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Documentário22/09/2020 | 16h59Atualizada em 22/09/2020 | 16h59

Concorrente em Gramado, "O Samba é Primo do Jazz" revela trajetória musical de Alcione

Filme foi exibido na noite de segunda-feira

Concorrente em Gramado, "O Samba é Primo do Jazz" revela trajetória musical de Alcione Divulgação/Divulgação
Longa é dirigido por Angela Zoé Foto: Divulgação / Divulgação

O termo patroa tem sido cada vez mais explorado como autodefinição empoderada entre cantoras do pop e sertanejo no Brasil. Recentemente, Anitta conseguiu até mesmo com que o significado de conotação machista da palavra fosse mudado no Google. Se antes uma pesquisa por patroa no site trazia como resultado “esposa do patrão”, agora a resposta é “proprietária, empregadora”. Justíssimo.

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Mesmo sem pertencer à geração mais nova de patroas, a cantora Alcione talvez tenha sido uma das primeiras detentoras desse posto. Tanto que é assim, como patroa, que ela é chamada logo no início do documentário O Samba é Primo do Jazz, exibido na noite de segunda-feira (21) como competidor na mostra de longas brasileiros do 48º Festival de Cinema de Gramado. O trabalho, assinado pela diretora Angela Zoé, propõe como recorte as origens e caminhos musicais da cantora maranhense, desenhando sua personalidade como a de uma verdadeira patroa do jazz e da música romântica.

Essa origem jazzística explicitada logo no título do filme – e que também faz referência à música Primo do Jazz, sucesso na voz da cantora – é conduzida no filme pela relação íntima de Alcione com um dos instrumentos símbolo do gênero, o trompete. Foi com o “piston” em punho que Marrom começou a chamar atenção no cenário da noite. Somado ao talento e ao ritmo, claro, havia uma voz avassaladora, pela qual ela é conhecida e reverenciada até hoje. 

– Se for fazer um filme da Alcione falando do cabelo, da unha, são coisas que as pessoas vivem. Mas essa parte do jazz não é muito conhecida, e nitidamente, isso tá dentro dela – disse a diretora, durante debate do festival, na manhã de terça (22). 

O filme de Angela Zoé dedica-se a um mergulho quase que exclusivamente musical na carreira de Alcione. Estão ali desde a bagagem recebida do pai, músico que a ensinou sobre a importância de ler partituras e de conhecer ritmo; até a descoberta da potência de sua voz, quando os vizinhos pediam bis ao ouvi-la cantarolar no pátio de casa. Apesar de eleger nomes como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Anita Baker como suas grandes inspirações como cantora, Alcione sempre foi uma defensora da identidade da música brasileira. No documentário, ela conta que foi amplamente influenciada por ritmos vindos do tambor de crioula e do bumba meu boi, característicos de sua terra. Nesse caldeirão todo, o samba surgiu de forma meio inusitada, com uma forcinha de Roberto Menescal. O documentário mostra que Alcione nunca se considerou uma cantora de jazz, tem mais afinidade é com a música romântica. 

48º Festival de Cinema de Gramado 2020 - Longa-Metragem Brasileiro - Filme: O Samba é primo do Jazz- Direção: Angela Zoé  - Sinopse: O documentário O Samba é Primo do Jazz vai mostrar a  trajetória musical de Alcione Dias Nazareth, a nossa grande intérprete  brasileira, a partir de suas referências musicais, sua inserção no mundo da música e sua relação com família e amigos. A cinebiografia nos aproxima de uma Alcione descontraída, divertida e matriarcal com a vida e o fazer artístico.<!-- NICAID(14595640) -->
Foto: 02 play / Divulgação

E por falar em romantismo, vale ressaltar que a vida pessoal da cantora (como os namoros ou as tentativas de ser mãe) fica bastante resguardada no documentário. O mais próximo que a narrativa chega disso é arrancar algumas falas espontâneas de Alcione: como quando elogia, de longe, a beleza de um homem que a fez lembrar de Kevin Costner, ou quando aponta sua preferência por paixões arrebatadoras e parceiros românticos.

– A gente pode falar um pouquinho de amor no filme, mas sem invadir, porque Alcione é uma diva e não tinha a mínima condição de a gente invadir uma diva – justifica a diretora. 

Um retrato mais íntimo de Alcione é desenhado em entrevistas com suas irmãs, duas delas também suas empresárias, que revelam a personalidade ao mesmo tempo fraterna (“é uma mãezona”) e determinada (“sempre fez só o que ela queria fazer”) da patroa, digo, cantora.

Mais um documentário musical

A mostra de longas brasileiros em competição no 48º Festival de Cinema de Gramado chamou atenção pela presença de dois documentários musicais. Além de O Samba é Primo do Jazz, sobre Alcione, a programação traz o filme Me Chama que Eu Vou, que esmiúça a trajetória do cantor Sidney Magal. A exibição do longa, dirigido por Joana Mariani, ocorre nesta quarta (23), a partir das 20h, no Canal Brasil.

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