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Opinião23/06/2020 | 07h00Atualizada em 23/06/2020 | 07h00

Adriana Antunes: Vania Marta

Descobrimos o jornalismo juntas, estudamos, nos dedicamos a campos de pesquisa diferentes, seguimos nossas trajetórias, mas nunca longe

 Apesar dos tempos complicados que estamos vivendo sinto uma alegria imensa ao saber que já já minha afilhada estará chegando neste mundo. E eis que o amor e a esperança realmente não conseguem ser explicados em palavras, afinal, como assim desejar que uma criança nasça em meio a isso tudo que está acontecendo, e mesmo assim, desejando muito. A pequena que terá como nome uma derivação de Marte, deus da guerra, mas também da agricultura, deve estrear seu primeiro grito nos próximos dias. Essa menina linda e, já muito amada, é filha de uma pessoa incrível que a vida me aproximou há 25 anos. Vânia virou amiga, irmã, parceira de trabalho, comadre, confidente. Descobrimos o jornalismo juntas, estudamos, nos dedicamos a campos de pesquisa diferentes, seguimos nossas trajetórias, mas nunca longe. Quando nos conhecemos ainda tínhamos o frescor do início da carreira e dos sonhos. Em 25 anos o cabelo ficou branco, paramos de comer porcaria e beber refrigerante, aprendemos a ler Nietzsche, Piaget e Freud, vimos a transição da imprensa analógica para o digital, nos transformamos de menina em mulher e escolhemos, outra vez, campos diferentes de trabalho, Vânia na assessoria de imprensa e eu larguei mão das notícias e fui ser psicanalista.

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Conto um pouco de mim e desta amizade para ressaltar a importância que o outro tem em nossas vidas. Sartre dizia que o inferno são os outros, o que também é verdade, mas tenho uma imensa simpatia por Valter Hugo Mãe que afirma o contrário. Para ele, o paraíso são os outros. É o outro de nossa convivência que nos ensina a ser quem somos. É o outro que nos permite o olhar menos narcísico sobre nós mesmos. É o outro que rompe com nossas próprias idealizações de que somos perfeitos e incríveis e nos mostra o quanto somos humanos e imperfeitos na maior parte do tempo. Mas é somente o amigo que habita o outro que nos aceita como somos, sem cobranças, questionamentos ou julgamentos. E é somente por conta disso que aguentamos ouvir as verdades mais dolorosas, chorar e por fim agradecer, pois crescemos no amor que o outro nos dedica. Talvez a forma mais genuína de amor seja a amizade, pois amigos são cúmplices, parceiros e não se deseja nada do outro a não ser estar junto e atravessar a vida. E acredito também em amores amigos, pois um dia descobrimos que a palavra é tão ou mais erótica que todo o resto.

É incrível o que o nascimento de uma criança faz conosco. De repente sonho junto a vontade de apresentar o mundo a este pequeno ser, contar histórias de passarinhos, de como a flor faz para desabrochar, enfrentar os medos que se escondem embaixo da cama ou atrás do armário, sentir o cheiro de cabelo lavado, curar um joelho ralado. Sabe essas coisas mais simples da vida? Agradeça ao universo se você ainda se emociona com isso. A humanidade se apresenta nos detalhes e é nisso que me agarro ao esperar esse pequeno ser que chegará por aqui em tempos tão conturbados.

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