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Opinião15/05/2020 | 20h54Atualizada em 15/05/2020 | 20h54

Nivaldo Pereira: a mente e os pulmões

Talvez haja algum sentido oculto no fato de a pandemia que agora convulsiona o mundo afetar preferencialmente a respiração humana

Nivaldo Pereira: a mente e os pulmões Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

O Sol entra em Gêmeos no próximo dia 20, mas este signo já anda ativado pela presença de Vênus e pelo recente ingresso de seu regente, Mercúrio. No corpo, Gêmeos rege os pulmões e a respiração, fundamentos de todas as demais interações geminianas com o ambiente, como a comunicação. Talvez haja algum sentido oculto no fato de a pandemia que agora convulsiona o mundo afetar preferencialmente a respiração humana. Numa conexão simbólica, devemos atentar mais para o ato de respirar. E na era mais informada da história, ironicamente, precisamos reaprender a comunicar. Ou seja, reaprender a pensar, a falar, a ouvir e a questionar.

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Gêmeos é o primeiro signo de ar, o elemento do intelecto. Neste signo duplo, o ar é inspirado e expirado pelos pulmões, numa troca com o meio. É a mente livre, se abrindo a perguntas e comparações, querendo saber de tudo, feito criança curiosa. Sim, respiração e energia mental estão conectadas. Quando estamos ansiosos ou preocupados, com a mente pesada, a respiração se encurta. Se alguém está meio surtado, pedimos que respire fundo, que respire calmamente. E as milenares técnicas de meditação estão aí, ensinando a sossegar a mente pela atenção plena à respiração. Por isso, cabe refletir sobre a relação entre uma pandemia que traz problemas respiratórios e a qualidade dos pensamentos coletivos. Onde estamos bloqueando a leveza mental geminiana?

No zodíaco, Gêmeos e seu oposto, Sagitário, compõem o eixo da comunicação e do conhecimento. Gêmeos é o exercício do diálogo. É a dúvida que conduz a novos caminhos de aprendizado. Já Sagitário, é a visão para o que é maior, compondo esquemas conceituais que deem conta do todo. Daí reger as filosofias, as religiões e as leis que organizam a vida. São signos e energias que se complementam. Assim como a dispersão geminiana encontra foco na metodologia sagitariana, o rigor de Sagitário, ao beirar o dogmatismo, encontra em Gêmeos a leveza do contraditório. Ah, e como precisamos resgatar o contraditório!

De repente, o mundo se viu tomado de certezas! Todos querem ter sempre razão em calorosos duelos de cegas convicções. Pois bem, no que depender do céu, é tempo de usar o dom da dúvida e cair fora desse drama inútil. Se o outro anda preso a molduras mentais, é quando mais precisamos invocar os geminianos dons da racionalidade e da inteligência. Igualar-se ao opositor, num embate cego, é cegar-se também. Poupe-se. Por outro lado, comunicar não é simplesmente emitir opiniões. Também é ouvir e acolher a visão do outro, também é questionar a própria visão, elevando-a a outro patamar a partir do que recebe. Eis um desafio desses tempos: treinar o respeito por outras leituras da realidade.

A atual ênfase nos ares geminianos irá muito além da vigência do signo. Até janeiro de 2022, os temas de Gêmeos e de Sagitário serão enfatizados pelos chamados nodos lunares. Estes são pontos virtuais de cruzamentos, ao norte e ao sul, da órbita da Lua e do caminho aparente do Sol, áreas celestes onde ocorrem os eclipses. Por envolver luzes e sombras, diz-se que a posição do nodo norte – agora em Gêmeos – seria um caminho de desenvolvimento para atenuar cristalizações no nodo sul – agora em Sagitário. Assim, teremos um ciclo em que o diálogo e a flexibilidade do pensamento (Gêmeos) podem ser balsâmicos contra as certezas ideológicas (Sagitário).

Enquanto isso, quietos, em casa, vamos cuidar da qualidade de nossa respiração e dos conteúdos que ocupam a nossa mente. A saúde agradece.

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