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Opinião14/10/2020 | 07h00Atualizada em 14/10/2020 | 07h00

Ciro Fabres: nosso futuro

A sociedade tem uma equação contábil por resolver, literalmente o x da questão, e não está proibida de encontrar a solução

Futuro dá muito pano pra manga. Um bom assunto. Voltarei ao tema. Por ora, será preciso registrar, em face da data, ou da véspera dela: um bom futuro, construído tijolo por tijolo, com alicerce sólido, garantido, edificado, é investir em educação. Ninguém tem dúvida disso. Pelo menos é o que todo mundo diz. Praticamente um consenso.

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Mas pra que tratar de um tema diante do qual a concordância é generalizada? Ah... A partir do momento em que se torna necessário valorizar a educação na prática, surgem as controvérsias. Só não devemos nos enganar: para edificar nosso futuro, precisa valorizar a educação hoje e sempre. Estamos em débito muito grande, portanto, nosso país, nosso Estado. E valorizar a educação significa, entre outras coisas, valorizar o professor. Aqui está a pedra angular do desenvolvimento, do futuro de uma sociedade. O dia em que o professor for melhor remunerado, será possível acreditar. É uma questão que deveria ser entendida como estratégica, mas não é. Sem essa sinalização da valorização do professor, obviamente salarial, que inclui estrutura das escolas, que não podem estar fisicamente deterioradas e devem ter, no mínimo, bom sinal de internet, não é possível acreditar na intenção de valorizar a educação. E aí seguimos naufragando, sem futuro. Mas são escolhas políticas e de gestão. 

Por ora, educação segue entendida como custo, não como investimento. Professor virou refém de ser uma categoria numerosa, incluindo professores aposentados. Então, estabeleceu-se uma espécie de regra de ouro contábil, na contramão do consenso estratégico. Criou-se até uma lei do teto de gastos. Não é possível remunerar bem professor, pois eles são muitos, e não há contas públicas que aguentem, é a regra. Bom, nesse caso, não há valorização da educação e valorização do professor. A sociedade vai ter de decidir o que quer da vida. O que é mais importante: valorizar a educação ou garantir o equilíbrio contábil, isto é, não gastar mais do que arrecada? Claro que as duas coisas são importantes, mas as duas juntas, não fecha. A sociedade tem uma equação contábil por resolver, literalmente o x da questão, e não está proibida de encontrar a solução. Só não dá pra continuar remunerando professor, no caso do Estado, com salário de pouco mais de R$ 1 mil para 20 horas e pretender educação de qualidade.

A sociedade, regra geral, desconhece a vida real dentro de escolas públicas, a falta de estrutura, a sobrecarga. Deveria conhecer esse universo, por imersão. Neste momento, seguimos sem futuro, pela falta de valorização da educação, que persiste. Até quando?

Mais um Dia do Professor, a mesma realidade. Aos professores, devemos reconhecimento, valorização e respeito. E o nosso futuro.

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