Tríssia Ordovás Sartori: Você é formiga ou aranha? - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Opinião26/06/2020 | 19h44Atualizada em 26/06/2020 | 19h44

Tríssia Ordovás Sartori: Você é formiga ou aranha?

As primeiras coletam todo tipo de detritos que encontram na natureza e levam para o formigueiro. As segundas tecem teias e esperam que o alimento chegue até elas

Tríssia Ordovás Sartori: Você é formiga ou aranha? Fábio Lopes Panone / Divulgação/Divulgação
Foto: Fábio Lopes Panone / Divulgação / Divulgação
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Há quem diga que, na vida, é tudo uma questão de perspectiva. Há aqueles que têm uma visão mais prática e objetiva das situações, outros conseguem contemplar os dias e encontrar algum tipo de transcendência. As formigas e as aranhas, por exemplo, têm formas diferentes de lidar com o mundo. 

As primeiras trabalham incansavelmente coletando folhas, galhos, animais vivos ou mortos, enfim, todo tipo de detritos que encontram na natureza. Saem em fila indiana, concentradas, e levam tudo o que conseguem encontrar para dentro do formigueiro. Já as últimas têm um modo mais interiorizado de conseguir sua subsistência. Produzem e montam suas teias e ficam no aguardo de que a divina providência traga seu alimento.

Leia mais
Tríssia Ordovás Sartori: Quase pode ser tudo ou nada
Tríssia Ordovás Sartori: Saudade dos abraços
Tríssia Ordovás Sartori: O que importa de verdade

Dá para dizer que alguma delas está errada? Só a partir do próprio ponto de vista. É a nossa lente particular que nos faz ter mais afinidade com uma ou outra maneira de perceber e existir no mundo.

O filósofo inglês Francis Bacon, considerado o fundador da ciência moderna, comparava as formigas aos alquimistas e médicos da época, que passavam de cidade em cidade vendendo elixires e poções mágicas com materiais extraídos da natureza, e comparava as aranhas aos filósofos que propunham teorias totalmente baseados no pensamento e na razão. Ele foi o primeiro a escrever sobre a necessidade de fundir os dois mundos – observar e extrair exemplos da natureza e, através da razão e de experimentos, comprovar as teses imaginadas. Dizia que o ideal era copiar as abelhas que saem em batalhões alados para extrair matéria-prima da natureza e dentro da colmeia transformam essa matéria no néctar que é o mel. Criou, assim, o revolucionário método científico.

Pode, também, ter dado uma pista de que o equilíbrio é a melhor forma de contemplar a realidade. Mas essa é apenas uma interpretação, uma percepção. 

Ainda assim, acredito que seria muito bom se conseguíssemos extrair o melhor da razão e da sensibilidade, sem precisar optar por nenhuma delas. Se nos permitíssemos refletir em profundidade, mas sem esquecer aquilo que nos toca verdadeiramente, teríamos dias mais leves e felizes. Como na época do colégio, em que as aulas de educação física caíam numa segunda-feira e serviam de motivação para irmos bem felizes à escola, apesar das aulas de matemática.

Leia também
Conheça Dinarte Albuquerque Filho, o patrono da 36ª Feira do Livro de Caxias do Sul
Acordeons Todeschini em anúncios dos anos 1960
Secretaria da Cultura de Caxias terá programação alusiva ao Dia do Orgulho LGBT

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros