Sandra Cecília Peradelles: o novo normal é sobreviver! - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Opinião27/07/2020 | 14h18Atualizada em 27/07/2020 | 14h18

Sandra Cecília Peradelles: o novo normal é sobreviver!

Normal é crianças sem escola, pais tendo que trabalhar e não tendo com quem deixá-las

Sandra Cecília Peradelles
Sandra Cecília Peradelles

comunicaperadelles@gmail.com

A gente não quer só comida! Berravam nos palcos Brasil afora os garotos da banda Titãs, no final da década de 80. Em 2020, em plena pandemia mundial, a maioria da população só quer comida, pelo menos comida. Se der, um teto sobre suas cabeças. E, quem sabe, um pouquinho de dignidade. 

Clamores desesperados em meio a tempos de pouco pão seguem se normalizando pelas ruas, nos centros e nas periferias. Assim como o choro das famílias que perderam entes amados para a Covid-19 seguem silenciados pelos números que, para maioria, nada dizem. 

 Leia mais
Sandra Cecília Peradelles: o sexo e as mulheres
Sandra Cecília: plantar, respeitar o tempo
Sandra Cecília Peradelles: a mulher dentro de mim

Tenho ouvido falar do novo normal e estou tentando entender o que, na prática, pode vir a ser isso. Vou mensurar algumas coisas que tenho visto desde que a Pandemia se instalou em nossas vidas e, que, ao meu ver podem ser um indicativo do que está hoje na normalidade.

Normal é usar máscara toda vez que saímos de casa. Normal é ter alergia de tanto usar álcool gel. Normal é ver o sistema de saúde público beirando o colapso. Normal é assistir o número de contaminados e mortos pelo Coronavírus em ascendência toda vez que abrimos o jornal, ligamos a TV ou o computador. Normal é saber que pequenos e médios negócios chegam à falência diariamente, deixando um rastro de desempregados em frente às suas portas fechadas. Normal é sentir saudades de quem amamos. Normal é ver os bancos recebendo trilhões em incentivos enquanto uma mísera quantia é destinada à população  e, ainda, com todas a barreiras possíveis para que se possa acessar o dinheiro. Normal é a fome batendo no estômago, tonteando a cabeça do cidadão e cidadã. Normal é crianças sem escola, pais tendo que trabalhar e não tendo com quem deixá-las. Normal é a desesperança crescendo, se apoderando de nós. Normal é não conseguir enxergar o futuro. 

Tenho visto outra coisa se normalizando: a população fazendo as vezes do poder público. Enquanto governos e prefeituras se posicionam de forma desbaratinada, sem um foco real no bem-estar do povo, têm pessoas e instituições cuidando dos que passam dificuldades e buscando novas possibilidades se viver em meio a um surto econômico, social e de saúde pública.

Me vem à mente agora, que a pandemia chegou em um ano de eleições no Brasil. Então, talvez, o novo normal também seja aprender a votar. Eleger gente que realmente pense em nós, que nos represente profundamente, que compreenda a nossa realidade e que queira, sem demagogia, que nosso espetacular país se desenvolva com plenitude.

Ao que me parece, o novo normal é sobreviver à pandemia, mantendo minimamente saúde emocional e física, cuidando de si e do outro, compreendendo que parte da população não tem condições de ficar em casa, pois não tem Coronavírus que detenha os boletos. 

Em suma, sonho como o dia em que o novo normal passe a ser AMAR E MUDAR AS COISAS, como dizia Belchior. 

Leia também
Influencer Gisi Fiuza encabeça campanha solidária com a Petshop Caxiense
Na Cozinha: quer aprender a fazer um delicioso bauru ao prato?
Escolas infantis temem ampliação da crise com medida que troca mensalidades por auxílio em Caxias do Sul

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros