Sandra Cecília Peradelles: mulher, não deixe a violência ser sua companheira de quarentena - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião06/04/2020 | 12h21Atualizada em 06/04/2020 | 12h22

Sandra Cecília Peradelles: mulher, não deixe a violência ser sua companheira de quarentena

A violência contra a mulher não tira férias, não respeita pandemias e, portanto, pode estar de quarentena com você

Sandra Cecília Peradelles

comunicaperadelles@gmail.com

A casa neste momento de clausura acessa o significado profundo de lar, lugar para se estar aconchegada e protegida. Dos males do mundo lá fora. E quando o mal está dentro de casa? A violência contra a mulher não tira férias, não respeita pandemias e, portanto, pode estar de quarentena com você. Inclusive, e, geralmente, dormindo ao seu lado na cama do casal.

Cama, essa, que um dia foi comprada para ser o sustentáculo do grande amor, acolher sonhos conjuntos. Mas, em algum momento, a mão do amor foi lançada covardemente sobre seu corpo, te tirou sangue, deixou feridas, que logo sumiram, mas que de sua alma nunca irão desaparecer. Ele se desculpou e você o perdoou. É que o verdadeiro amor tudo perdoa, não?!

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Casos de violência contra a mulher dentro do seio da família brasileira não são novidade. Todos nós conhecemos alguma mulher que já foi agredida uma vez, ou duas, ou sempre. Se há entre você e seu parceiro episódios de violência que aconteceram no passado, esteja vigilante. E se nunca aconteceu, esteja também. É que nenhuma de nós está blindada. A violência é sorrateira, anuncia sua chegada, mas nem sempre é percebida, ela vem vestida de amor, cuidado ou ciúmes. Olhos abertos, sua recorrência traz flores. E velas, também.

A quarentena nos impõe um convívio familiar muito além do que estamos acostumados. Essa situação nos permite conhecer de maneira profunda com quem dividimos a vida, seus anjos e seus demônios. Além disso, há agonia em tudo o que se vive nesse momento pandêmico: o isolamento social forçado é angustiante; as crianças em casa desmontam a rotina; a iminência do contágio é amedrontadora. Porém, nada justifica violência. Nem o dia difícil que ele teve, muito menos o excesso de álcool que ele ingeriu. Nada justifica, fique atenta.

Se o meu recado estiver, pra você, atrasado, peço desculpas, queria ter chegado antes dessa lança te golpear, te ferir e te derrubar. Você caiu, mas não precisa ficar no chão. A vida não precisa ser assim, há futuro e ele pode ser bom. A pandemia vai passar e as vidas vão seguir cursos inimagináveis. E, mulher, a sua estrada não precisa ser a da agressão, da humilhação. De maneira nenhuma você é merecedora de qualquer outro destrato, a culpa não é sua. Não é! Entendeu? Repete isso mil vezes pra si até acreditar. Um agressor, além de desumano, é criminoso. Não merece sua pena, seu perdão. Acione suas amigas, sua família, recorra àqueles te dão força, te trazem à tona a sua melhor versão. Não permita que a covardia do outro faça de você fraca. Denuncie agora!

Denúncias ou informações sobre violência contra a mulher, ligue gratuitamente 181 ou 100.

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