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Opinião21/08/2020 | 20h54Atualizada em 21/08/2020 | 20h54

Nivaldo Pereira: o pão de cada dia

O pão, alimento básico associado ao resultado do nosso suado trabalho, é um perfeito símbolo da vibração laboral de Virgem

Nivaldo Pereira: o pão de cada dia Charles Segat/
Foto: Charles Segat
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

A novidade astrológica deste sábado é a entrada do Sol no signo de Virgem, às 12h46min. Convém saudar a chegada de Virgem com uma música apropriada: “Debulhar o trigo / Recolher cada bago do trigo / Forjar no trigo o milagre do pão / E se fartar de pão”. Essa famosa canção, O Cio da Terra, de Chico Buarque e Milton Nascimento, fala das interações entre o homem e a natureza, fala de trabalho e técnica, temas virginianos. Do signo simbolizado pela imagem de uma donzela com um feixe de trigo na mão, quero comentar algumas curiosidades sobre o pão, esse produto fundamental nas mesas do mundo. O milagre do pão traduz no cotidiano a essência de Virgem.

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O pão nosso de cada dia, cujo provimento os cristãos pedem em oração, tem sua história estreitamente ligada a uma transformação na saga humana: a passagem da vida nômade para a fixação num território. Foi há cerca de 10 mil anos, quando a domesticação do trigo pelas tribos errantes abriu as portas para a Revolução Agrícola. Alguém já havia descoberto que triturar os grãos de uma certa gramínea selvagem, misturar essa farinha com água e depois assar a pasta resultava num alimento muito mais saboroso e nutritivo do que a mastigação da planta ao natural. Começava aí o reinado do trigo. Cultivar a terra para o plantio das sementes e dedicar-se às etapas seguintes dessa tarefa cuidadosa exigiu das tribos nômades a definitiva sedentarização. E daí surgiram campos lavrados e celeiros de armazenagem, aldeias e cidades. E o homem se multiplicou. E surgiram as leis de convivência, o cálculo, a escrita, o progresso – a civilização, enfim. E o pão foi agente civilizador.

A garantia do pão diário na alimentação impôs, como diz a canção, “conhecer os desejos da terra”, ou seja, dominar as condições naturais para o devido manejo do trigo. Isso exigiu dos nossos antepassados observação aguda e inteligência, gerando conhecimentos e técnicas que se ampliaram com as trocas culturais entre diferentes povos. O signo de Virgem é símbolo desse processo interativo, tanto entre o homem e a natureza quanto entre diferentes modelos de produção. Desde a seleção das melhores sementes, todo ajuste era bem-vindo em prol do melhor pão. E a inteligência humana seguiu atenta a novas ferramentas e a novos modos de trabalhar. Virgem rege essa dimensão humana de buscar qualidade e maior eficiência em tudo. Lições do pão.

Mas o milagre do pão guarda outros aspectos virginianos. Em certa feita, algum humano deve ter guardado a pasta de trigo e água para assar depois e percebeu que ela havia crescido com o tempo. Quando assada essa massa, resultou num pão muito mais macio e saboroso. Estava descoberto o fenômeno da fermentação. Demorou séculos para se saber que a fermentação ocorria não apenas pelo contato com o ar, mas pela presença neste de micro-organismos que foram chamados de leveduras. Elas é que se alimentam dos açúcares da massa e expelem álcool e gás carbônico, e este gás faz a massa inchar com as bolhas. São processos biológicos e químicos, áreas do conhecimento que costumam interessar a Virgem em seu afã de decifrar e investigar tudo.

Trigo, água e leveduras em fermentação resultam em outros produtos, como a cerveja, por exemplo. Basta regular a dosagem de ar. Virgem rege esse domínio das funções de cada coisa, esse conhecer as técnicas e as categorias. Por isso, o pão, alimento básico associado ao resultado do nosso suado trabalho, é um perfeito símbolo da vibração laboral de Virgem.

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