Sociedade por João Pulita - Cultura e Tendência - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

SOCIAL03/07/2020 | 06h10Atualizada em 03/07/2020 | 06h10

Sociedade por João Pulita

Veja a coluna social desta sexta-feira!

Sociedade por João Pulita Felipe Soares / Divulgação/Divulgação
Viviane Pinto Bado foi presenteada por Véra Stedile Zattera com o resultado do estudo desenvolvido por Véra e apoiado por Viviane, o livro Vestindo Moda Foto: Felipe Soares / Divulgação / Divulgação

Carretéis

A pesquisadora Véra Stedile Zattera recepcionou, no início desta semana, na boutique Regina Bellini, algumas personalidades para autografar o livro Vestindo Moda. Com horário individual, para cada convidada, com o intuito de evitar aglomerações, estiveram presentes nomes como o da costureira Lola Salles, que é uma das personagens da obra. Em 482 páginas, o livro de Véra resgata o modo de se vestir dos primeiros 100 anos de Caxias do Sul e relembra catálogos e revistas de moda utilizados pelas modistas da época. Nele, ela homenageia, entre tantos criadores caxienses, Darwin Gazzana, Corina Frigeri Wainstein, Marta De Carli Fichtner, Ilse Adami, Ilda Lucena, Santa Camassola e Irany Segatto, além de Rui Spohr, nascido em Novo Hamburgo e que fez história na alta costura em todo o Estado.

Clique e confira outras edições da coluna social de João Pulita

Fulvia Gazola também esteve ao lado de sua tia, Véra Stedile Zattera, autora de mais de vinte livros, na apresentação de sua mais nova obra, Vestindo Moda Foto: Ana Salvi / Divulgação
Maria Cristina “Tini”e Lola Salles, profissionais e personagens que ilustram o livro, Vestindo Moda, foram presenteadas, por Véra, com o luxuoso exemplar Foto: Ana Salvi / Divulgação
Caroline Leal e Leonardo Correa protagonizaram um ensaio de noivos através das lentes de Jucimar Milese e Daniel Bianchi Foto: Jucimar Milese / Divulgação
O administrador Eduardo Indicatti e o arquiteto Aristide Pinheiro dedicam o tempo do recesso social para aprimorar conhecimentos nas suas áreas de atuação Foto: Jucimar Milese / Divulgação

Laços

Hoje e amanhã, entre 8h e 17h, a Personalità Casacos e a Upman realizam ação solidária em prol das famílias atendidas pelo Centro Assistencial Vitória e pela Associação Criança Feliz. A ideia da direção das duas empresas é a promoção de um outlet, que promete movimentar os domínios da Avenida Ângelo Gusso, no Bairro Esplanada. Parte do valor arrecadado será revertida em cestas básicas para as instituições filantrópicas.

.

Uma original tradução de si mesmo!

Fernando LenziFoto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Fernando Lenzi, 25 anos, filho de Maria Cristina Abreu e Everson Lenzi. Graduado em Design de Moda pela UCS, conquistou as menções honrosas do 11º Concurso UCS/Cootegal, de 2016 e do UCS/Sultextil, de 2017, ano em que se formou. Há mais de três anos atua como designer de calçados e acessórios na Melissa. Paralelo a isso, Lenzi está debruçado no desenvolvimento de uma coleção autoral, que abarca uma estética atemporal e utilitária, que ele deverá apresentar no Inverno de 2021. Veja mais o que norteia os dias deste aquariano que ama viajar, ler, cozinhar e pintar aquarela. Do tipo pé no chão, se autodenomina mais introvertido do que extrovertido e bastante reflexivo!

Qual sua lembrança mais remota da infância e que sabor te remete essa época? Quando penso em infância meu olfato busca mais memórias do que o próprio paladar. O aroma das rosas e das flores que minha avó cultiva com tanta dedicação no jardim é o cheiro marcante dessa época.

Qual a passagem mais importante da tua biografia e que título teria se fosse publicada? Seria relacionado ao poder de mudança, aprendizado e organicidade do ser humano. Algo do tipo “A inconstância” o “O renascimento”. 

A melhor invenção da humanidade? A fotografia é algo que me instiga bastante, a capacidade da captura de momentos históricos, memoráveis, artísticos, pessoais. É incrível!

Gostaria de ter sabido antes... de ter descoberto o costume de aproveitar minha própria companhia. 

O que é ter estilo? É a manifestação de todas as referências que carregamos. A roupa, os acessórios, a personalidade, quanto mais genuínos esses atributos pessoais forem, mais me agrada.

Qual é a sua história com a moda, como começou e por que decidiu seguir por esse caminho? Minha história com a criatividade no geral inicia por volta dos seis anos, aos sete quando passei por uma série de cirurgias, por conta de uma debilidade física no quadril, a recuperação foi longa. Ganhei, da minha mãe, uma prancheta com folhas e comecei a desenhar na cama. Gostava de figuras humanas e desde esse momento nunca mais parei, hoje enxergo que consegui transformar a adversidade da imobilização em algo muito rico. Brinco que foi a arte e a moda que me escolheram, porque não me imagino trabalhando em outra área.

Quais são as suas referências na área? Com certeza minha primeira referência de moda foi o belga, Martin Margiela e segue sendo referencial para as minhas criações. Admiro muito o trabalho da antiga diretora criativa da Céline, Phoebe Philo, ela conseguiu consolidar um estilo bem específico e atemporal da moda, que serve hoje de influência para maisons como a The Row (outra forte referência que carrego). 

O quão importante foi a experiência da graduação e o que pode compartilhar a respeito desta trajetória? Foram quatro anos de intenso trabalho e dedicação. Nesse período entre 2012 e 2017 aprendi muitas coisas, amadureci ideias e tive o privilégio de ingressar no mercado de trabalho cedo. Minhas orientadoras de trabalho de conclusão de curso: Mercedes Lusa Manfredini e Cecília Seibel, além de se tornarem minhas amigas e terem minha admiração, foram pessoas chave para o desvendar da minha personalidade como criador. Outra pessoa que é fundamental no meu desenvolvimento profissional é minha chefe e amiga Jacira Lucena, também designer de moda e experiente, que passa todo o conhecimento para a equipe que gerencia de forma extremamente carinhosa. 

Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Acho que meus projetos na Melissa, no geral, me satisfazem muito, porque dentro do mercado a gente aprende a entender novas metodologias, processos, trocas e aplicar tudo isso na criação. Sobre projetos pessoais, eu diria que meu trabalho de conclusão de curso, o qual escolhi abordar a pluralidade do ser humano e como ela se manifesta fisicamente. Construí a parte estética e visual com um mindset bem atemporal. Olho para as peças criadas há três anos e consigo vê-las fazendo sentido para a moda hoje.

Busca estabelecer relações no seu trabalho com outras áreas, como design, arquitetura, arte? Sempre, como disse anteriormente, acredito que precisamos nos munir de bagagem cultural e referencial, seja por meio da arte, da literatura, da arquitetura, do design, da gastronomia. Todas essas áreas se correlacionam.

Como funciona o seu processo criativo, desde a pesquisa até a concepção dos modelos? Para projetos pessoais, ou da Melissa, meu escopo criativo é primeiramente constituído pelo entendimento do público-alvo. Após esse processo vou em busca de referências em diversas áreas da criatividade, como a arte, a arquitetura, a própria moda e o design. Quando tenho todas essas informações contempladas começo a esboçar ideias “sem filtro”, para depois mergulhar em uma nova análise do que faz sentido executar.

Como lidar com bloqueios e se manter criativo na atual situação mundial? O mundo está doente e os sintomas estão escoando sobre todos nós. Acredito que o papel do designer seja encarar os problemas como reflexão. Longe de romantizar a situação que todos estamos passando, a ideia é proporcionar à galera criativa um momento de pausa e análise, para que futuramente possamos transformar esses pensamentos em soluções inovadoras.

O que considera que são mitos da profissão? Com certeza o principal mito do universo da moda é a glamourização. No backstage do “show” temos meses de pessoas, processos envolvidos e muito trabalho.

Na sua opinião, qual a importância da sustentabilidade nesse meio? Estamos em uma era em que a sustentabilidade deixa de ser algo apenas idealizado. Acho que todo e qualquer ser humano cidadão deveria pensar no longo prazo e no sustentável. É dever, principalmente das grandes marcas do mercado da moda brasileira, cultivarem a sustentabilidade e educarem seus colaboradores. O mundo precisa de mais cuidado.

Quais os pontos positivos e negativos de fazer moda em uma era em que quase tudo gira em torno da internet? Acho que estamos em um momento de universalidade digital, o qual não conseguimos mais nos desprender da tecnologia. A grande sacada é fazer o bom uso e ter o tecnológico como ferramenta de apoio para inovação.

Quais são os seus planos para o futuro? Para um futuro mais tangível e palpável pretendo continuar meu trabalho como designer de calçados e acessórios. Também estou trabalhando em uma coleção de roupas autoral, a qual tem características que carrego comigo nesse processo continuo de consolidação da minha identidade como criador. O livro Ecce Homo, de Friedrich Nietzsche, é uma das referências trabalhadas, a coleção será para o inverno 2021, seguindo o viés de atemporalidade que permeiam nas minhas criações. 

O que significa fazer moda e como isso reflete na sua vida pessoal? A moda é sempre a tradução do político-social e do espírito do tempo. A moda é uma manifestação de todas as referências e aprendizados carregados, é uma reflexão da minha maneira de ser, pensar e existir.

Quais músicas não saem da sua playlist? O álbum Fullgás, da Marina Lima, inteiro, Hémisphére, de Paradis, Never Let Me Down Again, do Depeche Mode.

Um hábito que não abre mão? Cozinhar, acho um ato de respeito e cuidado, com o alimento, comigo, com as pessoas.

Uma qualidade: gosto de como minha mente funciona de uma maneira organizada e metódica. 

Um defeito: talvez a minha dificuldade de conexão com a espiritualidade, com o não concreto. 

Uma palavra chave: autoconhecimento.

Reflexão de cabeceira? Gosto muito de uma metáfora do Paulo Leminski que é: “Ameixas, ame-as ou deixe-as”. 



 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros