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Opinião22/05/2020 | 18h57Atualizada em 22/05/2020 | 18h57

Pedro Guerra: felicidade e autopermissão

Insistimos nessa crença de que a felicidade é estar imune à tristeza, quando mal sabemos que ser feliz é encarar a tristeza com serenidade

Pedro Guerra: felicidade e autopermissão Antonio Giacomin/
Foto: Antonio Giacomin

Pode reparar: todo mundo está querendo ser feliz. E quem não gostaria? Quem sabe esta seja a maior procura do ser humano. Nós nascemos com a ideia de que nossa maior missão é ser feliz (e quem sou eu para discordar), mas quem é que chegou a se questionar o que seria, de fato, sentir-se plenamente feliz, como se a felicidade atingida fosse para sempre o suficiente?

Dias atrás eu li uma publicação de alguém que dizia que “só queria ser feliz”. A minha vontade foi chamar a pessoa para conversar e tentar entender o que isso significava para ela. Se a resposta fosse algo simples, a minha pergunta seria: o que é que você está esperando? Falo isso porque nós insistimos nessa crença de que a felicidade é estar imune à tristeza, quando mal sabemos que ser feliz é encarar a tristeza com serenidade.

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Pensa comigo: enquanto vivos, nós nunca estaremos imunes ao que pode acontecer de ruim ao nosso redor. Esta é a vida, este é o desafio. Ansiar a felicidade como um estágio de plenitude onde nada no mundo pode nos quebrar é tão irreal quanto acreditar no conceito de perfeição. Pensando assim, a felicidade me soa como uma linha de chegada, um ponto final das coisas, como se só pudéssemos ser felizes sem estarmos vulneráveis à qualquer obstáculo. E o que é a vida se não uma eterna provação de que podemos e que conseguimos?

Comecei a perceber que a felicidade também é questão de autopermissão. Se eu não me permitir ser feliz hoje, com tudo aquilo que tenho, acreditando que isso me basta e que a felicidade é agora, é estar tranquilo, eu vou viver esperando uma tragédia para acreditar que a felicidade era tudo que eu tinha e nunca percebi.

É um fato: somos felizes. Existem milhares de detalhes que justificariam esta afirmativa. Contudo, martelamos a ganância. Ser feliz é isso? Ora, não pode ser... Afinal, ser feliz nos foi vendido como um conceito muito maior, algo celestialmente incrível e que não pode deixar de ser uma eterna busca. Aí, vivemos na maior parte do tempo infelizes. Nós não sorrimos porque não queremos, porque acreditamos que precisamos de um luto maior que o necessário para cada tropeço, e que a nossa tristeza simboliza uma época que precisa fundamentalmente existir.

Sendo assim, mantenhamos em mente: a felicidade não é só uma espera de que alguém nos faça rir. Eu também sou responsável pelo meu sorriso, e o motivo para ele aparecer também pode vir aqui de dentro. Se o tempo está feio, a gente faz o carnaval dentro de casa. Se o ex-amor foi embora, a gente coloca uma música alta e dança com o cachorro enroscado nos pés. Se a gente perdeu o emprego, logo a gente encontra outro. Isso é estar vivendo. Isso é ser feliz, mesmo no dias ruins. E a gente só acredita que pode ser feliz quando entende que a felicidade não nos abandona nunca, mesmo quando algo negativo acontece. Ela está ali, tímida e um pouco rouca, mas ainda assim ela vive.

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