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Opinião08/08/2020 | 08h00Atualizada em 08/08/2020 | 08h00

Frei Jaime: ninguém imaginava que, um dia, sentiria saudades de um abraço

O sábado chega sem pomposidade, proporcionando alento ao coração e luz à alma

Frei Jaime Bettega
Frei Jaime Bettega

jaime@ofmcaprs.org.br

Bom Dia! O sábado chega sem pomposidade, proporcionando alento ao coração e luz à alma... Véspera do dia dos pais... Muitos têm seus pais vivos, outros, olham para o infinito e elevam uma prece... Pensando bem, a vida é feita de diferentes saudades... Viver é muito bom! 

"No fim, só a gente pode se abraçar por completo." (Matheus Rocha). 

Ninguém imaginava que, um dia, sentiria saudades de um abraço. Sim, todos estão com saudades de abraços, de espontaneidade, de bater nas costas, de tocar. Tem gente que vai mais longe: ‘saudades de pele’. Os humanos foram feitos para o toque, o olhar, o sorriso, a leveza do corpo e de alma, extravasando alegria, imprimindo felicidade ao cotidiano. A razão entende que o momento é dedicado para o cuidado, mas o coração não se aquieta, quer expressar e receber afeto. Por outro lado, nunca foi tão intenso o pertencimento familiar, os laços de amizade, a vontade de ficar próximo, de sentar lado a lado, de rir sem motivos. No entanto, o cuidado se impõe para o bem de todos. Não se trata de ser a favor ou contra, é simplesmente necessário observar o rígido protocolo, para salvaguardar o que existe de mais precioso: a vida.                                 

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A sensação é até estranha: em todos os lugares parece ter alguém observando se você está seguindo as respectivas regras. Esse cuidado mútuo não pode incomodar, pois está carregado de amorosidade. Por outro lado, há uma descoberta a ser feita: será que cada qual está se abraçando? Você já se abraçou, hoje? A troca de abraços é uma expressão única de afeto, de um profundo querer bem, mas o melhor abraço é aquele que a pessoa dá para si mesma. 

Quem tem dificuldade de se abraçar, com o tempo, pode perder a vontade de abraçar os outros. Com maior ou menor intensidade, todos são carentes, pois poucos foram educados para a manifestação do afeto. A exaltação da razão deixou em segundo plano a atenção para com a afetividade. Mas nada está perdido, pois com a valorização dos sentimentos ainda será possível resgatar e ressignificar o amor, que cada pessoa carrega dentro de sim. Abraçar-se é um oportunidade de permanecer inteiro, enquanto isso o mundo assimila um modo mais humanizado de existir. 

Bênção! Paz & Bem! Santa Alegria! Abraço!  

 
 
 

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