Pedro Guerra: vendedores de lenços - Cultura e Tendência - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Opinião10/04/2020 | 19h49Atualizada em 10/04/2020 | 19h49

Pedro Guerra: vendedores de lenços

Depende da gente o quanto de energia vamos gastar em algo que talvez seja mais simples se apenas escolhermos a praticidade

Pedro Guerra: vendedores de lenços Antonio Giacomin/Divulgação
Foto: Antonio Giacomin / Divulgação

Eu gosto sempre de relembrar todas as coisas que os meus pais me ensinaram. Sabe, acho que isso faz a gente perceber o quanto precisamos de um suporte para o nosso crescimento, e como viemos parar nesse mundo sem saber de absolutamente nada. Uma das tantas coisas que a minha mãe me ensinou, por exemplo, foi sobre a importância de sermos práticos, principalmente em um mundo que está pronto para o drama.

Não é surpresa para nenhum amigo mais próximo de que a minha paciência é um pouco... Limitada (pode rir, eu deixo). Acontece que eu gosto de resolver tudo rápido, sem rodeios, e chegar no ponto final o quanto antes. Talvez seja um pouco de ansiedade, mas eu tenho certeza que também é graças a essa urgência de querer ser prático em qualquer situação. Pode reparar: as pessoas estão prontas para chorar em vez de agir, para reclamar em vez de solucionar, para encontrar culpados em vez de encontrar alguém que repare o que quer que esteja desajustado.

Leia mais
Pedro Guerra: o inimigo invisível
Pedro Guerra: onde ninguém quer estar

E se engana quem pensa que ser prático está relacionado a conviver com frieza, viu? A minha mãe é uma das pessoas mais sensíveis e emotivas que conheço, mas mesmo assim teve uma vez que ela me olhou e disse: “Tá bom, mas e se agora nós formos práticos... O que é que podemos fazer”? E é exatamente isso. Tem vezes que a resolução de tudo depende só da gente, e falando do ponto de vista prático, a nossa primeira ação é o que basta para consertar tudo. Tá certo que em alguns casos nada vai ter jeito, e aí a gente tem que depositar na conta da vida e deixar o tempo agir. Mas, para todo o resto, depende da gente o quanto de energia vamos gastar em algo que talvez seja mais simples se apenas escolhermos a praticidade.

Essa tarefa toda sempre foi muito difícil para mim, já que eu sou emoção o tempo inteiro e nem me lembro que às vezes (quase sempre) precisamos ser racionais. Nestes tempos de isolamento necessário, eu vejo gente reivindicando, procurando políticos culpados, reclamando-ofendendo-e-choramingando nas redes sociais como se isso adiantasse alguma coisa. E aí, falando do ponto de vista prático, o que é que você está fazendo? Qual é a alternativa que você tem buscado? Qual é a lição que você absorve e a mudança que promove a partir dessa realidade? Se o isolamento nos prende, qual é a maneira que você encontra para se sentir livre no mundo?

Só para exemplificar, eu tenho uma vizinha que precisou fechar as portas de sua loja de rua que existe há anos. Em vez de gastar o tempo com qualquer outra coisa, ela preferiu se inteirar sobre o e-commerce e, aos poucos, já realiza as primeiras vendas e encontra um novo caminho para trilhar daqui para frente. No fim das contas, a vida é uma vovó cheia de experiências e lições que está pronta para nos relembrar aquele velho ditado: você vai escolher chorar ou vender lenços?

Leia também
Nivaldo Pereira: Páscoa estranha
O trem passou por aqui: relegada ao abandono, parte da história ferroviária da Serra sobrevive nas memórias de quem a viveu
Padaria de Caxias do Sul disponibiliza pães para quem não tem condições de pagar
Os cuidados com as gestantes e os recém-nascidos durante a pandemia 

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros