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Opinião21/09/2020 | 07h00Atualizada em 21/09/2020 | 07h00

Sandra Cecília Peradelles: Jesus 2.0

E, agora, quem poderá nos defender?

Sandra Cecília Peradelles
Sandra Cecília Peradelles

comunicaperadelles@gmail.com

O caminho entre o céu e o inferno nunca foi tão tortuoso e sombrio desde a era medieval. No novo testamento nos foi apresentada uma figura sensacional. Seja você ateu ou da religião que for, vamos concordar, né?! Jesus foi uma pessoa maravilhosa. Justo, decente, não fez tipo. Bem humorado e sem tempo pra gente que não ligava pra gente. Seu olhar se direcionava em superfoco à humanidade e nada mais. Defendeu mulher da violência sistemática, viu nas crianças o suprassumo da criação, estendeu energicamente os braços rumo aos que se afogam no oceano bravo que é ser humano. E, acima de tudo, esteve ao lado dos menos favorecidos num mundo de ouro e prata.

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Não entrarei no mérito da crença, se ele andou literalmente sobre as águas, por exemplo. Eu não quero saber se é uma metáfora, porque eu sei que não ceder ao egoísmo que nos habita é muito mais miraculoso que as leis da física. Isso é o de menos, eu quero é falar dos princípios de amor e cuidado ensinados por Ele. Afora isso, eu até gosto da literatura bíblica. 

Tenho assistido, incrédula, uma galera aí, que se diz seguidora de Cristo, com atitudes de deixar o próprio Encardido todo banhado em alvejante. Ora, ora, Lúcifer tem parecido um adolescente revoltadinho com o pai perante à maldade dos homens. Afinal, o que está acontecendo com a cristandade? 

 Nesta semana um fato me tirou a fé. O Padre Júlio Lancelloti foi ameaçado na rua, juntamente às pessoas com quem trabalha, após uma fala leviana de um deputado o qual eu não menciono aqui, pois não sou obrigada a dar palco pra gente vil dançar. Enfim, pra quem não conhece, padre Júlio é um presbítero da igreja católica que se dedica a dar melhores condições de vida à população de rua. Um real seguidor de Cristo e do santo mais famoso do catolicismo: São Francisco de Assis. 

Tudo está tão estranho e deturpado no cenário da religiosidade e da política brasileira, que amar ao próximo virou uma expressão vazia. Vão ao culto/ missa e é só amém. Botam fogo no parquinho da internet, propagando ódio contra todos que não são espelho. Amar o igual é fácil, quero ver amar o diferente. 

A minha fé nesse 2020 está sempre à beira do precipício. É pró-vida contra a vida. É deputada-pastora-cantora-assassina que se chama  FlorDeLis, que não é flor que se cheire. E o nome de Deus dito em vão a todo tempo, no afã do desejo de poucos. 

 Dia desses, caminhando pelo Centro, vi uma pichação: Jesus está voltando! Mirei aquilo e senti muito.  Imagina: mais de dois séculos depois de ser surrado, humilhado e crucificado, voltar justo numa época que ser como ele foi, o faria ser condenado de novo. Dessa vez, pelo tribunal das redes sociais, primeiramente. 

Vem aí o Jesus 2.0 (dois ponto zero), descendo à terra, já sendo cancelado por ter dito as verdades que a humanidade não aceita escutar. Hashtag criada, um grupo de WhatsApp reúne quem discorda de seu posicionamento, sua realeza divina será botada em cheque, manifestações contra ele serão realizadas, fake news serão amplamente disseminadas. Pronto, condenado, sentenciado a não ser mais o Messias. E dá-lhe cruz outra vez. 

E, agora, quem poderá nos defender?

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