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Opinião04/06/2020 | 07h00Atualizada em 04/06/2020 | 08h49

André Costantin: MB Antifa

Vou ser o animal desgarrado que foge do abatedouro mental. MB Antifa - Monte Bérico Antifascista.

André Costantin
André Costantin

andre@transe.com.br

Estou fundando o grupo MB Antifa, que por enquanto tem um único integrante: eu. Já que a loucura e a boiada em volta estão em marcha, tocadas por berrantes virtuais, vou ser o animal desgarrado que foge do abatedouro mental. MB Antifa – Monte Bérico Antifascista.

Inspirado na tradição Antifaschistische – dos que resistiam ao devaneio genocida de Hitler na Alemanha nazista –, o escudo gráfico de MB Antifa terá a estilização do campanário de Monte Bérico, datado de 1917, sólido marco deste vilarejo nas bordas de Caxias.

Urge tal movimento. Ontem minha filha de 13 anos até riu de mim, informando-me que estou atrasado, como sempre. E desligado das redes sociais. Pois nestes dias já circulavam pelo Insta e et.cetera.com centenas de grupos e memes do gênero, dos biólogos e sommeliers às inusitadas “Gostosas Antifas”.

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Tudo bem. O importante é falarmos de antifascismo. Verbalizar o nome, destrinchar os algoritmos, dar imagem e rosto aos monstros que nos atormentam há meses, anos. Assistimos, quase quietos, a ascenção ao poder do nosso protótipo de Mussolini mambembe, rodeado por ativistas toscos do tipo Sara Winter. Passa a hora de termos os lados inversos desta moeda, tão caricatos quanto.

Se vocês se calarem, amantes da liberdade, as pedras – e até a Quinta Avenida de Nova Iorque – clamarão (com permissão do evangelista Lucas). Já por aqui os profetas dos Engenheiros do Hawaii cantavam, desde os idos de 1986, em Toda forma de Poder: “E o fascismo é fascinante, deixa a gente ignorante fascinada”. São parábolas, super-reais.

Minhas armas: a palavra escrita, que pouco falo; um Fusca verde 1972, alguns clássicos da biblioteca e também uma bigorna antiga na oficina de casa, onde tenho batido lanças e arpões imaginários de Dom Quixote e Queequeg, o arpoador de Moby Dick. Então, mundo imediato, aqui não jaz; aqui, atrás deste portão, resiste um antifascista. Com as bençãos da Nossa Senhora de Monte Bérico.

E já agora, antes do fim da crônica, recebo um segundo integrante no grupo: o Senhor Touguinha, que vive pelo mundo. Escreve-me no whats: “Dio Mio! Porca Miseria.! Assim falava o irmão Elia Fontana, de Schio e devotíssimo da Madonna di Monte Berico. Falecido há uns dois anos passados. Residimos juntos na Sicília. Antes fora por muitos anos missionário em Uganda. Passou por difíceis momentos durante a sanguinária ditadura de Idi Amin Dada. Por um período ficou escondido na floresta, entre o risco dos gorilas e de virar churrasco de Idi Amin. Sobreviveu aos dois!”.

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