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Opinião26/06/2020 | 07h00Atualizada em 26/06/2020 | 07h00

Gilmar Marcílio: elasticidade

O certo é que permanecer parado, lamentando, acelerará a dor e o sentimento de impotência

Nosso cérebro possui a admirável propriedade de se moldar ao longo da vida. Vai se ajustando às mudanças com espantosa facilidade. Mesmo quando alguma função motora foi perdida num acidente, por exemplo, é capaz de nova conformação. Outra área se encarregará de executá-la. Em relação aos comportamentos e às emoções, ele segue um padrão semelhante. Ou seja, não é só a mente que inscreve dentro de nós realidades suplementares. Isso acontece também com esse espetacular órgão. Tão ou mais complexo do que o próprio universo, dizem os neurocientistas. O assunto é fascinante e evidencia a riqueza de estarmos conscientes de tal percepção. A resistência de se conectar a novas experiências causa paralisação emocional e a consequente inabilidade de absorver o que se apresenta como inédito. Deveríamos nos lembrar disso em diversas situações. Caso contrário, continuamos vivos, mas incapazes de usufruir desse presente que a biologia nos entrega. Ao invés de ficar lamentando por algo perdido, o melhor modo de se reconstruir parece ser o de adicionar outro caminho, gerando competências suplementares de gerar alegria, contentamento.

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Essa constatação me leva a refletir sobre a instabilidade interior com que nos deparamos atualmente. Nunca se proferiu tanto as palavras tédio, ansiedade, insegurança. Devido às circunstâncias, é praticamente impossível escapar do debate. Mas não pode se tornar o centro irradiador de tudo que nos cerca. Penso em como meus dias resultaram com suas opções reduzidas e sinto profunda tristeza. Mas faço esforços renovados para expulsar essa sombra nefasta e foco meu olhar no que jamais me foi roubado. Quantos apreciariam entrar numa máquina do tempo para dispensar máscaras e distribuir carícias, afagando com as mãos a pele do outro? Sonhar é preciso, mas só se alimentar dele é patológico. O cardápio para os próximos meses provavelmente será este. Está em cada pessoa a aptidão de moldar a argila das horas. Uns farão belas esculturas; outros, vagas formas que mais lembram um filme de terror. Embora a genética e a psique sejam senhoras quase que absolutas, devemos estimular a área neurológica, provocando alterações na maneira como vemos as coisas. O sol pode estar escondido a poucos passos de onde nos encontramos. Só nos é solicitado um pequeno deslocamento.

O certo é que permanecer parado, lamentando, acelerará a dor e o sentimento de impotência. Temos à disposição o mais poderoso aliado. Provoque infinitas conexões entre as células; esforce-se para que o seu corpo trabalhe em busca da satisfação que não está perdida. O organismo humano é complexo e se aproxima do milagre. Faça por merecê-lo. Acomodar-se é destino das pedras.

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