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Opinião25/07/2020 | 07h00Atualizada em 25/07/2020 | 07h00

Nivaldo Pereira: leão e o ser criador

Artes e filhos aparecem como expressões naturais da centelha geradora leonina, em sintonia com a luz do Sol regente, pai de toda forma de vida

Nivaldo Pereira: leão e o ser criador Charles Segat,divulgação/Divulgação
Foto: Charles Segat,divulgação / Divulgação
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

O homem liga o computador. Mais um dia de trabalho em casa no país tomado pela pandemia. Passa os olhos pelas manchetes do portal de notícias. Nada de novo: mortes, desalento, estupidez e muita luta. A ele também cabe muito lutar, como professor, para manter o ensino funcionando, agora da sala de casa. No preparo da aula seguinte, decide trabalhar com os alunos a realidade desse mundo em colapso, no afã de despertar a criatividade na resolução de problemas. Copia e cola algumas manchetes do portal. Na seção de amenidades, a palavra que o inspira aparece numa chamada: “Criatividade em alta sob o Sol de Leão”. Como é o seu signo, resolve ler.

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O texto fala de identidade e de marca pessoal, de coração amoroso e da necessidade de criação. Artes e filhos aparecem como expressões naturais da centelha geradora leonina, em sintonia com a luz do Sol regente, pai de toda forma de vida. O professor olha pela janela a paisagem cinza e fria. Ah, daria tudo por um dia ensolarado na praia! Não nascera para invernos gelados. Seu ser inteiro precisa de luz e calor. Até que o breve devaneio é quebrado pelo toque macio e morno da mão do filho de cinco anos. O pai ainda se surpreende com a graça autêntica do moleque. Enche-se daquele orgulho de constatar: semente de mim, amor maior.

O menino quer saber o que o pai faz e vai se achegando ao colo dele. “Agora não, filho, o pai precisa preparar a aula, vai brincar no quarto”. “Mas eu já brinquei de tudo, quero ficar contigo”. Inventa, professor, inventa. Usa a criatividade. Afinal, o moleque não é leonino também? E vem a ideia salvadora. A revista semanal, aberta na mesa, mostra o mapa do mundo e os focos da pandemia. O pai avisa: “Vou te dar um desafio muito difícil e muito demorado”. Retira a folha da revista, pega a tesoura e começa a cortar a página em pedaços pequenos, dezenas deles. “Agora vai pro quarto e só volta quando montar esse quebra-cabeça inteirinho. Toma aqui a fita adesiva pra colar as partes”. O menino sai, com as mãos cheias.

Pronto, mestre. Pode preparar a aula sossegado, tão cedo o moleque não incomoda. O desafio agora é para os jovens estudantes. Diante desse caos, como o país pode se curar e se recompor? O que se deve priorizar? Examinem as manchetes e proponham soluções. Mas, antes mesmo de escrever o enunciado do trabalho, eis o guri entrando com a página montada! Nem tinham se passado 15 minutos! “Deve estar tudo errado, o mapa é cheio de detalhes”, pensa o pai. Mas qual não é sua surpresa ao ver que a página está perfeita, as partes coladas no lugar certo. Como o menino pôde montar um mapa que não conhecia?

O pequeno revela, então, que olhara o verso da página enquanto o pai a recortava. Havia ali a figura de um homem. Foi só montar as peças pelo avesso, formando a familiar figura do homem, e daí colar tudo com a fita adesiva. E pronto, bastou virar a página, o mundo estava montado! Ai, ai, coração de pai leonino quase arrebenta! Abraça apertado o filho, lágrimas nos olhos. Com ele no colo, acrescenta ao trabalho de aula a questão: como a dignidade humana deve guiar a construção de um novo mundo? E aprende que nenhum mundo é vivo sem estar embasado no amor humano.

Sim, embasado no amoroso coração – reafirma o cronista, que há tempos leu ou ouviu a alegoria do menino que monta o mundo a partir do homem e achou por bem recriá-la aqui, na vibração inspiradora de Leão. E o cronista recria Caetano na recriação de Maiakovski: gente é pra brilhar, não pra virar estatística.

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