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Ativismo20/07/2020 | 12h00Atualizada em 20/07/2020 | 15h20

"Uma das grandes falácias em torno do racismo é que ele não existe", diz escritora

Gabriela Oliveira lança a obra 'Por um mundo com menos racismo' pela editora Belas Letras

"Uma das grandes falácias em torno do racismo é que ele não existe", diz escritora Carla Souza/Divulgação
Gabriela diz que o propósito do livro é "Provocar as pessoas para que elas possam sair da passividade e se tornarem ativas na luta antirracista" Foto: Carla Souza / Divulgação

Gabriela Oliveira ensina:

– O racismo se trata da discriminação e do preconceito, direta ou indiretamente, contra indivíduos ou grupos por causa de sua etnia ou cor.

Gabriela, atualmente radicada em São Paulo, nasceu em Dom Pedrito e morou em Caxias do Sul até março, é mulher negra, empreendedora, designer, professora e consultora de marketing e TEDx Speaker. Com propriedade, ela listou 100 atitudes que podem ser inseridas na rotina para que o mundo seja, diariamente, menos racista. Gabriela compilou em um livro, chamado Por um mundo com menos racismo, que faz parte da coleção Uma atitude por dia, da editora Belas Letras.

– A ideia surgiu como uma provocação da editora, que já possui uma série de livros com o objetivo de trazer pequenas atitudes para o dia a dia. O primeiro da série é sobre como ter um mundo melhor e mais justo para as mulheres. Falar sobre racismo é um tema que permeia a minha realidade como mulher negra, então receber o convite foi uma continuidade do que eu já falo nas minhas redes indo de encontro com a vontade da editora.

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Da ideia ao livro pronto, foram apenas cinco semanas. Gabriela explica que acabou reunindo ideias compiladas ao longo dos anos, em que colheu estudos sobre questões raciais, além das próprias vivências. 

Até o dia 4 de setembro, está em pré-venda um kit promocional contendo Por um mundo com menos racismo, marcador de páginas, adesivo e pôster, nos pedidos feitos pela loja virtual da editora. O preço do kit é de R$ 34,90. O livro ainda está sendo produzido, por isso os envios devem começar em 10 de agosto.Confira abaixo uma entrevista com a autora.

Qual é o teu propósito com esse livro?
Provocar as pessoas para que elas possam sair da passividade e se tornarem ativas na luta antirracista. Uma das grandes falácias em torno do racismo é que ele não existe ou que não preciso conversar e discutir sobre ele pelo fato de ser branco. O que não é verdade. Todos devem entender como se dá o seu entorno e como a sua vida foi permeada por privilégios, principalmente por pessoas brancas. Por isso a necessidade de debater este tema que está na estrutura da nossa sociedade. E não só discutir, como também agir. Logo, o livro é praticamente um diário com espaço para anotações e práticas que as pessoas são convidadas a viver.

Que expressões racistas ainda persistem sem que as pessoas percebam?
Chamar as pessoas negras de morenas ou mulatas é muito agressivo. Morena dá a entender que ser chamado de negro ou preto é ofensivo, sendo que temos orgulho da nossa negritude. Já o termo “mulato” tem origem na língua espanhola, referindo-se ao filhote macho do cruzamento de cavalo com jumenta ou de jumento com égua. Para mulher ainda existe a expressão “mulata tipo exportação”, trazendo a visão do corpo da mulher negra como mercadoria.

O que é a “síndrome do branco herói”, a que você se refere no livro?
Síndrome do branco herói é quando pessoas brancas querem ser as salvadoras, como se elas fossem as únicas a saber resolver um determinado problema. Isso é muito fácil de ver no cinema e também muito discutido no turismo de voluntariado, quando pessoas brancas visitam pessoas de etnias e raças que são inferiorizadas. Dá a entender que pessoas negras não conseguem viver e vencer seus desafios sozinhas e tira o protagonismo e a potência que temos. Por isso é importante combater o racismo, mas não querer colher os louros por isso. 

Por que ainda há uma menor representatividade dos negros no ambiente corporativo e outras esferas de poder?
A falta de representatividade tem vários fatores, como a recente ascensão de pessoas negras em universidades e falta de ações afirmativas de inclusão de pessoas negras em ambientes de poder. Falta muito questionar as estruturas que ainda são reflexo de 132 anos de abolição da escravatura, pouco tempo considerando que a Constituição Federal de 1988 nos torna, de fato, iguais perante a lei. Para que a representatividade e a proporcionalidade aconteça, é importante que se tenham ações afirmativas e políticas públicas em todos os ambientes, tanto no corporativo como em espaços de poder. 

Livro Uma Atitude Por dia, de Gabriela Oliveira<!-- NICAID(14547862) -->
Foto: Reprodução / Reprodução

Como comprar o livro
Uma atitude por dia por um mundo com menos racismo, de Gabriela Oliveira
Editora Belas Letras
Preço: R$ 34,90 (Até o dia 4 de setembro, dá direito ao kit de pré-venda com marcador de páginas, adesivo e pôster)
À venda: loja virtual da editora

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