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Para acalmar05/06/2020 | 12h20Atualizada em 05/06/2020 | 13h57

Ioga têm sido alternativa a quem procura autoconhecimento em tempos de distanciamento social

Prática traz muitos benefícios ao incentivar respiração com mais consciência

Ioga têm sido alternativa a quem procura autoconhecimento em tempos de distanciamento social Rafaella Zortea/divulgação
A instrutora Eve Pisani tem se dedicado às aulas via Facebook Foto: Rafaella Zortea / divulgação

O tempo de distanciamento social tem sido um gatilho para que as pessoas busquem por muitas ferramentas online, seja para se distrair das notícias ruins, seja para aprender algo novo. No caso do ioga, uma das práticas mais procuradas em plataformas digitais desde o início da pandemia, essa busca vem embalada numa jornada de autoconhecimento que pode contribuir muito para o enfrentamento e entendimento do atual momento. E para os próximos também.

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Para a instrutora caxiense Eve Pisani, 59 anos, um dos grandes benefícios do ioga é dar para o corpo e para mente um estado de liberdade. Parece paradoxal quando estamos todos “presos” em casa, mas a pandemia trouxe para muitos um tempo maior para dedicar a si, e a liberdade pode residir justamente aí.

– Vejo muita gente se libertando de muita coisa que não estava legal, de um ritmo de vida que era bem comprometedor para a saúde. Muita gente num lugar mais feliz por não estar correndo tanto, por poder estabelecer uma rotina diferenciada. É até meio doido dizer isso em meio ao cenário que vivemos, mas vejo esse lado positivo no momento – explica ela, que atua na escola de ioga mais antiga de Caxias, a Centro Mundo Yoga, aberto em 1978.

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Com um aumento de cerca de 25% no quadro de alunos, a escola tem oferecido aulas online diariamente, por meio da plataforma do Facebook. Foi a maneira encontrada para tornar as práticas mais acessíveis a todos, mesmo a aqueles que não possuem tanta afinidade com o mundo digital. Eve conta que percebeu que muitos dos alunos novos já nutriam uma vontade antiga de fazer ioga e acabaram encontrando o tempo para isso agora, em meio à pandemia. Ao acessar as aulas, cada um vai se conectando com a prática de uma forma diferente e descobrindo seus inúmeros benefícios.

– O ioga sempre me ajudou a ter autonomia sobre mim mesma e meus sentimentos, foi e é uma forma de estar conectada com o momento presente, em especial nessa fase de isolamento e de insegurança global que estamos vivendo. É uma forma de me lembrar que as situações e emoções são passageiras, e que por pior que possa parecer o cenário atual, ele é temporário. Me dá esperanças de que um novo tempo virá com muitos aprendizados e ressignificações das relações inter e intrapessoais – diz a médica Elisa Andrighetti Brandalise, 30, que mudou-se de Porto Alegre para Caxias em março, e encontrou nas aulas online de Eve a possibilidade de seguir praticando ioga.

Instrutora de ioga Eve Pisani, da escola mais antiga de Caxias<!-- NICAID(14510548) -->
Procura pelo ioga aumentou na escola comandada por EveFoto: Rafaella Zortea / divulgação

Eve percebeu que, no início da pandemia, as pessoas estavam mais animadas a procurar novas ocupações. Isso acontecia porque a maior parte delas tinha em mente um prazo para que a pandemia acabasse. Agora, essa perspectiva se diluiu, tornando a prática de ioga ainda mais importante. 

– Vejo agora as pessoas entrando num processo de cansaço, de esgotamento, de querer o tempo de volta, vejo mais depressão. Estou puxando mais, dando mais estímulo para as práticas. Digo ao alunos que estão mais desanimados “agora que precisamos fazer mais” – revela.

Talvez justamente por isso, agora seja a hora de exaltar ainda mais os benefícios da prática.

– Vejo o quanto as pessoas que praticam o ioga estão respondendo de uma forma muito mais positiva e demonstrando uma capacidade de adaptabilidade bem maior do que o normal. O ioga nos prepara para os períodos da vida – aponta Eve. 

Instrutora de ioga Bruna Meletti<!-- NICAID(14508289) -->
Bruna Meletti aponta para os benefícios do ioga no momento atualFoto: Monique Vargas / Divulgação

Aprendendo a respirar

A instrutora de ioga Bruna Meletti, 29 anos, também tem se dedicado às práticas online, utilizando principalmente ferramentas como o Zoom e o WhatsApp. Ela tem feito ainda algumas aulas abertas e lives, onde gosta de explorar bastante o ioga enquanto conceito, desmistificando a ideia de que é preciso ser quase “um integrante do Cirque du Soleil” para se aventurar nas aulas.

– Gosto de mostrar que tudo bem se a pessoa não consegue levantar a perna, que isso não importa muito, sabe. Para mim, a principal ferramenta que o ioga tem é ensinar a respirar conscientemente. A gente não consegue controlar a mente pela mente, consegue controlar a mente pela respiração. É um segredo incrível para tratar ansiedade, estresse e outros problemas que agora na quarentena estão vindo mais a tona – ensina.

De fato, a respiração é um dos principais focos do ioga, e não a flexibilidade do corpo, como muitas pessoas podem imaginar.

– O maior objetivo do ioga é acessar a mente, através do desenvolvimento de um corpo forte, você também desenvolve uma mente forte. É essa mente forte que te faz entrar com mais facilidade no fluxo natural das coisas – propõe a instrutora Eve Pisani.

E claro que as técnicas de respiração são fundamentais para que isso ocorra.

– Na prática, tenho colocado muito a questão da respiração no controle da ansiedade – complementa Eve.

Para Bruna, a respiração é uma ferramenta transformadora, assim como o próprio ioga de forma geral. Conforme ela, o equilíbrio emocional que tanto buscamos pode estar relacionado diretamente à atenção que damos à inspiração e à exalação do ar.

– Quando a gente consegue respirar com atenção, a gente consegue mudar o padrão das nossas emoções. Com a respiração consciente, mudamos o estado mental, conseguimos virar o jogo. Gosto muito de trazer isso para as pessoas. É um exercício, claro, por isso que a gente tem a prática. Não é fácil, quando vem a raiva, só respirar profundo e deixar ela ir embora (risos), mas quando a gente consegue fazer isso, passa a ter controle da nossa vida, das nossas ações e, principalmente, das reações – justifica.

Para Eve, o simples fato de prestar atenção à respiração já um começo importante para quem busca mais bem-estar. Um exercício proposto por ela é deitar por cerca de 15 minutos e tentar focar numa inspiração e exalação pausada e pelo nariz. 

– Cuidar a respiração e interferir nela de forma sutil, só prolongando um pouquinho o tempo da inspiração e um pouquinho o tempo da expiração, para que ela completa tenha em torno de 15 segundos. O ritmo acessa diretamente o batimento cardíaco, a frequência das ondas cerebrais baixam e a frequência do próprio sistema nervoso baixa. Naturalmente, você acessa áreas do  cérebro que dão uma resposta de relaxamento muito rápida – explica a instrutora.

– Para quem está sofrendo muito de ansiedade neste momento de quarentena, aprenda a tirar uns minutos para respirar. Isso vai reverberar no resto do dia, vai trazer uma tranquilidade muito maior. E é uma ferramenta  barata e disponível, é só realmente querer – complementa Bruna.

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