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Opinião15/06/2020 | 17h45Atualizada em 15/06/2020 | 17h45

Sandra Cecília Peradelles: um grande amor

Eu pensei que eu queria um grande amor, mas com 20 e poucos anos a gente quer é conquista

Sandra Cecília Peradelles
Sandra Cecília Peradelles

comunicaperadelles@gmail.com

Eu achei que queria um grande amor, mas com 15 anos o corpo quer gastar energia, descobrir o mundo e as múltiplas formas de se envolver. Buscar o pote de tesouro que, dizem, estar além do arco-íris, sabendo que lá nada tem, porque o arco-íris não tem chegada, nem partida, está suspenso no universo, tal qual minha ida adolescência.

Eu pensei que eu queria um grande amor, mas com 20 e poucos anos a gente quer é conquista. A gente quer ser gente, visto como e se sentindo assim: cidadão. Romper com a juventude dependente e ser jovem com autonomia. Quer a importância da opinião alheia com aprovação prévia. Quer ter lugar no assento da vida e voz que ecoa.

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Eu pensei que queria um grande amor, mas 20 e tantos anos, a gente quer realização, dignidade pra viver. Construir alicerce forte pra erguer castelos que nunca irão se ruir. Ser referência pra quem não somos mais, dizer inocentemente que vencemos. Criar arrogâncias diárias e desiludires sem fim, achando que o mundo é nosso, quebrando a cara sem se importar.

Eu achei que queria um grande amor, mas, agora, com trinta e coisinhas, quero é paz de espírito, calmaria para entender o funcionamento descabido do mundo. Quero a compreensão profunda de quem sou e de quem o outro é. Tempo pra fazer coisas que descobri que me fazem bem. Quero olhar no espelho e pensar que aquilo que ali está refletido é uma boa pele vestindo muito bem uma alma boa. Ter orgulho de ser quem sou, pois muita coisa bela e dolorosa vivi pra chegar aqui, muitas lágrimas foram vertidas e por muitas vezes ri até chorar.

Eu achei que queria um grande amor. E queria mesmo. Sempre quis. Creio, sempre vou querer. É que o amor é coisa imensa, nem a essa terra pertence. É sublime quando um corpo encontra outro corpo e dos dois sensações inimagináveis surgem. Não se explica o amor, nunca sabemos quando ele pode chegar. Mas quando ele vem, a gente mal percebe, pouco se dá conta que ali, do seu lado, existe algo mágico. Esperar o amor deve ser errado, mas somos humanos e o erro é a nossa constante. Penso que não esperamos o amor em si, esperamos dias melhores, uma vida mais plena, esperamos não nos sentir tão sozinhos.

Se eu pudesse voltar nos anos, me encontrar com uma juvenil Sandra lhe diria: não espere o amor, querida. Viva! Viva muito e melhor, seja gentil e generosa consigo, seja prudente sempre e cuide dos outros. Conheça o mundo e as pessoas (elas são um universo complexo e lindo) e, permita-se o autoconhecimento. Viver por vezes dói, seja forte. Nenhum príncipe virá te salvar, aprenda a salvar-se. A vida é longa, mas repare bem nos dias que se seguem, é neles que guardamos a histórias pra contar. O amor vai chegar muitas vezes e, na mesma medida, vai partir te deixando fraca e desesperante, mas o tempo é rei, a dor passa, tudo passa. Outros amores surgirão, pode continuar sonhando, vale a pena. E, um dia você viverá algo ímpar, quase sagrado, um sentimento de plenitude, você conhecerá o amor próprio e, a partir disso, será, de fato, feliz. Confie!

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