma vida incompleta deve doer mais do que pagar o preço por bancar as próprias escolhas.

Nunca dá para saber o que é o melhor para os outros, mas se soubermos o que é melhor para gente já está valendo. Tenho tentado, aos poucos, experimentar essas possibilidades que me conectem cada vez mais com aquilo que acredito. Quero meus ‘se’ cada vez mais distantes, quero poder olhar para minha trajetória com uma tranquilidade quase estoica e sem deixar perguntas perdidas no ar.

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