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Opinião19/10/2020 | 07h00Atualizada em 19/10/2020 | 07h00

Sandra Cecília Peradelles: caso Robinho e o medo de ser mulher

Na nossa sociedade é muito comum colocarem os homens em papéis de meninos quando são chamados a responder por suas más atitudes

Sandra Cecília Peradelles
Sandra Cecília Peradelles

comunicaperadelles@gmail.com

Meninos crescem, viram homens. O garoto Robinho, conhecido como um dos mais promissores meninos da vila, cresceu, cumpriu sina, jogou bola em times gigantes, nadou em dinheiro e virou homem. E do pior tipo. 

Eis, que o homem Robson de Souza, em 2013, participou de um estupro coletivo contra uma jovem, na Itália. Todos os envolvidos foram denunciados, julgados e condenados em primeira instância, em 2017. Mas, ele, farto de dinheiro, pagou fiança e aguarda em liberdade, desfrutando de tudo o que de melhor a vida tem a oferecer, inclusive oportunidades excelentes. 

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Estava de contrato assinado para retornar ao Santos, quando áudios da investigação italiana vazaram. E, ali, quem falava não era um menino, era um homem vil, cafajeste, consciente da covardia que atingiu a moça e que, simplesmente, não ligava para o mal feito à vítima, só queria se safar. Zombou da garota, riu da situação. 

Chamo-o de homem, sim. Senhor, sim. Com 36 anos, casado, com filhos, deve ser responsabilizado por seu crime. Na nossa sociedade é muito comum colocarem os homens em papéis de meninos quando são chamados a responder por suas más atitudes, por outro lado, meninas respondem como mulheres ainda sem ter a consciência do que ser mulher implica. 

Entre o “ele é um garoto e não sabe o que faz” e o “ela é uma vadia bêbada, maria-chuteira”, temos a constatação óbvia da violência sexual que pode atingir qualquer uma de nós, mulheres. 

Assim sendo, teve o contrato suspenso. Não por ele ter estuprado uma mulher, mas porque parte dos patrocinadores do time, frente às manifestações indignadas, principalmente dos movimentos feministas, começaram a sair fora para não ter suas imagens vinculadas ao escândalo. 

Não se pode permitir que, em pleno século 21, um estuprador condenado possa sair ileso com chances de voltar a ser um ídolo. Que exemplo daremos aos nossos meninos e meninas. Que tudo bem estuprar uma mulher se ela estiver embriagada? Que crimes como esse não dão em nada, caso o meliante tenha dinheiro? Que as mulheres devem se acostumar a sentir medo?

Menciono, aqui, uma fala do próprio criminoso. Ele disse: “infelizmente, existe esse movimento feminista”. E, esse, caríssimos, foi o auge da minha vida de luta em prol da igualdade de direitos e segurança das mulheres até hoje. Não tenho interesse nenhum em ser aplaudida por uma criatura dessa.

Sabe, eu não vou entrar no cerne de que todo homem tem mãe, irmãs ou filhas e deve respeitar as mulheres. Pelo que vemos não desperta consciência neles, casos de violência sexual contra esposas, filhas, netas e sobrinhas são cotidianos. Vou dizer apenas: homem, você não é um animal. 

E, mulheres, cuidem-se, lutem, denunciem! Uma vítima de violência sexual passa o resto da vida marcada pela desumanidade que a atingiu.

E, já deixo o recado: Robinhos e não Robinhos, nosso corpo é nosso e nunca mais será um objeto na mão de vocês. E, se o for, será cobrado valor altíssimo, vocês pagarão.

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