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Opinião16/10/2020 | 15h27Atualizada em 16/10/2020 | 15h27

Nivaldo Pereira: ajustes e revisões

O  problema é a mania de controle dos humanos, que não admitem parar para rever nada e muito menos aceitam a fatura por negligências anteriores

Nivaldo Pereira: ajustes e revisões Charles Segat/
Foto: Charles Segat
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Mercúrio está retrógrado. Muita gente já sabe o que significam esses períodos de cerca de 22 dias, repetidos trimestralmente, em que o astro da comunicação e das conexões parece andar para trás. Existem até camisetas engraçadas estampando: “Eu odeio Mercúrio retrógrado!”. É quando aumentam as desinformações, os desencontros e as desconexões; as mentes ficam mais avoadas e as conversas e postagens dão mais espaço a mal-entendidos. No cotidiano, coisas banais, como chaves, cabos e tomadas, podem nos tirar do sério. A regra é dobrar a atenção sobre dados, palavras, prazos e miudezas concretas e revisar o que for possível, para evitar aborrecimentos. Esse ciclo vai até 4 de novembro, quando o planeta, aos nossos olhos, volta ao passo normal.

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Mas não há motivo para alardes nessa retrogradação de Mercúrio. Todos os planetas passam por essas fases em que, da Terra, os vemos andar para trás na estrada do zodíaco, numa ilusão visual provocada pelas posições orbitais e velocidades. Numa leitura simbólica – que é o próprio fundamento da astrologia –, em tais períodos os princípios temáticos planetários exigem ajustes de foco e outros afinamentos, ao revelar aspectos então ocultos dos processos em curso. Atrasos, correções forçadas e alterações de rumo podem se impor. O problema é a mania de controle dos humanos, que não admitem parar para rever nada e muito menos aceitam a fatura por negligências anteriores.

Ora, encaramos o viver como uma viagem na qual nos fazemos senhores do volante. Achamos que podemos seguir assoberbados na velocidade de nossa ânsia, pela estrada que escolhemos e confiantes na máquina que nos conduz. E claro que ninguém vai gostar de topar com uma blitz engarrafando o fluxo quando se ia cantando a caminho do mar. Muito menos vai gostar de receber uma pesada multa pelos pneus um tanto carecas. O efeito de um planeta em retrogradação pode soar feito um jato gelado no bem bom de nossa festa. Passado o susto e a contrariedade, vamos caindo na real do que se revelou. Tudo fica menos denso quando percebemos que falhamos na estrutura e que superestimamos o tempo e o controle da viagem. Tudo fica até leve se vemos o contratempo como um alerta que nos faça prestar mais atenção na própria jornada.

A ação dos planetas quando retrógrados se dá mais subjetivamente. Somos jogados para dentro. Ficamos mais reflexivos e introvertidos, para percebermos que as coisas se manifestam a partir de alicerces invisíveis. Se perdemos em controle das situações objetivas, ganhamos em conhecimento profundo sobre elas. No caso de Mercúrio, o primeiro dos planetas e associado às interações imediatas com o ambiente, nossa atenção se interioriza, causando distrações – e isso gera problemas. No entanto, também podemos enxergar melhor o que andava perdido ou esquecido. São períodos propícios para resolver pendências e mesmo encontrar num fundo de gaveta algo que há muito procurávamos.

Talvez a grande lição dos comuns ciclos de Mercúrio retrógrado seja mesmo aceitar que não controlamos tudo. Ou estabelecer um outro modelo para o que seja leve ou pesado. Não dá para fazer um escândalo porque caiu a conexão da internet e ao mesmo tempo sair por aí sem máscara. O Brasil é mercuriano: tem Sol em Virgem e Lua em Gêmeos, signos regidos pelo astro. Volta e meia o céu nos convida a esse ajuste de tom no que é mais importante. Pena que o malandro Mercúrio, dado a cabular aulas e rir de tudo, deteste obrigações e deveres. E sempre paga para ver.

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