Salas fechadas há três meses, aulas restritas e perda de alunos: como a pandemia desafia escolas de dança da região  - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Pandemia24/06/2020 | 08h00Atualizada em 24/06/2020 | 08h00

Salas fechadas há três meses, aulas restritas e perda de alunos: como a pandemia desafia escolas de dança da região 

Em Caxias e Bento Gonçalves, instituições formaram grupos para buscar soluções em meio à crise

Salas fechadas há três meses, aulas restritas e perda de alunos: como a pandemia desafia escolas de dança da região  Acervo pessoal/Divulgação
Em Bento, escolas como o Estúdio P8, do professor Ezequiel Baldassari, buscam auxílio para pagar o aluguel das salas Foto: Acervo pessoal / Divulgação

Com as atividades reduzidas drasticamente durante a pandemia e sem perspectivas de poder voltar a funcionar plenamente, as escolas de dança enfrentam cenário desesperador na região. Mesmo unidas em grupos de WhatsApp para buscar soluções, as trocas de mensagens têm servido mais como uma plataforma para desabafos, diante da falta de saídas visíveis para a crise (agravada pela demora na sanção presidencial da Lei Aldir Blanc, que prevê, além de auxílio emergencial para artistas e trabalhadores da cultura, repasse de recursos para manutenção de espaços culturais).

Em Caxias do Sul, um destes grupos formados para buscar saídas criativas e alternativas junto ao poder público reúne representantes de 30 escolas, das maiores às menores. O Centro de Danças, por exemplo, coletivo de escolas de danças de salão, danças árabes e flamenco, iniciou o ano com 290 alunos inscritos. Ao encerrar março, primeiro mês da pandemia, 90 seguiam com aulas online. Atualmente, apenas 30 seguem com a matrícula ativa. Já o La Cueva, espaço dedicado à dança flamenca, viu reduzir seu corpo de alunos de 45 no período pré-covid-19 para 13 que seguem com aulas virtuais em junho.

– Estamos numa espécie de limbo. Enquanto atividades como academias e pilates podem voltar quando há flexibilização, os decretos não incluem as escolas de dança, sendo que muitas teriam condições de voltar, por não envolver contato e ser em grupos pequenos. É o caso das danças orientais, por exemplo. Danças que envolvem contato, como as de salão, estão afundando. Não há uma clareza se pode ou não abrir, nem em que condições, e todos têm medo de ser responsabilizados caso haja contágio  – comenta Renata Dalla Rosa, uma das diretoras do Centro de Danças. 

Bento Gonçalves atravessa situação semelhante, com as escolas tendo conseguido manter, em média, em torno de 10% a 20% dos seus alunos durante a pandemia, sem aulas presenciais. Se em Caxias a mobilização maior é poder voltar a abrir os espaços, no município vizinho as escolas entendem que a prefeitura poderia ajudar com recursos financeiros, principalmente para ajudar pagar o aluguel das salas. Um grupo reunindo nove escolas de dança foi criado para buscar alternativas, mas pouco tem conseguido avançar. 

– Manter o aluguel em dia é a principal dificuldade que todas as escolas enfrentam nesse momento. Procuramos o prefeito (Guilherme Pasin), que encaminhou para o secretário de Cultura (Evandro Soares), que disse não haver outra saída além da Lei Aldir Blanc, que ainda não foi sancionada. As escolas são parceiras na realização dos eventos, não cobram cachê, mas esperávamos uma contrapartida nessa hora mais crítica – comenta Cristian Bernich, professor da Cia. A Trupe dos Quatro e um dos porta-vozes da união das escolas de Bento.

Uma saída paliativa foi oferecida pela Secretaria de Turismo, cujo secretário, Rodrigo Ferri Parisotto, propôs realizar uma mostra online com apresentações de todas as escolas interessadas e um canal para colaborações em dinheiro para esssas instituições. Uma data está sendo avaliada. 

CONTRA A MARÉ

Escola de Dança Carla Barcellos é uma das que melhor tem enfrentado a crise decorrente da pandemia e assim conseguido amenizar a perda de alunos. Na foto, a sócia e professora Bruna Bregolin.<!-- NICAID(14528976) -->
Professora Bruna Bregolin, sócia de Carla Barcellos: saída pela criatividadeFoto: Carma Barcellos Cemin / Divulgação

Na contramão da maioria, a Carla Barcellos Escola de Danças, de Caxias, conseguiu manter 85% das matrículas desde o começo da pandemia. Resultado, segundo Carla Barcellos Cemin, da irresignação diante da crise, tão logo as sócias perceberam que não seria “uma gripezinha” passageira. Com 80% dos seus 200 alunos entre a infância e a adolescência, a saída encontrada foi apostar nas aulas online com bom preparo – os professores fizeram cursos específicos – e criatividade para tornar a experiência mais prazerosa e divertida, investindo em aulas temáticas, com direito a cenário montado pelas professoras, e o “home show”, o tradicional recital de alunos, porém feito em casa, gravado e postado nas redes sociais

–É claro que dá muito mais trabalho, mas está dando certo. Recebemos o depoimento de que é a atividade que as crianças contam as horas para fazer. Criamos aulas atrativas e lúdicas. Um exemplo foi a aula de São João, em que em determinado momento a profe pede para a criança buscar alguém da família para dançar junto. Também há crianças de uma mesma família que moram no mesmo prédio e se juntam para fazer aula. Assim criam-se momentos divertidos. Foram ações pensadas para que o interesse da criança fosse renovado semana a semana, porque a gente sabe que só ficando na frente do computador seria fácil perder o interesse – avalia Carla Barcellos.

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