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SOCIAL13/08/2020 | 06h10Atualizada em 14/08/2020 | 09h06

Sociedade por João Pulita

Veja a coluna social desta quinta-feira!

Sociedade por João Pulita Diego Ferreira / Divulgação/Divulgação
A graça dos 15 anos das meninas, Louise Buffon, Eduarda D¿Andrea, Catarina Grillo e Nathalie Buffon Foto: Diego Ferreira / Divulgação / Divulgação

Pátria Amada

O Coronel de Cavalaria, Nestor Norberto de Gasperi, filho de Pedro Geremias de Gasperi e Selvina de Gasperi, que iniciou carreira no Exército Brasileiro em 1982, entra para o notável grupo de oficiais da reserva. Desde os tempos de aluno da Escola Preparatória de Cadetes, em Campinas, São Paulo e na Academia Militar das Agulhas Negras, no Estado do Rio de Janeiro, Gasperi realizou muitos feitos e é motivo de orgulho da família. Depois de 38 anos de dedicação ao País, agora, radicado em Brasília, é até então, o único caxiense a alcançar esse destacado posto.

Clique e confira outras edições da coluna social de João Pulita

A jornalista, doutora em Letras e editora-chefe da Gaúcha Serra e do Pioneiro, Tríssia Ordovás Sartori, protagoniza o bate-papo desta quinta-feira com as candidatas ao título de rainha e princesas da Festuva 2022 Foto: Cristine Ordovás Sartori / Divulgação
O arquiteto garibaldense Micael Salvi festeja a conquista do prêmio do concurso Moddboard Itaporã, promovido pelo ConectaDecor e Promarmo Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação
Robson Bergenthal, cantor sertanejo universitário, tem dedicado este tempo este período de reclusão social para realizar várias lives com a sua banda, além de atuar como modelo fotográfico Foto: Jonathan Freitas / Divulgação

Benfeitores

Nesta quinta-feira a Fundação Marcopolo lança o Brechó Mobiliza, uma ação solidária totalmente virtual que terá a renda revertida ao Projeto Acolher, que viabiliza o atendimento psicológico de crianças e adolescentes institucionalizados em casas lares de Caxias do Sul. A iniciativa ocorre pelo Facebook (@MobilizaBrecho), Instagram (@mobiliza_brecho), sempre das 9h às 17h18min, de segunda a sexta-feira. Serão aceitas doações de roupas, móveis, objetos de decoração, utensílios domésticos e itens diversos, novos ou usados, desde que estejam em bom estado.

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Gabriela, sempre Gabriela!

Gabriela Guedes de Oliveira VargasFoto: Carla Souza / Divulgação

Gabriela Guedes de Oliveira Vargas, 31 anos, filha de Mari Ione Guedes de Oliveira Vargas (in memoriam) e Nei Francisco Machado Vargas, já é expoente na área de design e empreendedorismo. Diretora de experiências digitais na ECC Hub e na Escola Caxias Criativa, é designer, professora e consultora de marketing digital há mais de 10 anos, palestrante no segmento, foi protagonista do TEDx e do Creative Mornings POA. No estrelado currículo, ela também é pós-graduanda em Gerenciamento Estratégico e graduada em Design Gráfico pela FSG. Adora discorrer sobre criatividade, inclusão , afrofuturismo, cultura e arte. Nascida em Dom Pedrito e radicada caxiense, ela é um agente transformador em tudo o que se envolve. Conheça mais do instigante universo de Gabriela!

Qual sua lembrança mais remota da infância? Minha diversão era desenhar histórias em quadrinhos e brincar de montar casas (mais do que de bonecas). Já fazia plantas de casas com a minha mãe.

Qual a passagem mais importante da tua biografia? Sem dúvida, o TEDx foi a passagem recente mais importante da minha vida e daria até um título: “Minha Voz É De Muitas”.

Como foi a experiência de palestrar em uma conferência aclamada como a TEDx? Foi um turbilhão de emoções. Quando recebi o convite pensei que o mesmo não seria a mim e que não estava pronta para uma fala tão importante como essa. Mas, a oportunidade quando vem dificilmente passará duas vezes, então resolvi aceitar o desafio. Entendi que ter uma mulher negra empreendedora falando em Caxias do Sul, uma cidade que apesar de povoada por imigrantes de diversos lugares e etnias ainda é racista, era algo extremamente importante. Por isso resolvi falar de questões raciais sob a minha perspectiva de vida, além de trazer dados que mostram o quanto as minhas vivências não são apenas individuais mas também de 1/3 da população do Brasil. Mulheres negras são 28% dos habitantes no país, segundo o IBGE, e são desassistidas em políticas públicas e no mercado de trabalho. Precisa evidenciar isso para que atitudes possam ser tomadas. Se o problema não é identificado, fica difícil agir. 

O que fazer para se manter criativa em tempos de isolamento social? Descubro músicos e artistas que não conhecia com profundidade. As mais recentes têm vindo de Steve Wonder, Nina Simone e Jorge Ben. 

Você gosta muito de música, arte e cultura. Como busca estabelecer relações no seu trabalho com essas outras áreas? Acredito que beber destas fontes faz do designer e empreendedor alguém atento em um mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo. Então, em cada projeto resgato estas origens e fica muito mais fácil criar desta forma. Por isso, na minha rotina sempre tem espaços para consumir e investir em cultura. Muitos deles na companhia dos meus amigos e do meu irmão João Paulo, também designer. 

As pessoas fazem alguma ideia muito diferente do que a sua profissão realmente é? Ainda fazem. Um design ruim é um grande prejuízo para as organizações. Quando um produto não é utilizado ou facilmente descartado, um serviço tem altos índices de desistência e reprovação, ou ainda, quando não privilegia as necessidades reais dos usuários. É aí que está o design ruim. O design é um investimento importante para prevenir que estes problemas ocorram e ajuda a projetar cenários por meio de pesquisa e co-criação.

Quais as suas principais referências na área? No design, minhas referências são Renata Rubim, John Maeda e Erico Fileno. No empreendedorismo Adriana Barbosa (feira preta), Monique Evelle (sharp), Luiza Trajano (magalu), Camila Achutti (mastertech), Cris Junqueira (nubank) e Serena Willians. No marketing: Bozoma Saint John (netflix), Ana Paula Passarelli (Brunch), Ariane Feijó (otimifica) e Marta Gabriel.

O que considera que são mitos da profissão? São muitos os mitos que norteiam o design. O primeiro é de que é uma profissão que trata apenas de estética e gostos particulares. Não que estes não importem, mas ele é uma disciplina que desenvolve produtos e serviços colocando as pessoas no centro, proporcionando que as experiências sejam as melhores em diferentes contextos e culturas. Outro mito que precisa ser quebrado é que o design é para poucos. O bom design deve ser para todos e feito por todos. Dos salões, passando pela periferia das cidades e por comunidades indígenas no país, o design é e deveria ser sempre inclusivo.

Com sua experiência, que conselho daria pra quem deseja ingressar nesta carreira? Estudar todo dia algo novo e não só o design. As habilidades técnicas são importantes mas não se prenda apenas a elas. Conhecimentos humanos que desenvolvem a inteligência emocional, autoconhecimento e a empatia importam muito. Expandir seu mundo não precisa ser apenas em viagens. Seu bairro, sua família e suas redes podem ensinar muito. Exercite o olhar investigativo. Quanto mais plural a bagagem do designer, maior a sua perspectiva e biblioteca para criar soluções ágeis e adaptáveis ao mundo atual.

Com a atual situação, acredita que os profissionais de marketing e design estarão mais preparados para desenvolver trabalhos voltados à coletividade? Acredito que os profissionais estão se abrindo para a coletividade, montando redes e coletivos para trabalhar em conjunto, mas ainda é pouco. Esse processo exige muito autoconhecimento de si e do seu negócio. Estar aberto a receber o novo constantemente e disposto a ouvir. 

Qual ou quais perspectivas vislumbra para os futuros profissionais da área? Tornar cada vez mais possível que o design seja criado e projetado com um olhar de diversidade e inclusão. Falamos na faculdade de público-alvo, personas, com suas características e necessidades, mas somos pouco impositivos ao projetar pensando em representatividade e proporcionalidade no processo de criação de produtos e serviços para todos. 

O que tem feito para impactar o mundo e as pessoas de maneira positiva? Compartilhar minha colcha de retalhos de vivências e visões por meio do meu livro e projetos de empreendedorismo e design.

Qual foi o caminho trilhado até a publicação do seu livro “Uma atitude por dia - Por um mundo com menos racismo”? A temática racial tem sido meu objeto de estudo muito particular desde 2018, quando senti que queria aprender mais sobre o que norteou a minha vida enquanto mulher negra. Ser a única em espaços de poder, em eventos de tecnologia e empreendedorismo não deve ser o normal e comecei a questionar os traumas que originavam isso. A primeira entrega deste conhecimento foi no TEDx, que fez com que eu apresentasse isso ao mundo. Com uma provocação da editora Belas Letras, fui convidada a escrever este livro, que para mim é também um projeto de design. Entender a persona, pessoas brancas que nunca questionaram seus privilégios e que diante das manifestações recentes mundiais em torno da morte de George Floyd querem agir em torno do tema. O desafio foi trazer a pluralidade e a potência de pessoas negras, que são gigantes, em apenas 100 atitudes. Entendo que o livro é o passo inicial de uma busca que é diária. Ele é só o começo.

Gostaria de ter sabido antes... que autoconhecimento leva a autoconfiança. Se desenvolve todo dia, não dá para pular essa etapa com um livro ou um curso.  

A melhor invenção da humanidade? Lápis e papel.

Tem algum hobby? O que gosta de fazer no tempo livre? Tomar vinho (remotamente) com os meus amigos. Saudades de fazer uma boa lasanha para eles. Ah! Retomei o desenho de retratos e figura humana. 

Reflexão de cabeceira? Você é pessoalmente responsável por se tornar mais ético do que a sociedade em que cresceu. Frase de Eliezer Yudkowsky, pesquisador e escritor americano de inteligência artificial.

 
 
 

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